Aborted: algo de podre em "Slaughter and Apparatus"
Resenha - Slaughter and Apparatus: A Methodical Overture - Aborted
Por Clóvis Eduardo
Postado em 20 de maio de 2008
Nota: 9 ![]()
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Apesar do direcionamento musical do Aborted se afastado um pouco da trepidação fétida do Grind Core, o grupo permanece com letras estranhas e podres, parte instrumental repugnante de tão suja e blast beats quase maçantes de tão repetitivos.
Não é de agora que a banda vinda da Bélgica está mais voltada para o Death Metal voraz, insano, compondo riffs pesados e rápidos, solos brilhantes e com uma miscelânea de vocais grunhidos por Sven de Caluwe. O trabalho anterior, "The Archaich Abattor" (2005) também já tinha se tornado um pouco mais acessível do que os primeiros discos, lá no final dos anos 90. Mas desta vez, "Slaughter and Apparatus" (2007) – colocado aos brasileiros recentemente através da Free Mind Records – acrescenta mais um viés na carreira do grupo, comemorando o sexto álbum da carreira.
O disco começa com uma pequena introdução para iniciar "The Chonden Enigma", uma das melhores. Carregada de urros, riffs truncados e rápidos e uma seqüência de blast beats e bumbos executados por Dan Wilding, a música já começa a dar trabalho para o pescoço. Nela, letras repulsivas, sangue e um instrumental de primeira mostram o quanto a banda melhorou em questões como qualidade de som e execução.
O grande diferencial deste disco é o acréscimo de solos mais limpos do que de costume, até mesmo para uma banda de Death Metal. Talvez o motivo disso reside na competência da dupla, Sebastian Luve e Peter Goemare nas seis cordas, por colocar melodias diferenciadas, como acontece na terceira faixa, "Avenios", cheia de fraseados.
"And Carnage Basked In Its Ebullience" tem direção quase thrash, se não fosse a participação da cozinha de Dan e do baixista Peter Goemaere, ao esbanjar velocidade no melhor estilo de grupos como o Bloodbath. As músicas são predominantemente curtas e diretas, o que torna "Slaughter and Apparatus" um disco equilibrado, sem chance de tédio para o ouvinte. É quase como um curso intensivo de Death Metal, em apenas 45 minutos!
Na análise do vocal, fica uma dúvida se foi acertada a decisão de mesclar a parte gutural com versos mais rasgados, com uma alternância absurda, como na sétima música "Archetype", ou na oitava, "Ingenuity In Genocide". A técnica é diferente e pode ser mais bem adaptada, mas não deixa dúvidas que o instrumental poderoso e ríspido consegue dificultar o ouvinte a prestar atenção no vocal.
O disco tem ainda faixa multimídia especial, onde constam o vídeo de "The Chondrin Enigma", o making-off deste clip, além de uma pequena amostragem de estúdio de como foram as gravações do álbum. O encarte é em um papel especial, e com uma arte gráfica bem feita, ressaltando um diferencial entre outros grupos de Death Metal da atualidade. Mas o que menos importa neste momento, é material. A mixagem ficou praticamente perfeita para as exigências dos fãs do gênero, o que já é um caminho muito bem andado para quando uma banda realiza excelentes composições, assim como fez o Aborted neste disco. E fiquem espertos: "Strychnine.213", vem aí, com previsão de lançamento ainda em 2008.
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