Gentle Giant: progressivo calculado e fusão de estilos
Resenha - Octopus - Gentle Giant
Por Elias Varella
Postado em 09 de abril de 2008
O Gentle Giant sempre ficou na sombra de grandes nomes do rock progressivo, como Yes, Genesis e Pink Floyd. Posição mais do que injusta para aqueles ingleses, que nunca conseguiram atingir um razoável sucesso comercial, nem mesmo quando arriscaram mudar o rumo musical em 1977. Hoje, eles se tornaram uma pérola do underground progressivo, com seguidores fiéis ao redor do mundo, que admiram o estilo único da banda em explorar todas as possibilidades e texturas sonoras em sua música, com influências de jazz, rock, musica erudita, barroca, sinfônica, folk, tudo muito bem encaixado e calculado.

Este review trata do quarto álbum de estúdio, considerado o melhor por muitos fãs, lançado em 1972 (que boa safra teve esse ano para o rock progressivo) chamado "Octopus". Quem ficou encarregado pela arte da capa do disco foi Roger Dean, famoso pelos seus trabalhos com o Yes, Uriah Heep, Budgie, Asia, Rick Wakeman, entre outros. O nome foi uma idéia da esposa de Phil Shulman, inspirada nas oito musicas da obra: "Octo-Opus".
Neste disco, o prog calculado, experimental e a fusão de estilos atingem seu ápice na discografia da banda. Um exemplo do experimentalismo está em "Raconteur Troubador", onde a intenção musical e lírica foi recriar uma música que remonta aos tempos dos trovadores medievais na Inglaterra, tudo com o brilho dos arranjos do Gigante.
Se você acha que "Bohemian Rhapsody", do Queen, possui um complexo trabalho vocal, ouça a esquizofrênica, delicada e inteligente "Knots", inspirada no existencialismo do psiquiatra escocês Ronald David Laing que conta com um dos mais elaborados trabalhos vocais e instrumentais que já foram feitos no rock progressivo.
Em "Dog´s Life" a banda faz uma homenagem aos seus roadies. Na melhor ironia inglesa, a paródia é feita numa comparação entre a vida de um cachorro e a vida dos roadies.
Os músicos mostram tudo o que sabem em "The boys in the band", a música da moeda, como ficou conhecida entre os fãs brasileiros. Nesta faixa instrumental, mudanças de andamento e sobreposição de instrumentos são milimetricamente calculados.
"The Advent of Panurge", "River" e "A cry for everyone" são típicas obras do prog anos 70 que fazem a alegria de quem gosta do estilo.
Antes de terminar esta resenha, necessário é fazer uma ressalva importante ao leitor: ao ouvir o álbum, preste atenção nos detalhes das músicas. Não se atenha ao instrumento da melodia principal. O Gentle Giant foi uma das bandas que mais soube explorar o que a música pode oferecer, sem barreiras, o que traz uma riqueza de detalhes muito grande à sua obra. Basta lembrar que todos os músicos tocavam mais de um instrumento, o que é um recurso muito útil a uma banda que pode-se dizer que fazia da música um estudo.
Não há como não recomendar qualquer vídeo da banda tocando ao vivo, pois como eles reproduziam tudo que era feito no estúdio, é interessante ver os músicos trocando de instrumento toda hora, vide o baixista, violinista, guitarrista e vocalista Ray Shulman, e como os complexos trabalhos vocais, como "Knots", eram reproduzidos perfeitamente em cima do palco (o Queen fazia playback).
Espero que se você não conhecia esta banda, que este seja o primeiro passo para muitas descobertas e viagens que os ingleses podem oferecer! São altamente recomendáveis os sete primeiros álbuns, com um destaque para o "In a glass house", de 1973.
Aos apreciadores da boa música, boa viagem!
Músicos:
- Gary Green / guitarras, percussão
- Kerry Minnear / teclados, vibrafone, percussão, cello, Moog, vocais
- Derek Shulman / vocais, alto saxofone
- Philip Shulman / saxofone, trompete, mellofone, vocais
- Raymond Shulman / baixo, violino, guitarrra, percussão , vocais
- John Weathers / bateria, percussão, chilofone
Músicas:
1. The Advent Of Panurge (4:45)
2. Raconteur Troubadour (4:03)
3. A Cry For Everyone (4:06)
4. Knots (4:11)
5. The Boys In The Band (4:34)
6. Dog's Life (3:13)
7. Think Of Me With Kindness (3:31)
8. River (5:52)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O subgênero essencial do rock que Phil Collins rejeita: "nunca gostei dessa música"
A banda grunge de quem Kurt Cobain queria distância, e que acabou superando o Nirvana
O álbum que Regis Tadeu considera forte candidato a um dos melhores de 2026
O álbum do U2 que para Bono não tem nenhuma música fraca, mas também é difícil de ouvir
Andreas Kisser participa de novo álbum do Bruce Dickinson - sem tocar guitarra
Os melhores álbuns de hard rock e heavy metal de 1986, segundo o Ultimate Classic Rock
"Não soa como Megadeth", diz David Ellefson sobre novo álbum de sua antiga banda
Grammy omite Brent Hinds (Mastodon) da homenagem aos falecidos
Os 15 discos favoritos de Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden
A última banda de rock nacional que conseguiu influenciar crianças, segundo Jéssica Falchi
O dia que Kiko Loureiro respondeu a quem o acusou de tocar errado clássico do Megadeth
As cinco bandas de rock favoritas de Jimi Hendrix; "Esse é o melhor grupo do mundo"
Veja Post Malone cantando "War Pigs" em homenagem a Ozzy no Grammy 2026 com Slash e Chad Smith
Bruce Dickinson grava novo álbum solo em estúdio de Dave Grohl
A banda "rival" do U2 que Bono admitiu ter inveja; "Eles eram incríveis"

CPM 22: "Suor e Sacrifício", o álbum mais Hardcore da banda
O fim de uma era? Insanidade e fogo nos olhos no último disparo do Megadeth
Alter Bridge, um novo recomeço no novo álbum autointitulado
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal


