Kotipelto: um vocalista sem nada a provar
Resenha - Serenity - Kotipelto
Por Maurício Dehò
Postado em 07 de abril de 2008
Timo Kotipelto começou muito bem sua carreira solo, lançada em 2002. Com "Waiting for the Dawn" e tendo na retaguarda nomes como Jari Kainulainen (baixo/Stratovarius), Mike Romeo (guitarra/Symphony X), Roland Grapow (guitarra/ex-Helloween) e Janne Wirman (teclado/Children of Bodom), brindou os fãs do Stratovarius com composições muito boas e um estilo próprio, até um pouco exótico. Até porque sua banda principal não lhe dava o devido espaço nas composições, com a liderança do guitarrista Timo Tolkki. Dois anos depois, com o segundo álbum, "Coldness" – Mike Romeo assumiu a maioria das guitarras outra vez -, o resultado não foi o mesmo, com composições mais fracas. Talvez um reflexo da situação com a crise e debandada do Stratovarius, que se separou após as duas partes do disco "Elements" e voltou a se unir apenas em 2005.

Mas 2007 já apresentava tudo resolvido. O Stratovarius lançou um álbum auto-intitulado e saiu em tour. E, no período de folga, Kotipelto resolveu arriscar mais uma vez. Como título, aparentemente escolheu a palavra que definiria o momento de paz, pós-briga no Stratovarius, "Serenity". Bem, é importante uma pausa, já que enquanto esta resenha estava sendo escrita, chegou a bomba: fim do Stratovarius. Timo Tolkki fez o anúncio e, é claro, quebrou esta aura de serenidade que parecia ter voltado ao conjunto após a retomada.
Mas, retornando ao disco, "Serenity" volta a apresentar Kotipelto em boa forma e com a qualidade de composições que eram esperadas do finlandês após a boa estréia. O disco traz desde o início, com "Once Upon a Time", aquele Melodicão que com certeza está deixando muitos órfãos. Curta, a faixa é no maior estilo "Hunting High And Low", com agudos, bumbos duplos, baixão acelerado e aquela tradicional estrutura de fazer o refrão final ainda mais agudo do que no restante da canção. Outra que aparece com riffs e solos de qualidade é Sleep Well, enquanto a faixa-título apresenta linhas que fogem mais desta normalidade e se destacam no álbum.
Um dos motivos que podem ser atribuídos à subida de nível de "Coldness" para este mais recente trabalho são os parceiros com quem Timo escolheu trabalhar. Kotipelto renovou com sucesso o seu line-up e escolheu para a seção instrumental Laurri Porra, seu (ex-)parceiro no Stratovarius, além de Tuomas Wainölä na guitarra, Janne Wirman no teclado e Mirka Rantanen na bateria.
Apesar de não ser um álbum em que haja inovações, Kotipelto consegue resultados diferentes ainda em Angels Will Cry, com linhas bem variadas nas seis cordas de Wainölä. Também se destaca Last Defender, que fecha o play. A faixa é a melhor do disco, com um clima mais dramático, denso e pesado, alguns trechos de violão e uma letra marcante. Vale citar o belo projeto gráfico desenvolvido.
Se fosse analisar este disco com Kotipelto em carreira solo e ainda no Stratovarius, acredito que "Serenity" não representaria nenhum primor dentro do Metal Melódico, mas por si só já seria suficiente para se voltar a acreditar no talento do vocalista, já que o disco é melhor que o anterior. No entanto, a banda Kotipelto será o ganha-pão definitivo de Timo, então o quarto álbum realmente terá a função de mostrar a que o vocalista veio em seu lado como compositor, já que como vocalista ele não tem nada a provar. É esperar para ver no que dará este novo desafio.
Formação:
Timo Kotipelto - vocals
Lauri Porra - bass
Tuomas Wainölä - guitars
Janne Wirman - keys
Mirka Rantanen - drums
Track list:
1. Once upon a Time
2. Sleep Well
3. Serenity
4. City of Mysteries
5. King Anti-Midas
6. Angels Will Cry
7. After the Rain
8. Mr. Know-It-All
9. Dreams and Reality
10. Last Defender
Lançamento nacional – Hellion Records
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



64 shows internacionais de rock e metal no Brasil até o final de novembro
Deep Purple suspende restante da tour europeia após Ian Gillan ser hospitalizado
A lenda do thrash que considera Metallica melhor do que Motörhead: "Nada tão poderoso"
Scorpions confirma primeiras datas na América Latina em 2027
Pitty: cantora publica foto nua na internet e bate recorde de curtidas
A banda que Alice Cooper considera a que melhor representa o heavy metal
O presente de Paul Di'Anno que Nicko McBrain guarda até hoje com orgulho
Após anunciar turnê de despedida do Journey, tecladista muda de ideia
Aerosmith realiza segundo show comemorativo; veja setlist, convidados e vídeos
Por que Yngwie Malmsteen não é tão difícil quanto dizem, segundo Zakk Wylde
Dez músicos que eram bons demais para suas bandas
Por que o hino beneficente do heavy metal não pegou, segundo Regis Tadeu
A melhor música do Iron Maiden de todos os tempos, segundo Nicko McBrain
Lee Aaron anuncia "Re-Vamp", álbum com regravações e faixas inéditas
A banda punk que Corey Taylor diz ter sido fundamental para sua formação musical
A fundamental diferença entre Paulo Ricardo e Schiavon que levou RPM ao fim
Bruce Dickinson passou a se chamar assim pois seu nome original é igual ao de Paul Di'Anno
O talentoso rockstar que deixou de tomar banho e fazer a barba pra ficar feio

Raimundos - há 26 anos, o "MTV Ao Vivo" registrava uma das fases mais intensas da banda
Lorna Shore cria obra que desafia os limites do ouvinte
Wings of Steel novamente acerta com "Winds of Time"
Queens of The Stone Age volta com álbum longe de ser "Perfecth"
Corrosion of Conformity encara perdas e mudanças em "Good God / Baad Man"
O melhor disco lançado em 2026, segundo Mateus Ribeiro
Voivod - Música mutante para um futuro mutante
"From The Dark"; "apenas" um disco solo de Tony Iommi que evoca o Black Sabbath com Dio
Nunslaughter retorna disparando blasfêmia de grosso calibre no ótimo "Satanic Chaos Legions"
Iron Maiden: "The Book Of Souls" é uma obra sem precedentes



