Andre Matos: Time To Be Free é um discão

Resenha - Time To Be Free - Andre Matos

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Por Thiago El Cid Cardim
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Parece que, nos últimos anos, virou moda falar mal do Andre Matos – tanto quanto saem no automático comentários como “Ah, mas eu só gosto do Sepultura / Metallica / Megadeth / Iron Maiden nos primeiros álbuns, o resto é uma porcaria” . Tem gente sempre com uma piadinha a respeito do cara na ponta da língua sem nem ao menos pensar no motivo de tanto ódio. Veja: qualquer um tem o direito de não gostar dele. Mas desde que saiba explicar o porquê. Desde que não seja simplesmente porque toda a galera daquele fórum legal o odeia. “Meus amigos detestam, tenho que detestar também”. E, principalmente, desde que não se condene aqueles que gostam. Para a maior parte dos bangers tupiniquins, curtir o Andre Matos tornou-se um pecado passível de 100 chibatadas no tronco. Quem gosta do Matos, quem gosta do Sha(a)man e/ou do Angra e/ou do Viper com ele nos vocais, não pode ser considerado “true”. Se você é um destes, pode começar a se torcer de raiva. “Time To Be Free”, primeiro disco solo do vocalista, é um discão.
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Mais do que um CD, “Time To Be Free” – título pra lá de sintomático - é uma declaração autoral, extremamente pessoal e cheia de paixão de um dos mais destacados nomes da cena metálica brasileira [gostem seus detratores ou não], quase uma biografia que serve como resumo e ponto focal de tudo que aconteceu em sua carreira até então, mesclando um pouco do melhor de suas três bandas.

Estão lá todos os seus colaboradores habituais: Sascha Paeth [agora acompanhado de Roy Z] na produção, Amanda Sommerville nos backing vocals, Marcus Vianna tocando cello, violinos, flautas e demais instrumentos clássicos e/ou exóticos, e, como não poderia deixar de ser, a dupla de irmãos Mariutti quebrando tudo na guitarra e no baixo. Como bônus, ninguém menos do que Pit Passarell [Viper] como co-compositor das músicas “Letting Go” e “Remember Why”. Ou seja: tudo em casa. Mas tudo com um bem-vindo cheirinho de novidade e evolução.

As letras, falando abertamente sobre “seguir em frente”, “deixar o passado para trás”, “começar de novo”, “ultrapassar as barreiras” e “curar as feridas”, parecem versar, pelo menos nas entrelinhas e metaforicamente, sobre as separações do Angra e, mais recentemente, do Shaman. Musicalmente, “Time To Be Free” é talvez uma das obras mais amadurecidas da carreira de Matos, transmitindo a segurança de alguém que parece ter encontrado seu eixo ao lado de uma formação afinada e bem integrada.

É claro que, em sua maior parte, o disco parece uma espécie de continuação natural de “Reason”, optando pela sonoridade básica do metal tradicional que significou a ruptura com o baterista Ricardo Confessori – e que, em seu “Immortal”, retorna ao tipo de “world music metal” [que eles preferem chamar de “mystic metal”, bem menos divertido] do “Ritual”. Os vocais estão um pouco menos melódicos, arriscando-se até por lados mais rasgados e agressivos...dentro do estilo característico do Andre, veja bem. Ao lado da já conhecida “Rio”, ”How Long” e “Rescue” dão o tom deste CD, bebendo na fonte do duo Iron Maiden/Judas Priest e investindo numa interpretação profunda e emocionada, devidamente complementada pelo excelente trabalho das guitarras ferozes de Hugo Mariutti e André Hernandes – para quem não sabe, aliás, o cara que quase assumiu a vaga de Kiko Loureiro nos primórdios do Angra, vejam vocês.

Mas nada temam, porque a veia “metal melódico” do cantor pode ser fortemente sentida em “Remember Why” [que tem a maior cara daquele Angra da era “Holy Land”], “Endeavour” e especialmente na longa faixa-título – que é Angra clássico do início ao fim, da acelerada bateria de pedal duplo aos solos de guitarras cantantes, passando até pelos teclados característicos que dão o clima epopéico ao negócio todo. Épicas também são “Looking Back” e suas orquestrações variadas – tornando-a uma espécie de semibalada que chega até a resvalar para o lado pop, sem qualquer demérito – e a soturna “Face The End”, na qual Fábio Ribeiro surpreende ao criar a ambientação que a faixa pede com tamanha densidade.

Todavia, o grande destaque, na opinião deste que vos escreve, é mesmo “A New Moonlight”, releitura/remake de “Moonlight”, do Viper. O piano, o jogo de vozes e mesmo os riffs finais são nitidamente influenciados pelo Queen [que, segundo me confessou o próprio Andre numa das primeiras entrevistas que tive com ele, é uma de suas maiores influências roqueiras], fazendo nascer um tipo de canção distante de qualquer coisa que se esperaria ouvir na carreira de Matos – bom, talvez apenas no Virgo, se você foi um dos poucos que teve a chance de ouvir este interessante projeto paralelo...

Há quem se pergunte se “Time To Be Free” foi um disco que Andre Matos fez para os fãs ou para ele mesmo, passando a limpo toda a sua carreira até então. Isso não importa. Afinal, se foi um álbum que precisava fazer para satisfazer o próprio ego, o músico atingiu em cheio fãs como eu. A sugestão que dou, de todo o coração, é: ouça o disco. Deixe de lado os estereótipos fáceis que você deve ter montado. Se ainda assim você continuar dizendo por aí que detesta o Andre Matos, tudo bem. Não concordo, mas entendo. Mas que esta seja a SUA opinião, e não dos seus amigos/vizinhos/parentes ou coleguinhas pseudo-críticos de fóruns internéticos. Personalidade acima de tudo.

Line-Up:
Andre Matos – Vocal
Hugo Mariutti - Guitarra
André Hernandes – Guitarra
Luis Mariutti – Baixo
Rafael Rosa - Bateria
Fábio Ribeiro – Teclado

Tracklist:
01- Menuett
02- Letting Go
03- Rio
04- Remember Why
05- How Long (Unleashed Way)
06- Looking Back
07- Face The End
08- Time To Be Free
09- Rescue
10- A New Moonlight
11- Endeavour
12- Separate Ways (World Apart) – cover do Journey, faixa-bônus para o mercado japonês

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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