Tristania: último de Vibeke Stene soa quase pop
Resenha - Illumination - Tristania
Por Ricardo Seelig
Postado em 25 de novembro de 2007
Nota: 5 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Já reparou como todas aquelas bandas surgidas na metade final dos anos noventa, que apostavam no contraste entre um vocal masculino gutural e uma doce voz feminina, estão diferentes hoje em dia? Pode ser influência do sucesso do Nightwish e seus clones, mas o fato é que grupos como o Tristania, que no início da carreira primavam por um som muito mais extremo, hoje soam muito mais confortáveis para os ouvidos, isso para não dizer quase pops.
"Illumination", novo disco da banda, e também o último a contar com a vocalista Vibeke Stene (que logo após o lançamento anunciou a sua saída), segue por esse caminho. Muito bem produzido, muito bem executado, traz onze faixas que não devem agradar muito os antigos fãs do grupo. As composições não lembram em praticamente nada a sonoridade que destacou o Tristania na cena. O vocalista Osten Bergoy usa a sua voz de maneira limpa em quase todas as faixas, enquanto os vocais guturais, a cargo do convidado especial Vorph, aparecem de forma tímida. Vibeke surge quase sempre em linhas vocais doces e previsíveis, e não mais em intervenções que surprendiam o ouvinte. Há mais melodias em "Illumination" do que em qualquer outro disco do Tristania.
A banda acerta quando coloca o holofote principal sobre Osten, como em "Mercyside", que abre o disco de forma magistral, com constantes mudanças de andamento, climas diferentes, uma performance vocal e uma interpretação primorosas de Osten, que passei com absoluta naturalidade pelas várias nuances de sua voz.
Já a faixa seguinte, "Sanguine Sky", puxa o álbum para baixo, com um refrão praticamente pop e com Vibeke soando apenas burocrática. No outro oposto, a cansativa balada "Destination Departure" salva-se apenas pela ótima interpretação de Vibeke, principalmente no refrão.
O Tristania tenta criar canções climáticas, cheias de pretensas "nuances" e passagens atmosféricas, mas não consegue fugir do óbvio. Faixas como "Fate" e "Down" apresentam uma banda sonolenta e sem inspiração, dando voltas ao redor do próprio rabo. "Lotus" é outra que não empolga, e pior, consegue soar como uma cópia xerocada do Evanescence com passagens vocais masculinas.
Quando você pensa que tudo está perdido, o Tristania dos bons tempos dá sinal de vida na ótima "Sacrilege". A sonoridade exuberante ressurge naquela que é a melhor faixa de "Illumination". Alternando passagens mais calmas com outras mais agressivas, soa épica sem soar pretenciosa. "Sacrilege" mostra o Tristania trabalhando e soando como uma banda, e isso faz falta durante todo o disco.
Mas, como tudo que é bom dura pouco, o que vem a seguir, "Ab Initio", é uma balada que se encaixaria melhor no repertório de Celine Dion do que no do grupo que levou o Gothic Metal vários degraus acima. Piegas ao extremo, comum, "mela-cueca" mesmo, de envergonhar até o fã mais xiita.
A longa e progressiva "Deadlands" encerra o álbum de forma satisfatória, com Vibeke em excelente forma, evoluindo sobre um arranjo que vai se desdobrando progressivamente, chegando a um resultado final que a destaca da grande maioria das canções de "Illumination".
Ouvindo o álbum de cabo a rabo, não chega a surpreender a saída de Vibeke. Tanto ela quanto a banda soam sem inspiração em quase todas as faixas. O caminho que o Tristania vai seguir agora, a vida que a banda vai ter pós-Vibeke, ainda é uma incógnita. Eu, pessoalmente, gostaria que o grupo apostasse mais em composições que tragam o vocal de Osten em primeiro plano, mas qualquer tentativa de adivinhação soaria pretenciosa de minha parte.
Agora, é aguardar e ver se o Tristania conseguirá sobreviver no futuro, ou se esse foi o canto do cisne dos caras.
Faixas:
1. Mercyside
2. Sanguine Sky
3. Open Ground
4. The Ravens
5. Destination Departure
6. Down
7. Fate
8. Lotus
9. Sacrilege
10. Ab Initio
11. Deadlands
Outras resenhas de Illumination - Tristania
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Fabio Laguna quebra silêncio e fala sobre não ter sido convidado pelo Angra para reunião
A banda que dá "aula magna" de como se envelhece bem, segundo Regis Tadeu
Jimmy Page celebra 25 anos de show do Iron Maiden no Rock in Rio III
A banda inglesa de rock que Regis Tadeu passou parte da vida pronunciando o nome errado
Os discos do U2 que Max Cavalera considera obras-primas
A música que Bruce Dickinson fez para tornar o Iron Maiden mais radiofônico
Guitarrista da banda solo de Bret Michaels sai em sua defesa
O hit do Angra que Rafael Bittencourt fez para namorada: "Me apaixonei e fiquei triste"
Regis Tadeu explica por que Roger Waters continua um imbecil
Para Mille Petrozza, humanidade vive retrocesso e caminha de volta à "era primitiva"
Filmagem inédita do Pink Floyd em 1977 é publicada online
Paul Stanley e Gene Simmons serão induzidos ao Songwriters Hall of Fame
Guitarrista lembra exato momento que saúde de Cazuza começou a piorar: "Era muito calor"
Com problemas de saúde, Mick Box se afasta das atividades do Uriah Heep
O álbum que, segundo John Petrucci, representa a essência do Dream Theater
O álbum dos 60s que Ian Anderson acha que é melhor que o "Sgt. Peppers", dos Beatles
A banda de rock criticada por muitos que Rubinho Barrichello curte bastante
O dia que Digão assistiu ensaio da Legião Urbana sem saber que era a banda



Alter Bridge, um novo recomeço no novo álbum autointitulado
Com "Brotherhood", o FM escreveu um novo capítulo do AOR
Anguish Project mergulha no abismo do inconsciente com o técnico e visceral "Mischance Control"
Motorjesus pisa fundo no acelerador, engata a quinta e atropela tudo em "Streets Of Fire"
Metallica: em 1998, livrando a cara com um disco de covers
Whitesnake: Em 1989, o sobrenatural álbum com Steve Vai



