Tristania: último de Vibeke Stene soa quase pop
Resenha - Illumination - Tristania
Por Ricardo Seelig
Postado em 25 de novembro de 2007
Nota: 5 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Já reparou como todas aquelas bandas surgidas na metade final dos anos noventa, que apostavam no contraste entre um vocal masculino gutural e uma doce voz feminina, estão diferentes hoje em dia? Pode ser influência do sucesso do Nightwish e seus clones, mas o fato é que grupos como o Tristania, que no início da carreira primavam por um som muito mais extremo, hoje soam muito mais confortáveis para os ouvidos, isso para não dizer quase pops.
"Illumination", novo disco da banda, e também o último a contar com a vocalista Vibeke Stene (que logo após o lançamento anunciou a sua saída), segue por esse caminho. Muito bem produzido, muito bem executado, traz onze faixas que não devem agradar muito os antigos fãs do grupo. As composições não lembram em praticamente nada a sonoridade que destacou o Tristania na cena. O vocalista Osten Bergoy usa a sua voz de maneira limpa em quase todas as faixas, enquanto os vocais guturais, a cargo do convidado especial Vorph, aparecem de forma tímida. Vibeke surge quase sempre em linhas vocais doces e previsíveis, e não mais em intervenções que surprendiam o ouvinte. Há mais melodias em "Illumination" do que em qualquer outro disco do Tristania.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
A banda acerta quando coloca o holofote principal sobre Osten, como em "Mercyside", que abre o disco de forma magistral, com constantes mudanças de andamento, climas diferentes, uma performance vocal e uma interpretação primorosas de Osten, que passei com absoluta naturalidade pelas várias nuances de sua voz.
Já a faixa seguinte, "Sanguine Sky", puxa o álbum para baixo, com um refrão praticamente pop e com Vibeke soando apenas burocrática. No outro oposto, a cansativa balada "Destination Departure" salva-se apenas pela ótima interpretação de Vibeke, principalmente no refrão.
O Tristania tenta criar canções climáticas, cheias de pretensas "nuances" e passagens atmosféricas, mas não consegue fugir do óbvio. Faixas como "Fate" e "Down" apresentam uma banda sonolenta e sem inspiração, dando voltas ao redor do próprio rabo. "Lotus" é outra que não empolga, e pior, consegue soar como uma cópia xerocada do Evanescence com passagens vocais masculinas.
Quando você pensa que tudo está perdido, o Tristania dos bons tempos dá sinal de vida na ótima "Sacrilege". A sonoridade exuberante ressurge naquela que é a melhor faixa de "Illumination". Alternando passagens mais calmas com outras mais agressivas, soa épica sem soar pretenciosa. "Sacrilege" mostra o Tristania trabalhando e soando como uma banda, e isso faz falta durante todo o disco.
Mas, como tudo que é bom dura pouco, o que vem a seguir, "Ab Initio", é uma balada que se encaixaria melhor no repertório de Celine Dion do que no do grupo que levou o Gothic Metal vários degraus acima. Piegas ao extremo, comum, "mela-cueca" mesmo, de envergonhar até o fã mais xiita.
A longa e progressiva "Deadlands" encerra o álbum de forma satisfatória, com Vibeke em excelente forma, evoluindo sobre um arranjo que vai se desdobrando progressivamente, chegando a um resultado final que a destaca da grande maioria das canções de "Illumination".
Ouvindo o álbum de cabo a rabo, não chega a surpreender a saída de Vibeke. Tanto ela quanto a banda soam sem inspiração em quase todas as faixas. O caminho que o Tristania vai seguir agora, a vida que a banda vai ter pós-Vibeke, ainda é uma incógnita. Eu, pessoalmente, gostaria que o grupo apostasse mais em composições que tragam o vocal de Osten em primeiro plano, mas qualquer tentativa de adivinhação soaria pretenciosa de minha parte.
Agora, é aguardar e ver se o Tristania conseguirá sobreviver no futuro, ou se esse foi o canto do cisne dos caras.
Faixas:
1. Mercyside
2. Sanguine Sky
3. Open Ground
4. The Ravens
5. Destination Departure
6. Down
7. Fate
8. Lotus
9. Sacrilege
10. Ab Initio
11. Deadlands
Outras resenhas de Illumination - Tristania
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Masters of Voices reúne quatro gerações do rock e heavy metal na América do Sul e no Brasil
Os cinco maiores álbuns da história do rock progressivo
O melhor riff de guitarra de todos os tempos, segundo Keith Richards: "Ele disse tudo ali"
Live anuncia dois shows no Brasil para o mês de setembro
Malevolent Creation celebra 35 anos de "The Ten Commandments" em São Paulo
A música do Pink Floyd que Roger Waters detestou e David Gilmour transformou num clássico
A melhor banda de todos os tempos, segundo os leitores da Classic Rock
A música de 2000 que Brian Johnson considera uma das melhores do AC/DC: "Me arrepia"
Rock e Heavy Metal - lançamentos de faixas, álbuns e mais novidades
Angra anuncia bandas convidadas para shows em São Paulo
10 músicas de rock nacional dos anos 1980 que ainda estão na memória afetiva do brasileiro
4 bandas nacionais de rock e metal dos anos 1980 que tinham tudo para explodir
Steve Harris aponta a música ideal para apresentar o Iron Maiden a quem nunca ouviu a banda
A música "fabulosa" do Queen que Brian May nunca se cansa de tocar
Geoff Tate não considerou chamar outros ex-Queensryche para "Operation: Mindcrime III"
A importância da revista Playboy na vida de alguns rockstars
Jimmy Page relembra como Robert Plant escreveu a letra de "Stairway to Heaven"
Bruce Dickinson relembra retorno ao Maiden e diz que Steve Harris estava desconfiado



Michael Jackson - "Thriller" é clássico. Mas é mesmo uma obra-prima?
Draconian - "In Somnolent Ruin" reafirma seu espaço de referência na música melancólica
Espera de quinze anos vale cada minuto de "Born To Kill", o novo disco do Social Distortion
"Out of This World" do Europe não é "hair metal". É AOR
O Ápice de uma Era: Battle Beast e a Forja Implacável de "Steelbound"
"Acústico MTV" do Capital Inicial: o álbum que redefiniu uma carreira e ampliou o alcance do rock
Iron Maiden: "The Book Of Souls" é uma obra sem precedentes
