Venom: dos cantos mais profundos do inferno

Resenha - Eine Kleine Nachtmusik - Venom

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Por Ben Ami Scopinho
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


“Ladies and gentlemen... from the very depths of Hell… Venom!”. É com este perspicaz anúncio que se inicia o rolo compressor sonoro que é este registro ao vivo, lançado originalmente em dezembro de 1986 via Neat Records e novamente em 2002, ao ser então remixado pela Castle/Sanctuary. A idéia inicial era batizá-lo como “Alive In´ 85”, mas o Venom optou por algo mais grandioso e subversivo que resultou em “Eine Kleine Nachtmusik”, que com certeza reflete de forma mais definida o perfil que o grupo sempre fez questão de transmitir.
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Depois de ter literalmente cuspido quatro importantes álbuns de estúdio cujas canções apresentavam arranjos tão toscos quanto enérgicos, Cronos (voz e baixo), Mantas (guitarra) e Abaddon (bateria) decidiram que estava na hora de seu primeiro disco ao vivo. O repertório selecionado foi dividido em duas partes: as primeiras 10 faixas foram gravadas em outubro de 1985 no Hammersmith Odeon, em Londres; e a segunda apresenta oito músicas capturadas em duas noites de abril do ano seguinte, no The Ritz de New York.

Assim sendo, foram pinçados os melhores momentos destas apresentações e infelizmente a audição não transcorre de forma contínua como num único e verdadeiro show, pois existe aquela indesejável interrupção entre várias das canções. A participação da platéia é ínfima e podemos considerar a gravação deste disco como sendo boa, apesar do fato de a bateria ter ficado um pouco mais alta do que os outros instrumentos, chegando a tal ponto que em “Witching Hour” e “Black Metal” a coisa se torna realmente irritante.

Mas estes aspectos negativos são compensados com sobras pelas canções – em especial pelas que foram tocadas em solo inglês – um verdadeiro desfile de clássicos como a imortal “Black Metal”, “Seven Gates Of Hell”, “Countess Bathory”, “Die Hard”, “Welcome To Hell”, enfim, tudo o que deu início ao Black Metal está muito bem representado, executado de forma mais veloz que as versões de estúdio e com aquela rispidez que influencia até os dias atuais tantas outras bandas espalhadas pelo globo.

O encarte é recheado de fotografias e fatos históricos (em inglês) que dão uma geral na situação do Venom durante e depois do lançamento deste álbum. Vale citar também que “Eine Kleine Nachtmusik” se caracteriza por marcar a saída do guitarrista Mantas do grupo, que posteriormente se transformou num quarteto e começou a investir em uma linha metálica mais trabalhada, o que dividiu muito as opiniões da crítica e público. Mas estas são outras histórias...

O certo é que este é um bom registro, indispensável para os fãs do conjunto e bastante indicado aos que não conhecem esta primeira fase do Venom, afinal, “Eine Kleine Nachtmusik” nada mais é do que uma coletânea ao vivo de uma banda que deu certo com suas canções cruas, satanismo barato e boas doses de marketing (ou alguém acha que foi diferente?). E o grande mérito deste trio inglês foi que sua música deu início a algo tão forte que gerou bandas realmente incríveis ao longo dos anos, além de esta mesma música também se confundir com ideologias que levam a certas atitudes nada saudáveis.

Venom - Eine Kleine Nachtmusik
(2002 / Castle/Sanctuary – 2007 / Dynamo Records – nacional)

01. Intro / Too Loud For The Crowd
02. Seven Gates Of Hell
03. Leave Me In Hell
04. Nightmare
05. Countess Bathory
06. Die Hard
07. Schitzo
08. Guitar Solo: Mantas
09. In Nomine Satanas
10. Witching Hour
11. Black Metal
12. The Chanting Of The Priests
13. Satanachist
14. Flytrap
15. Warhead
16. Buried Alive / Love Amongst The Dead
17. Bass Solo: Cronos
18. Welcome To Hell / Bloodlust

Homepage: www.venomslegions.com

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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