Nevermore: relançamento do EP "In Memory"

Resenha - In Memory - Nevermore

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Por Maurício Dehò
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Imagine uma banda de ex-integrantes do Sanctuary e que, após um debut bem sucedido e uma turnê em que chegou a acompanhar nomes como Iced Earth e Death e Blind Guardian, tenha a gravadora no pé pedindo mais um lançamento antes do segundo álbum, para manter as coisas “quentes”.
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Ainda bem que os americanos do Nevermore estavam sobrando em criatividade, nada melhor para um grupo que ainda tinha muito para crescer na cena metal, como realmente aconteceu – e já virou história! Tudo para a felicidade da gravadora, que lucrou com o lançamento um tanto quanto caça-níquel.

Com tudo isso em vista, os ex-Sanctuary Warrel Dane (vocal), Jeff Loomis e Jim Sheppard (baixo), além do baterista recrutado por eles, Van Williams, e a boa novidade de uma segunda guitarra, com Pat O’Brien, entraram no estúdio Village Productions, no Texas, em abril, e só saíram com 17 faixas gravadas, em maio. Cinco entraram neste EP “In Memory”, um dos três relançamentos da banda este ano, que chegou ao Brasil em versão ampliada pela Rock Machine, e o restante foi material para o segundo álbum, lançado no mesmo ano, “The Politics of Ecstasy”.

“In Memory” não decepcionou quem naquela época estava na espera e não o fará com os novos fãs, que queiram a nova versão, remasterizada e com um bônus de cinco demos que posteriormente entraram no “The Politics of Ecstasy”. A capa também tem pequenas modificações, nada exagerado. Falando na remasterização, quem deve ter gostado é Warrel Dane, que se diz descontente por ter gravado todas as faixas na mesma ocasião, mas o resultado ter sido muito superior nas que entraram no álbum.

Os sons não mudam muito do que se conhece dos americanos, que seguiam em constante evolução com sua mistura peculiar de Prog e Thrash Metal e de um jeito que até hoje é inconfundível, seja pela voz de Dane, seja pela seção rítmica sempre intrincada e cheia de riffs devastadores.

A abertura em “Optimist or Pessimist” é a faixa mais pesada do EP, com grandes solos e riffs de Loomis, já lembrando que a adição de O’Brien na segunda guitarra só fortaleceria o som do Nevermore, ainda mais ao vivo. A letra é caótica como sempre. Já “Matricide” é uma daquelas baladas-pesadas, coisa que só o Nevermore consegue fazer com tanta desenvoltura, como mais recentemente em “Believe In Nothing”, do “Dead Heart in a Dead World”. Na mesma levada vem “In Memory”, que segundo Warrel Dane teve a letra inspirada pelas lembranças dos bons tempos do Sanctuary.

O momento mais diferenciado do disco é o medley para “Silent Hedges” e “Double Dare”, covers do Bauhaus, banda inglesa de Gothic Rock dos anos 80. As músicas foram mexidas e ficaram mais com a cara do Nevermore, com um bom resultado e muitas passagens incomuns para a banda, seja no instrumental, com levadas mais no baixo, ou nos vocais mais viajantes e com efeitos. Já em “Sorrowed Man”, feita originalmente para o Sanctuary, o que predomina é a bela interpretação de Dane, que sempre dá um quê a mais para as faixas.

O restante são cinco demos, todas advindas das gravações do “The Politics of Ecstasy”, que ficaram a cargo de Dane nos vocais e Loomis fazendo o restante, até a programação da bateria eletrônica. Ao contrário do EP, que mostra mais o lado “limpo” do Nevermore, o que se vê são os momentos mais agressivos, com destaque para as mais cadenciadas “Passenger” e “This Sacrament”. Após mais de 50 minutos, a nova versão de “In Memory” acaba com a instrumental “42147”, para a diversão de Loomis e companhia.

Tudo bem que este tipo de relançamentos tenha o mesmo intuito original do EP, arrecadar uma grana, mas de todo modo, “In Memory” satisfará os fãs da banda e ainda mais os colecionadores, sempre ávidos por bônus ou qualquer outra diferença nos lançamentos. Bom mesmo é ouvir os primórdios do Nevermore, conferir que os caras já nasceram com um som que prometia muito e que, com o decorrer do tempo, foi cumprindo as expectativas e com certeza as superando. E tem mais! É só esperar o próximo passo do quinteto.

Formação:
Warrel Dane – vocal
Jeff Loomis – guitarra
Pat O’Brien – guitarra
Jim Sheppard – baixo
Van Williams – bateria

Track List:
1. Optimist or Pessimist – 3:38
2. Matricide – 5:21
3. In Memory – 7:05
4. Silent Hedges/Double Dare (cover do Bauhaus) – 4:41
5. The Sorrowed Man – 5:24
6. The Tiananmen Man (Demo) - 5:44
7. The Seven Tongues of God (Demo) - 5:43
8. Passenger (Demo) - 5:11
9. This Sacrament (Demo) - 5:53
10. 42147 (Instrumental Demo) - 4:36

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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