Kind Diamond: metal tradicional porém moderno

Resenha - Give Me Your Soul... Please - King Diamond

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Por Marcelo Ferraresso
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Justamente quando começo a reclamar (pra não dizer choramingar) que King Diamond deveria ressuscitar o Mercyful Fate, vem o mesmo e solta um petardo como esse no mercado. Sejamos sinceros e coloquemos o pé no chão: a King Diamond Band proporciona mais para o cara. Tem mais divulgação, faz mais shows e obviamente rende mais financeiramente. Se você me perguntar se eu gostaria de ver um álbum do Mercyful Fate nas prateleiras, eu gritarei "SIM" na sua orelha, mas se compararmos o último lançamento deste ("9") com "Give Me Your Soul... Please", eu ficarei com o último.

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Primeiramente, quero deixar uma coisa clara logo no início. A produção do álbum é algo que podemos chamar de IMPECÁVEL. Não que isso seja uma surpresa, pois seus trabalhos sempre tiveram a característica de serem absurdamente cristalinos. "Abigail" com duas décadas de idade, já tinha assustado muita gente na época, mas o que vemos aqui é o que talvez podemos chamar de "a melhor produção de um álbum do King Diamond."

Vale ressaltar também, que o próprio disse recentemente em entrevista, que nada do que ele faz no estúdio pode ser reproduzido 100% no palco. Pudera. Os vocais possuem diversas camadas, e Livia Zita mais uma vez é a voz feminina ao lado do "Rei Diamante". O mais interessante disso, é perceber que tudo é feito com extremo bom gosto; não sobram efeitos nem camadas de voz exageradas no trabalho.

Mais um detalhe importante: se você se animou com o "The Puppet Master" e gostou de toda a carnificina lírica promovida em faixas como "No More Me", pode esquecer. Como o próprio King mencionou também em recente entrevista, o novo álbum está mais para um thriller psicológico; algo mais para "Os Outros" do que para "Madrugada dos Mortos".

Dito isso, cuidado para não achar que se trata de uma história "mole"; ela é forte, perturbadora e possui todo o requinte dos antigos contos do mestre do "horror-metal".

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A capa:

A arte da capa é inspirada em uma pintura chamada "My Mother’s Eyes" ("Os Olhos de Minha Mãe"), e não se trata de uma senhora de olhar cansado e simpático, e sim de uma garotinha com os olhos de sua mãe nas mãos. Coisa meiga. Adicione a mente macabra e criativa de Kim Bendix a isso...

A história:

A "garotinha do vestido ensangüentado" tem uma breve conversa com seu irmão antes de sair do espelho; ela tenta acalmá-lo e ao mesmo tempo explicar que estão mortos. Ambos (supostamente) foram mortos pela mesma pessoa, mas também há a possibilidade do irmão ter cometido suicídio. Pra quem não sabe, o lugar para pessoas que cometem esse pecado é nada mais nada menos que o inferno.

Incerta sobre seu estado/condição, ela sai do espelho com a missão de impedir que o irmão vá para um lugar tão desagradável. Ela só precisa de uma alma...

"The Dead" abre o álbum com um "tic-tac" sombrio e vozes assombrosas, onde King atua como o irmão da "garota do vestido ensangüentado" ("The Girl In The Bloody Dress") que é interpretada magistralmente por Lívia Zita. A faixa introduz elementos básicos da história, que irão se desenvolver e explicar passo a passo o porquê de tudo.

O álbum segue com a matadora "Never Ending Hill", que já começa com uma avalanche de solos de Andy LaRoque/Mike Wead e um refrão pegajoso. Essa é a melhor faixa de abertura desde a pesadíssima "Black Hill Sanitarium" do álbum "The Graveyard".

"Is Anybody Here?" é a faixa onde o personagem-vítima (geralmente o próprio King, e nesse caso não é diferente) percebe a presença da garotinha em sua casa, seguida por "The Black of Night". Vale prestar atenção à verdadeira batalha de solos após o primeiro refrão, além das gargalhadas infernais típicas.

"Mirror Mirror" conta quando King finalmente se encontra com a garota, e "The Cellar" mostra o protagonista confuso e atraído pelo ser que futuramente pedirá sua alma.

A pesadona "Pictures in Red" relata o personagem de King começando a entender melhor o que acontece a sua volta e principalmente o motivo pelo qual a garota ensangüentada perambula pelos escuros corredores de sua casa... A partir daí "o bicho realmente pega".

Os maiores destaques ficam para a "Give Me Your Soul", que mostra toda a capacidade desse time atual, com um refrão cativante calcado no bumbo duplo de Matt Thompson e Lívia Zita acompanhando Diamond nos vocais. "The Floating Head" destaca bastante a cozinha precisa da banda e "Cold As Ice" relata todo o desespero e agonia que o protagonista passa enquanto o quarto em que está vai ficando cada vez mais frio. Para quem se lembra do álbum "THEM", ELES aparecem nessa faixa também... E sim, são ELES mesmo.

A bela "Moving On" (que conta com dedilhados do violão de Andy LaRoque) fecha o álbum e revela o inesperado e surpreendente final da trama.

Solos, bases pesadas, viradas nervosas de bateria, refrões empolgantes, uma produção que faz o baixo pular na sua cara, e os sempre inspirados falsetes de King Diamond, fazem deste um excelente álbum para os amantes do tradicional (porém moderno) Heavy-Metal.

Quer saber mais sobre a "garota no vestido ensangüentado?"

"Buy this album... Please!"

TRACK-LIST:
1. The Dead
2. Never Ending Hill
3. Is Anybody Here?
4. Black Of Night
5. Mirror Mirror
6. The Cellar
7. Pictures In Red
8. Give Me Your Soul
9. The Floating Head
10. Cold As Ice
11. Shapes of Black
12. The Girl In The Bloody Dress
13. Moving On

FORMAÇÃO:
King Diamond - Vocais
Andy LaRocque - Guitarras
Mike Wead - Guitarras
Hal Patino - Baixo
Matt Thompson – Bateria
Livia Zita - Vocais


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