Blind Faith: ponto alto na carreira de Clapton
Resenha - Blind Faith - Blind Faith
Por Ricardo Seelig
Postado em 11 de julho de 2007
O que falar de uma banda que, antes mesmo de anunciar oficialmente a sua formação, já era idolatrada pelos fãs e pela imprensa, cercada por uma expectativa tão grande que os seus integrantes, fazendo piada de si mesmos, escolheram o nome "Blind Faith" para batizá-la?
Estamos em 1969, vivendo em um mundo que presencia os momentos finais dos Beatles, onde os Stones ainda não são gigantes e o Led Zeppelin dá seus primeiros passos. Neste contexto vivia um garoto inglês que, apesar da pouca idade, já era chamado de deus, e cuja simples presença em qualquer projeto sacudia não apenas a cena musical, mas o próprio mundo. Esse garoto se chamava Eric Clapton.
Depois de fazer parte dos Yardbirds e apresentar a música dos negros americanos para os garotos brancos ingleses, gravar um dos álbuns mais importantes da década ao lado dos Bluesbrakers de John Mayall e levar o rock aos seus limites junto com Jack Bruce e Ginger Baker no Cream, Clapton encontrava-se em uma encruzilhada: ele podia entrar em uma banda, formar o seu próprio grupo ou seguir carreira solo. Todas eram possibilidades.
O Blind Faith surgiu quase que por acaso. Em busca de diversão, Clapton convidou o amigo Steve Winwood, e juntos começaram a levar algumas jams. Ginger Baker ficou sabendo da empreitada, e quis se juntar à dupla. A princípio Clapton foi contra, pois era da opinião que a presença de Baker transformaria o que era para ser uma simples reunião de amigos em algo muito maior, mas foi vencido pela insistência do baterista e de Winwood. Dos ensaios regados a longos improvisos foram surgindo as primeiras idéias para algumas músicas próprias, assim como a necessidade de um baixista para completar o grupo. Rick Grech, do Family, foi convidado e aceitou de imediato. Assim nascia o Blind Faith, o primeiro supergrupo da história do rock.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
A notícia que os quatro estavam compondo juntos logo vazou, gerando uma enorme expectativa na imprensa e nos fãs, que logo profetizaram que Clapton, Winwood, Baker e Grech gravariam um dos melhores álbuns que o rock haveria de ver nascer.
Apesar dos exageros, eles não estavam errados. A crença absoluta, que levou os quatro a batizarem o grupo como Blind Faith, se concretizou com o lançamento do auto-intitulado debut, em julho de 1969. O álbum está cravado sobre dois sólidos alicerces: a belíssima "Can´t Find My Way Home" e a antológica "Presence Of The Lord". A primeira é nada mais nada menos que o melhor registro de Steve Winwood, uma das mais belas vozes que o rock deu ao mundo. Sobre o violão de Clapton, Winwood nos entrega uma belíssima linha vocal, alternando momentos em que usa sua voz de forma natural a falsetes antológicos. O resultado é estupendo, justificando em sua plenitude os pré-conceitos sobre o grupo.
Já "Presence Of The Lord" é a conversa de Clapton com Aquele com o qual era comparado. Cantada de forma magnífica por Winwood, transformou-se em uma das mais emblemáticas canções do guitarrista, tanto pela sua letra belíssima quanto pelo solo inesquecível repleto de wah-wah, onde Clapton parece querer mostrar que, apesar do advento de Hendrix, ainda possuía algumas cartas na manga.
Além de "Can´t Find My Way Home" e "Presence Of The Lord", mais quatro faixas completam o disco de estréia do Blind Faith. "Hard To Cry Today", a faixa de abertura, é um hard como só se fazia no final dos sessenta, e cuja receita se perdeu com o tempo. "Well All Right" coloca groove no som do grupo, com um resultado final que antecipava os caminhos ensolarados que Clapton trilharia em álbuns como "461 Ocean Boulevard". O belo solo de violino executado por Rick Grech em "Sea Of Joy" é outro momento inesquecível, enquanto a longa "Do What You Like" traz solos individuais de cada integrante, com destaque para Ginger Baker.
Além da música, "Blind Faith" trazia mais um atrativo. Sua capa, onde a filha de Baker posava com o peito nu e segurando um avião para lá de fálico, causou grande polêmica na época, gerando inclusive a proibição da venda do disco nos Estados Unidos, o que levou a gravadora a lançar uma versão exclusiva para o mercado americano, com uma foto do grupo no lugar da capa original.
Após o lançamento do álbum, o grupo, cercado por empresários, agendou e realizou uma turnê pelos EUA. A pressão aumentou, os compromissos também, e, ao perceberem, os quatro estavam novamente vivendo aquilo que não queriam viver quando se reuniram para tocar juntos. O que era para ser um prazer se transformou em obrigações sem fim, e isso levou os quatro a decretarem o fim da banda.
Passados quase quarenta anos de seu lançamento, "Blind Faith" ainda é um dos pontos mais altos da carreira de Eric Clapton, Steve Winwood, Ginger Baker e Rick Grech. Um álbum que vale a pena ser (re)descoberto, juntamente com o ao vivo "London Hyde Park 69", que saiu também em vídeo e mostra a apresentação dos caras no lendário parque inglês.
Para quem quiser conhecer, uma boa pedida é a versão estendida lançado há pouco tempo e repleta de faixas extras, traçando o documento definitivo sobre o Blind Faith. Muito mais que recomendável, histórico.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Membros do Iron Maiden não deram depoimentos a documentário de Paul Di'Anno
O lendário guitarrista que Steve Vai considera "um mestre absoluto"
A música que David Gilmour usou para fazer o Pink Floyd levantar voo novamente
As 10 piores músicas do Slipknot, de acordo com a Louder Sound
Os 5 álbuns favoritos de Dave Mustaine de todos os tempos, segundo o próprio
O disco do Kiss que mudou a vida de Marty Friedman (e o fez desistir dos esportes)
O músico que tocava demais e por isso foi cortado de álbum de Roger Waters
Copa do Mundo do Rock: uma banda de cada país classificado, dos EUA ao Uzbequistão
Dick Parry, saxofonista que fez história com o Pink Floyd, morre aos 83 anos
Você sabe tudo sobre Iron Maiden? Responda esse desafio de 30 perguntas e descubra
A foto que prova que Iron Maiden quase tocou "Infinite Dreams" em 2012, segundo fã page
Como era o baixista Cliff Burton, de acordo com as palavras de Scott Ian
Como era o sistema de compor do Rush com Neil Peart e Alex Lifeson, segundo Geddy Lee
Bittencourt e Andreoli falam sobre a história do Angra no Rock Paulista em série da TV Globo
Pearl Jam já tem novo baterista, revela Dave Krusen
5 discos dos anos 1990 que todo fã de heavy metal deveria ouvir ao menos uma vez
Dream Theater e o disco que Felipe Andreoli nem conseguiu ouvir
O melhor vocalista que surgiu nas últimas décadas, segundo Jimmy Page

Michael Jackson - "Thriller" é clássico. Mas é mesmo uma obra-prima?
Draconian - "In Somnolent Ruin" reafirma seu espaço de referência na música melancólica
Espera de quinze anos vale cada minuto de "Born To Kill", o novo disco do Social Distortion
"Out of This World" do Europe não é "hair metal". É AOR
"Operation Mindcrime III" - Geoff Tate revela a mente por trás do caos
O Ápice de uma Era: Battle Beast e a Forja Implacável de "Steelbound"
"Acústico MTV" do Capital Inicial: o álbum que redefiniu uma carreira e ampliou o alcance do rock
Iron Maiden: "The Book Of Souls" é uma obra sem precedentes
