Johnny Cash: ótimas canções e covers destruidores
Resenha - American IV, The Man Comes Around - Johnny Cash
Por Álvaro
Postado em 20 de maio de 2007
Johnny Cash foi a personificação do rock'n'roll. Rebelde, inovador, alucinado e apaixonado. Iniciou sua carreira em 1954, pela Sun Records, a mesma que lançou ao mundo nomes como Elvis Presley, Carl Perkins e Jerry Lee Lewis. Atravessou quase cinco décadas praticando seu country rock único, tendo como pano de fundo muita encrenca com polícia, família, mulheres e drogas, muitas drogas. Chegou a ser detido em 1965 no Texas, tentando embarcar com anfetaminas escondidas em seu violão. O exagerado consumo de álcool e drogas ilícitas moldaram em Johnny Cash uma personalidada irritada e difícil, personalidade essa que só foi "amolecida" graças a June Carter, popular cantora americana com quem compartilhou uma bonita história de amor, retratada com perfeição no belo filme "Johnny & June", lançado aqui no Brasil em 2006.

Cash conheceu o céu e o inferno que a fama é capaz de propiciar e, apesar da vida particular conturbada, sua carreira e a boa receptividade do público manteve-se constante. Vale ressaltar o impacto que "Johnny Cash At Folsom Prison", álbum ao vivo lançado em 1968, causou. Um disco gravado dentro de um dos presídios mais "barra-pesada" dos EUA, ovacionado pelo público, com quem se sentia extremamente à vontade. Cash sempre nutriu uma especial simpatia pelos detentos e, mesmo que nunca houvesse sido preso, escrevia letras profundas a respeito da vida atrás das grades. O álbum ao vivo foi gravado após o cantor receber inúmeras cartas com pedidos dos próprios presidiários. Johnny Cash era isso: carismático, sempre trajando roupas negras, um semblante mau-encarado e uma voz sepulcral inconfundível. O tipo de personalidade que incomodava a sociedade americana conservadora, satisfeita com seu "american way of life".
Na década de 1990, após um relativo ostracismo artístico, Cash conheceu o produtor Rick Rubin, mais famoso por produzir bandas como Slayer e Rage Against The Machine. A parceria resultou então em quatro lançamentos pelo "selo" American Records, compostos por composições próprias de Cash e alguns covers inesperados, de bandas como Danzig, U2, Sting, Depeche Mode e SoundGarden. A intenção de Rubin era apresentar Johnny Cash às novas gerações. E deu certo. A enorme popularidade da década de 50/60 não voltou, mas a série American Records foi aclamada pelo público e pela crítica, que celebrou o retorno do eterno "homem de preto".
A música de Cash é crua e direta. Trata-se de um cantor que consegue transmitir, com apenas sua voz e um violão, um estonteante sentimentalismo, característica herdada de sua raíz country. "American IV" é um punhado de ótimas canções e covers destruidores. "Hurt", do Nine Inch Nails, por exemplo, ganhou uma roupagem acústica maravilhosa que, aliada à voz grave e sepulcral de Cash, deixa a versão original para trás. "Personal Jesus", do Depeche Mode, seguiu a mesma linha, com um belo acompanhamento de violão e piano. Impossível não se emocionar também com a linda "In My Life", ainda mais triste e profunda com a voz cavernosa de Cash.
Cash morreu em 2003 em decorrência de complicações associadas à diabetes - quatro meses após a morte de Carter, sua inseparável esposa. Influenciou diversas gerações e cantores como Leonard Cohen, Nick Cave, Bono Vox e Eddie Vedder. Para quem ainda não conhece a música de Johnny, sugiro uma audição atenta a esta série "American Records" ou uma sessão de cinema com "Johnny & June"!
Faixas:
1. The Man Comes Around
2. Hurt
3. Give My Love To Rose
4. Bridge Over Troubled Water
5. I Hung My Head
6. First Time Ever I Saw Your Face
7. Personal Jesus
8. In My Life
9. Sam Hall
10. Danny Boy
11. Desperado
12. I'm So Lonesome I Could Cry
13. Tear Stained Letter
14. Streets of Laredo
15. We'll Meet Again
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Iron Maiden anuncia reta final da "Run for Your Lives" e confirma que não fará shows em 2027
Download Festival anuncia novas atrações e divisão de dias para a edição 2026
Mikael Åkerfeldt (Opeth) não conseguiria nem ser amigo de quem gosta de Offspring
João Gordo explica o trabalho do Solidariedade Vegan: "Fazemos o que os cristãos deveriam fazer"
Sepultura lança "The Place", primeira balada da carreira, com presença de vocal limpo
A maior dificuldade de Edu Ardanuy ao tocar Angra e Shaman na homenagem a Andre Matos
Como a banda mais odiada do rock nacional literalmente salvou a MTV Brasil da falência
Os álbuns do Rush que são os prediletos de Regis Tadeu
Loudwire lista 45 nomes que mereciam uma vaga no Rock and Roll Hall of Fame
AC/DC - um show para os fãs que nunca tiveram chance
"Burning Ambition", a música que dá título ao documentário de 50 anos do Iron Maiden
O clássico do Metallica que James Hetfield considera "fraco": "Um enorme sinal de fraqueza"
Rock and Roll Hall of Fame anuncia indicados para edição 2026
"Eu acreditei que ia rolar": o dia que Regis Tadeu comprou Jéssica Falchi no Mastodon
Por que Joe Perry quase perdeu a amizade com Slash, segundo o próprio



O cantor que Bono disse que ninguém conseguiria igualar; "ninguém podia ser como ele"
O cantor de rock que Johnny Cash colocava acima de todo mundo
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal


