Johnny Cash: ótimas canções e covers destruidores

Resenha - American IV, The Man Comes Around - Johnny Cash

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Por Álvaro
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Johnny Cash foi a personificação do rock'n'roll. Rebelde, inovador, alucinado e apaixonado. Iniciou sua carreira em 1954, pela Sun Records, a mesma que lançou ao mundo nomes como Elvis Presley, Carl Perkins e Jerry Lee Lewis. Atravessou quase cinco décadas praticando seu country rock único, tendo como pano de fundo muita encrenca com polícia, família, mulheres e drogas, muitas drogas. Chegou a ser detido em 1965 no Texas, tentando embarcar com anfetaminas escondidas em seu violão. O exagerado consumo de álcool e drogas ilícitas moldaram em Johnny Cash uma personalidada irritada e difícil, personalidade essa que só foi "amolecida" graças a June Carter, popular cantora americana com quem compartilhou uma bonita história de amor, retratada com perfeição no belo filme "Johnny & June", lançado aqui no Brasil em 2006.

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Cash conheceu o céu e o inferno que a fama é capaz de propiciar e, apesar da vida particular conturbada, sua carreira e a boa receptividade do público manteve-se constante. Vale ressaltar o impacto que "Johnny Cash At Folsom Prison", álbum ao vivo lançado em 1968, causou. Um disco gravado dentro de um dos presídios mais "barra-pesada" dos EUA, ovacionado pelo público, com quem se sentia extremamente à vontade. Cash sempre nutriu uma especial simpatia pelos detentos e, mesmo que nunca houvesse sido preso, escrevia letras profundas a respeito da vida atrás das grades. O álbum ao vivo foi gravado após o cantor receber inúmeras cartas com pedidos dos próprios presidiários. Johnny Cash era isso: carismático, sempre trajando roupas negras, um semblante mau-encarado e uma voz sepulcral inconfundível. O tipo de personalidade que incomodava a sociedade americana conservadora, satisfeita com seu "american way of life".

Na década de 1990, após um relativo ostracismo artístico, Cash conheceu o produtor Rick Rubin, mais famoso por produzir bandas como Slayer e Rage Against The Machine. A parceria resultou então em quatro lançamentos pelo "selo" American Records, compostos por composições próprias de Cash e alguns covers inesperados, de bandas como Danzig, U2, Sting, Depeche Mode e SoundGarden. A intenção de Rubin era apresentar Johnny Cash às novas gerações. E deu certo. A enorme popularidade da década de 50/60 não voltou, mas a série American Records foi aclamada pelo público e pela crítica, que celebrou o retorno do eterno "homem de preto".

A música de Cash é crua e direta. Trata-se de um cantor que consegue transmitir, com apenas sua voz e um violão, um estonteante sentimentalismo, característica herdada de sua raíz country. "American IV" é um punhado de ótimas canções e covers destruidores. "Hurt", do Nine Inch Nails, por exemplo, ganhou uma roupagem acústica maravilhosa que, aliada à voz grave e sepulcral de Cash, deixa a versão original para trás. "Personal Jesus", do Depeche Mode, seguiu a mesma linha, com um belo acompanhamento de violão e piano. Impossível não se emocionar também com a linda "In My Life", ainda mais triste e profunda com a voz cavernosa de Cash.

Cash morreu em 2003 em decorrência de complicações associadas à diabetes - quatro meses após a morte de Carter, sua inseparável esposa. Influenciou diversas gerações e cantores como Leonard Cohen, Nick Cave, Bono Vox e Eddie Vedder. Para quem ainda não conhece a música de Johnny, sugiro uma audição atenta a esta série "American Records" ou uma sessão de cinema com "Johnny & June"!

Faixas:
1. The Man Comes Around
2. Hurt
3. Give My Love To Rose
4. Bridge Over Troubled Water
5. I Hung My Head
6. First Time Ever I Saw Your Face
7. Personal Jesus
8. In My Life
9. Sam Hall
10. Danny Boy
11. Desperado
12. I'm So Lonesome I Could Cry
13. Tear Stained Letter
14. Streets of Laredo
15. We'll Meet Again




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