Resenha - Voliminal: Inside the Nine - Slipknot
Por Maurício Dehò
Postado em 30 de dezembro de 2006
Nota: 9 ![]()
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Nos anos 70, aposto que não havia quem não quisesse conhecer sobre aqueles caras pintados do Kiss. Além de conhecer a música, saber quem sobe ao palco para desempenhar seus papéis e como são os bastidores daquele verdadeiro circo de horrores. Quase no século XXI (claro que guardando as devidas diferenças e proporções), pode-se dizer o mesmo de Slipknot. Polêmicas à parte, quem nunca ficou curioso para descobrir um pouco mais daqueles nove loucos mascarados? É a isso que se presta o segundo DVD da banda, "Voliminal: Inside the Nine".
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Com certo sucesso em seu objetivo, este lançamento duplo, que deve chegar (com atraso! está é uma edição importada) em versão nacional em meados de janeiro, consiste num documentário de cerca de 90 minutos. Ele registra a última turnê da banda, do álbum "Volume 3: The Subliminal Verses", que pôs, definitivamente, o grupo americano num patamar mais alto no cenário musical e da música extrema.
O vídeo tem a direção do percursionista Shawn Grahan, mais famoso pela sua máscara de palhaço e não tem semelhanças com o primeiro lançamento, o ao vivo "Disasterpieces". Usando e abusando dos efeitos visuais, ele tenta passar o caos que os nove integrantes do Slipknot vivem, apresentando muitos momentos dentro e, principalmente, fora do palco. Há espaço para uma privada entupida, que insiste, volta e meia, em voltar à tela, fãs dos mais variados tipos, um roadie que só vomita e, claro, os músicos. Como não se conhece o rosto deles, é difícil entender o que acontece em algumas passagens do começo. Aos poucos, começa a tornar-se perceptível quem é quem, pois mesmo aparecendo com o rosto desfocado, a identidade dos rapazes já é entregue.
Apesar da ótima chance de ver estes lados totalmente desconhecidos do Slipknot, outras confusões são deixadas no caminho por Shawn. O tempo não é linear e, assim como o espaço, não tem nenhuma identificação, portanto, nunca se sabe quando/onde se está. Além disso, a ênfase é na imagem e seus zilhões de efeitos e não no som, o que diminui a qualidade e dificulta aos brasileiros, que com certeza precisarão de legendas para entender tudo. Vale lembrar que os americanos são de uma banda realmente muito visual, o que até justifica a escolha do estilo de documentário.
O resultado final é positivo. "Voliminal" não é aquele lançamento para se ver várias vezes até enjoar, mas para os fãs e/ou curiosos é imprescindível dar uma espiada.
O segundo DVD traz até mais atrativos do que o principal. Para começar, todos os cinco clipes do terceiro álbum da banda, com destaque para "Vermillion" e "Before I Forget" com o seu conceito fenomenal. No lugar onde eles realmente mostram a que vem, o palco, há nove faixas ao vivo (cerca de 40 minutos no total), com os maiores clássicos: "Sic", "People = Sh*t", "Eyeless", entre outras mais recentes. Elas foram retiradas de festivais e programas da TV (e quem diria, eles lotam estádio até no Japão!). A qualidade das gravações é, em geral, alta e mostra bem o quanto a banda funciona frente aos fãs, com destaque para o vocalista Corey Taylor e o guitarrista Mick Thompson.
Por último, e exatamente o mais interessante, são as entrevistas com todos os integrantes, separadas em blocos de uns sete minutos por músico. Isso resulta em cerca de uma hora de bate-papo. E não é só isso, toda a entrevista acontece sem as máscaras! Isso mesmo, chega de procurar na internet os seus reais rostos. Quebrando 10 anos de mistério, a maioria dos 9 se mostra em público (exceção, claro, de Corey e do guitarrista James Roth, ambos já conhecidos por causa do Stone Sour). O único que escapa das inúmeras câmeras, já que a tentativa de apresentar um visual bem diferente prossegue neste momento, é Craig Jones (aquele dos espetos, no canto esquerdo do palco com os samplers). Ele sempre declarou que gostaria de manter a privacidade e parece seguir a filosofia bem a sério.
Mais que desmascará-los e surpreender qualquer um (não vou contar para não estragar), as entrevistas, até mais que o documentário, mostram o que é o Slipknot e que eles não são apenas nove caras que querem tirar uma onda do mundo.
Resta saber qual o futuro. De férias prolongadas, eles planejam um novo álbum só para 2008. Mas qual será a sonoridade, será que a evolução continuará? E as máscaras, seguem na ativa?
O próprio Kiss teve lá suas dificuldades ao decidir não pintar mais o rosto e penou muito nas últimas décadas. Dá para entender, afinal, um grupo de mascarados pulando no palco não seria o mesmo que apenas um grupo pulando neste mesmo palco. Faltaria aquela mágica que alavancou o Slipknot, seja no fanatismo ou nas ínumeras críticas que receberam. Agora é esperar para ver. Enquanto isso, fãs e curiosos tem motivo para correr às lojas!
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