Resenha - It's All Up Now: Anthology - Fruupp
Por Rodrigo Werneck
Postado em 20 de junho de 2006
Nota: 10 ![]()
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Banda irlandesa de rock progressivo muito cultuada pelas hostes progressivas, o Fruupp teve vida curta mas extremamente prolífica, tendo lançado 4 discos entre 1973 e 1975. A Sanctuary nos presenteia agora com esta antologia dupla que contém praticamente todas as músicas de seus 4 LPs originais, mais algumas raridades.

O Fruupp surgiu em 1971, na Irlanda, e sua formação sempre incluiu o vocalista e baixista Peter Farrelly, o guitarrista Vincent McCusker e o baterista Martin Foye. Stephen Houston (teclados e oboé), participou dos três primeiros discos, sendo no entanto substituído por John Mason no quarto e derradeiro trabalho. O inusitado nome surgiu simplesmente de uma folha de decalques ("Letraset") onde um baixista que faria parte do grupo (Ian "The Beast" Best) viu escrito "FRUUP" e gostou do nome, sugerindo o mesmo para a banda, que optou por adicionar um "P" a mais de forma a deixá-lo mais "balanceado". Ou seja, não tem significado algum! Outra estória espalhada na época dizia que Fruupp era o apelido que eles haviam dado a um fantasma de uma moça que alegadamente assombrava o estúdio onde ensaiavam, e teriam depois repassado o nome ao conjunto, mas isso é apenas uma lenda...
Uma das coisas que chamam a atenção no som dessa banda é a sua originalidade. Embora fizessem rock progressivo de alta qualidade, com toques de folk, jazz e hard rock, seu estilo não soava como cópia de nenhum dos grupos pilares do gênero. Entre o lançamento do primeiro disco, "Future Legends", em outubro de 1973, e o do quarto disco, "Modern Masquerades", em fevereiro de 1975, passaram-se apenas 15 meses, o que dá uma impressionante média de apenas 5 meses entre cada disco(!!!). Fora gravações, ainda encontravam tempo para tocar (e muito) ao vivo, o que mostra quão intensos foram esses meses. O segundo disco, "Seven Secrets", foi lançado em abril de 1974, enquanto que o terceiro, "The Prince of Heaven's Eyes", foi lançado em novembro do mesmo ano.
Esta coletânea ora lançada inclui em ordem cronológica músicas dos 4 LPs originais. Cada CD cobre dois discos, e por pouco não coube tudo o que a banda criou. Cada CD possui quase 80 minutos de duração, e ficaram de fora apenas as seguintes músicas: "Olde Tyme Future" (do disco "Future Legends"), "Faced With Shekinah" (do disco "Seven Secrets"), "Jaunting Car" e "Seaward Sunset" (do disco "The Prince of Heaven's Eyes"), e "Mystery Might" (do disco "Modern Masquerades"). O resto todo está aqui, assim como duas faixas que não fizeram parte dos lançamentos originais. "On A Clear Day" faria parte do primeiro disco, "Future Legends", mas foi retirada por questões de direitos autorais, já que a melodia era por demais "chupada" de uma composição de Gustav Holst. Na verdade, ele chegou a fazer parte da primeira prensagem (de apenas 100 cópias!). Já "Prince Of Heaven" fez parte de um single lançado logo antes do disco "The Prince of Heaven's Eyes", não tendo sido incluída nele.
Em termos de estilo, ele foi variando conforme o tempo foi passando. O primeiro disco ("Future Legends"), é uma mescla de progressivo com hard rock, sendo portanto o mais pesado de todos. Logo após a faixa de abertura, homônima, levada nos violinos, já nos é apresentada "Decision", um arrasa-quarteirões recheado de sentimento, o que fica claro pelo descomunal berro de Peter Farrelly lá pelo seu meio, seguido pelo pungente solo de guitarra de Vincet McCusker.
Já o segundo disco ("Seven Secrets") nos apresenta um som mais introspectivo, menos direto, por assim dizer, mais claramente definindo o grupo como de rock progressivo, e demonstrando que as influências do folk irlandês estavam lá. A faixa "The Seventh Secret", que por sinal fecha este primeiro CD, é por demais perturbadora, com uma intrigante narração em conjunto à música.
O terceiro disco do Fruupp, "The Prince of Heaven's Eyes", é por muitos considerado seu ápice. Uma banda madura, sabendo de onde vinha e para onde queria ir. Belíssimas composições, com destaque para "Crystal Brook", uma pequena obra-prima de rara sensibilidade. O teclado assumia a liderança nos arranjos da banda, deixando a guitarra, antes mais incisiva, agora em segundo plano, compondo harmonicamente a estrutura do conjunto.
O tecladista Stephen Houston, porém, assumiu convicções religiosas que o levaram a deixar a banda e a se juntar ao grupo Liberation Suite, entrando em seu lugar John Mason. Sem perder tempo, gravaram seu quarto (e que viria a ser o seu último) disco, "Modern Masquerades", com produção de Ian McDonald, ex-tecladista e flautista do King Crimson. Entre os destaques, a música "Gormenghast", baseada no clássico livro homônimo de Mervyn Peake.
Apesar de haver planos para um novo álbum e uma turnê pelos EUA em 1977, no final de 1976 a banda simplesmente se separou, para nunca mais retornar. Isso porque, apesar de seus shows terem sempre um bom público, seus discos nunca venderam bem, um pecado (na realidade, devem ter vendido muito mais depois que a banda alcançou o status de "must" progressivo). Realmente uma pena, pois o nível de seus quatro discos é altíssimo, tanto de composição quanto de performance, e o mesmo era dito de seus shows (muitos dos quais, abrindo para o Genesis). De qualquer forma, parar quando se está no topo (ao menos criativamente falando) é uma vantagem, pois a banda acabou não tendo discos fracos em sua história.
Altamente recomendado, discografia básica!
Tracklist:
CD 1
1. Future Legends
2. Decision
3. As Day Breaks With Dawn
4. Graveyard Epistle
5. On A Clear Day
6. Lord Of The Incubus
7. Song For A Thought
8. Future Legends
9. Wise As Wisdom
10. White Eyes
11. Garden Lady
12. Three Spires
13. Elizabeth
14. The Seventh Secret
CD 2
1. Prince Of Heaven
2. It's All Up Now
3. Prince Of Darkness
4. Annie Austere
5. Knowing You
6. Crystal Brook
7. The Perfect Wish
8. Misty Morning Way
9. Masquerading With Dawn
10. Gormenghast
11. Why
12. Janet Planet
13. Sheba's Song
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