Resenha - Another Perfect Day (2-Disc Deluxe Expanded Edition) - Motorhead

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Por Rodrigo Werneck
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Com a saída do guitarrista original, Fast Eddie Clarke, Lemmy e Philthy Animal Taylor viram-se obrigados a rapidamente encontrar um substituto à altura, para “não deixar a bola cair”. A escolha recaiu sobre um nome conhecido do cenário britânico, embora muitos a tenham estranhado pela diferença de estilos: era o escocês Brian Robertson, um dos guitarristas do Thin Lizzy.
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Fast Eddie Clarke saiu da banda para formar com o baixista Pete Way, então egresso do UFO, o novo grupo Fastway. Em paralelo, nascia um novo Motorhead, mais melódico e, por que não dizer, mais comercial. Ou pelo menos mais aceito por fãs de música de fora do seu gueto tradicional. Isso se mostrou uma idéia ousada e brilhante tanto do ponto de vista musical quanto mercadológico, como os anos seguintes mostrariam.

Musicalmente o que ocorreu foi de fato uma transformação grande, mas que evitou por outro lado que o grupo entrasse pelo caminho da mesmice, que era o que se desenhava à sua frente. Robertson acrescentou grandes doses de melodia e harmonia ao grupo, que passou a soar como uma versão mais sofisticada de si mesmo. O peso e a energia visceral ainda estão lá, porém agora com uma riqueza nunca antes vista. Este é certamente um disco polêmico, que dividiu os que preferiam a maior crueza dos trabalhos anteriores, e os que gostaram das mudanças (que foi o meu caso).

Logo aos primeiros acordes de “Back At The Funny Farm”, mesmo um desavisado notaria que algo de esquisito havia ocorrido. Em paralelo ao tradicional baixo destorcido tocado com palheta, de Lemmy, estava uma guitarra mais preocupada em preencher espaços do que em brigar por eles. Brian Robertson não somente acrescentou um toque de classe ao grupo, como adequou o seu estilo de forma convincente ao Motorhead. A segunda faixa, a ótima “Shine”, virou single e videoclipe que passou bastante nos primeiros programas do gênero a pintarem por aqui (antes mesmo da chegada da MTV ao Brasil). É possível notar-se mudanças também no estilo de tocar bateria de Clarke, que passou a utilizar-se de sutilezas, digamos assim, antes desnecessárias. Ventos refrescantes de uma nova era, e algo que persistiria e de certa forma até se desenvolveria nos próximos álbuns.

É interessante perceber como novos estilos de composição abriram-se ao grupo, como fica claro em músicas como “One Track Mind” e a faixa-título (esta no início poderia ser até confundida com uma música do Whitesnake ou similar!), que contavam ainda com inspirados solos de guitarra. Para quem acha que Lemmy poderia estar meio deslocado nesse novo cenário, isso não foi de forma alguma verdade, e na realidade representou exatamente o que ele estava buscando naquele momento, ou seja, aproveitar a saída de um membro-chave para fazer as necessárias alterações de rumo, e progredir.

Dignas de destaque são também as músicas “Dancing On Your Grave”, que Lemmy costumava dedicar em shows aos críticos de revistas que picharam o disco por achá-lo descaracterizado em relação ao estilo anterior da banda; “Rock It” e “I Got Mine”, ambas com criativas partes de guitarra e melodias cativantes, trafegando por mares nunca antes navegados pela banda.

O CD bônus é mais uma vez um capítulo à parte. Trata-se simplesmente de um show completo ocorrido no dia 10 de junho de 1983 no Manchester Apollo, na Inglaterra. São 18 músicas, espalhadas por 77 minutos! O som não é perfeito, mas é bom o suficiente e de qualquer maneira capta todo o esplendor das apresentações do Motorhead ao vivo naquele ano. Interessante notar como Robertson conseguiu dar o seu toque pessoal mesmo nas músicas mais antigas, adicionando “bends” e outros requintes em determinadas passagens, sem se esquecer do peso. Ótima a versão do grupo para “(I’m Your) Hoochie Coochie Man”, que virou um bluesão superpesado nesta interpretação.

Mais uma vez a Sanctuary incluiu uma capa externa (“cardboard slipcase”), e extenso livreto com fotos da época, e texto de Malcolm Dome. Por fim, um comentário sobre a capa do disco: na minha modesta opinião, a mais bacana de toda a carreira do Motorhead (embora a versão do LP fosse certamente mais impactante), angustiante e bela em doses iguais.

Uma pena que esta formação tenha gerado apenas este disco. Mesmo assim, ele se transformou em mais um álbum indispensável a qualquer discoteca de peso (no caso, literalmente).

Tracklist:

CD 1 (original album)

1. Back At The Funny Farm
2. Shine
3. Dancing On Your Grave
4. Rock It
5. One Track Mind
6. Another Perfect Day
7. Marching Off To War
8. I Got Mine
9 Tales Of Glory
10. Die You Bastard!
11. Turn You Round Again (single b-side)

CD 2 (bonus tracks)
Live at Manchester Apollo, 10th June 1983:

1. Back At The Funny Farm
2. Tales Of Glory
3. Heart Of Stone
4. Shoot You In The Back
5. Marching Off To War
6. Iron Horse
7. Another Perfect Day
8. (I’m Your) Hoochie Coochie Man
9. (Don't Need) Religion
10. One Track Mind
11. Go To Hell
12. America
13. Shine
14. Dancing On Your Grave
15. Rock It
16. I Got Mine
17. Bite The Bullet
18. The Chase Is Better Than The Catch

Website da banda: http://www.imotorhead.com/

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Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D’Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

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