Resenha - Hell On Earth Part IV - Manowar
Por Maurício Gomes Angelo
Postado em 27 de dezembro de 2005
Nota: 9 ![]()
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"Manowar, Manowar, living in the road..." Certamente o fato do Manowar adorar viver na estrada, e principalmente a esbórnia advinda disso, atrapalha muito sua produção em estúdio. Tanto que, se considerarmos os longos hiatos pelos quais a banda passa, os fãs já perderam uns cinco álbuns inéditos...
Se eles não gostam muito de ficar em estúdio, fazer DVD’s eles certamente amam. Independente de "Hell On Earth Pt IV" ser necessário ou não, ele é, fácil, o que teve melhor produção e maior cuidado com relação a todos os outros. A embalagem é luxuosíssima e impressiona: os três discos são dispostos de maneira original e interessante, num conceito visual muito bem feito e totalmente Manowar. Se o produto é absolutamente magnífico, o DVD também não fica muito atrás, faltando pouco para levar um 10.
A primeira parte é encantadora. A banda optou por fazer um documentário, alternando depoimentos, momentos em turnê, programas de tv e curiosidades com músicas completas executadas em diversos shows, formato já adotado antes. É uma opção inteligente, pois não cansa e se torna muito atrativa, ao contrário de um show ao vivo num único lugar. Das músicas, o material é quase todo novo, ou seja, de 1996 pra cá. Delas, se destacam "Brothers Of Metal", música mais legal de "Louder Than Hell" e muito pouco executada ao vivo; "An American Trilogy", emocionante cover de Elvis Presley apresentada num grande programa alemão de TV com direito a orquestra e coral; "Call To Arms" e "House Of Death", as mais pesadas e velozes de "Warriors Of The World"; E um surpreendente set acústico (mostrado em seqüência), composto de "Swords In The Wind", "Master Of The Wind" e "Courage", provando todo o esplendor vocal de Eric Adams, que, no geral, falha muito pouco.
Afora o set ao vivo, somos agraciados com toda a atmosfera de uma turnê do Manowar. E, reconheçamos, é surpreendente ver o quanto eles são famosos (mesmo descontando a óbvia edição e o "oba-oba" gratuito). Shows, sempre em lugares médios ou grandes e sempre lotados, com uma casta imensa de fãs, ainda com várias datas num mesmo país, considerando que as cidades são, naturalmente, muito próximas (não se esqueçam que a turnê se passa na Europa). Eles aproveitam isto muito bem, e retribuem o carinho com notável satisfação. Além de fazerem média com uma rara habilidade. Em cada lugar a interação é forte, e sempre trazem algum mimo para o público, como aprender várias palavras em sua língua e conhecer um pouco da cultura local. Como na Suécia, onde, em meio a um discurso inflamadíssimo, Joey DeMaio bebe cerveja num artefato viking.
O bom humor também chega a ser algo mais do que natural, é como se fosse uma característica definida na banda. Num show, DeMaio aponta para um casal e diz (para a garota, óbvio): "Sinto muito, adoraria te fuder, mas não posso, porque seu namorado é meu irmão no metal". É crível? No mais, eles sempre são cômicos, seja nas entrevistas, nos concertos, na turnê, no dia-a-dia, com os amigos, no contato com os membros da equipe, enfim.
Mulheres. Eleve o fator "mulheres" ao infinito. Bicho, quem é o Motley Crue? Quem é o Kiss? Posers falastrões, perto disso aqui. E com uma vantagem, as mulheres de hoje em dia são muito mais bonitas do que aquelas dos anos 80. Perdi a conta de quantas mulheres declararam seu amor a banda, de quantas vezes eles foram chamados de "sexy", "bonitões", "deuses", de quantas delas apareceram com os seios de fora (e até algumas inteiramente nuas!), de quantas subiram ao palco, estiveram no camarim, beijaram DeMaio, Adams, foram chupadas por eles, enfim, uma verdadeira orgia pública aberta e exposta. Eles realmente vivem como no passado, resgatando a aura inconseqüente das décadas de 60, 70 e 80.
Os extras mais interessantes são o solo de guitarra de Karl Logan, estilo Massacration, e o de Joey, sempre performático, sempre cheio de suas graças. E temos ainda "Army Of The Immortals", música dificílima de se ver ao vivo, e que é um hino para os fãs.
A filmagem e a edição são de altíssimo nível, com inúmeros anglos e vistas, tratando muito bem luzes, cores, som e tudo que é necessário para um DVD. Entretanto, o segundo disco é muito irregular, começando com a indispensável seção "temos os melhores equipamentos e engenheiros de áudio do mundo", uma suspeita apresentação da banda – com depoimentos açucarados de amigos e admiradores, inclusive André Matos – um pouco mais de loucuras e uma visita ao "guru espiritual" de Joey DeMaio. A partir daí as coisas descambam para a pornografia, numa seção bizarra de exposição de temas do tipo, principalmente por parte das pessoas que os cercam, já que os integrantes da banda, embora porra loucas de marca maior, provam serem, mesmo, simpáticos e inteligentes. Pule isto, e se ainda tiver estômago, confira a parte dos programas de tv, isto sim relevante.
Por fim, temos um áudio cd com a nova música, "King Of Kings", que é tudo que o Manowar sempre foi (e que nunca vai mudar) turbinado e aperfeiçoado. Ela é boa, e dá uma prévia do (aleluia!) novo álbum, mas é também um desperdício. Por que não colocar infinitas outras curiosidades, faixas bônus, sobras e o escambau no restante do cd?
De resto, vale ressaltar o respeito com o seu público, já que temos legendas em 12 línguas diferentes, inclusive português brasileiro (não de Portugal!), um milagre. Não é o DVD definitivo do Manowar, e nem foi feito para tal, mas "Hell On Earth Pt. IV" é um produto de primeira, que faz valer a sua aquisição e prova toda a grandiosidade dos auto-intitulados "Kings Of Metal".
Site Oficial: www.manowar.com
Hellion Records – 2005.
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