Resenha - Virus - Hypocrisy

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Por Clóvis Eduardo
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Nota: 10


Até que The Arrival foi um bom CD lançado pelo Hypocrisy, mas com a chegada de "Virus", o trabalho antecessor torna-se um mero coadjuvante da discografia do grupo sueco.

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Esse Peter Tägtgren aprontou uma boa para a gente. No projeto paralelo Pain, como fã de death metal, devo dizer que foi um trabalho lastimável. E para reparar o erro que acredito ter acontecido, em "Virus" volta àquela sonoridade bestial mais antiga, relembrando "Abducted" (de 1996) e "The Final Chapter" (1997). Mais distorção nas guitarras, mais pratos e chimbau soando a cada segundo, além do vozeirão rasgado e nada polido do líder da banda. Peter, que leva uma das guitarras, nos mostra que tem muito que mostrar no gênero insano e digno de grandes pauladas.

Saber a gente já sabia que a chegada de um cara pouco habilidoso chamado Horg (ex-Immortal) para a bateria, seria excelente. Da ironia podemos nos utilizar com certeza, já que o cara soca e chuta tudo o que pode em limitadíssimos espaços de tempo. O disco não é feito só de pancadaria a toda a velocidade, mas logo após a introdução, "Asg", a música "Warpath" te dá uma noção exata de como está insano - em todos os quesitos - este novo trabalho.

Andreas Holma, na guitarra e Mikael Hedlund no baixo ainda dão o tom certo para as composições. Ao todo são 11 faixas de material cadenciado e death metal, por vezes melódico. Melódico o cacete, já que "Carving For Another Killing" vai te fazer pensar como é possível gritar e bater cabeça ao mesmo tempo. "Let The Knife Do The Talking" é menos espantosa, mas o queixo cai pelo trabalho nos bumbos e a lembrança de que um dia o Hypocrisy já foi mestre em fazer músicas arrastadas e fenomenais.

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Para quem conhece os clássicos antigos, "A Thousand Lies", vai fazer sair lágrimas dos olhos, ainda mais com belos solos de guitarra de Holma. Efeitos nos vocais nunca foram negados pelo líder da banda, e sonoramente, nem há o que reclamar deste aditivo tão característico.

A mixagem não está limpa como em The Arrival, tanto na timbragem das guitarras como nos estouros provenientes do kit da bateria, como a exemplo de "Blooddrenched", na melhor forma de tocar death metal com potência e loucura. Foi uma pena mesmo que o Immortal tenha se acabado, mas Horg está desempenhando o melhor papel possível para que a clássica banda norueguesa não caia no esquecimento. No Hypocrisy ele caiu muito bem, e até nos faz esquecer que Lars Szöke, outro grande baterista, permaneceu durante anos no grupo.

Em poucas palavras, com "Virus" o Hypocrisy volta à antiga forma, com músicos tão excelentes quanto as 11 composições gravadas.

Nuclear Blast




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Sobre Clóvis Eduardo

Clóvis Eduardo Cuco é catarinense, jornalista e metaleiro.

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