Resenha - Real Illusions: Reflections - Steve Vai

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Por Gustavo Barrancos (Harry)
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Nota: 9


Gostaria de iniciar esse review com uma frase que já foi dita muitas vezes: Steve Vai é o tipico cara que voce ama ou odeia. Alguns o consideram como um dos melhores guitarristas da atualidade, outros o consideram um megalomaníaco auto-indulgente. Não entrarei nesse mérito aqui, pois é uma questão pessoal.

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É inegável o fato do Vai possuir uma visão artistica muito particular, que sempre o conduz à inspiração musical através de uma mistura homogênea de infinitos elementos internos e externos. Isso talvez seja uma justificativa plausível para tanta criatividade. Criatividade e experimentalismo que não são facilmente digeridos pela maioria do público por razões óbvias.

Real Illusions: Reflections não é uma audição simples. As músicas e os climas variam bruscamente, deixando o ouvinte inicialmente confuso. Mas esse sentimento passa assim que se absorve a alma do álbum. O Processo de "digestão" leva um bom tempo.

É possivel perceber no meio dessa louca mistura, caracteristicas inerentes a outras obras como o peso e a massa sonora do Fire Garden, os vocais hipnóticos de Sex and Religion e o forte contraste agressivo/sutil de Alien Love Secrets, para citar alguns.

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Definido por Vai como uma "fábula roqueira", Real Illusions: Reflections é a primeira parte de uma trilogia de albuns conceituais que relatam sobre uma cidade que recebeu um indivíduo chamado Pamposh, enviado por Deus para difundir sua religião e criar a igreja "Under it All". Essa história parece seguir um fluxo de consciêcia mas há traços de linearidade também. O Desenrolar da trama ocorre em múltiplas camadas narrativas, como uma novela. Vai nunca teve esse tipo de abordagem "progressiva-conceitual" em seus álbuns anteriores.

Músicas :

1) Building the Church - Abre o disco arrombando a porta literalmente! Uma introdução dobrada de guitarra/guitarra synth/teclado que enche o prato de apreciadores de prog metal com muito peso e as clássicas melodias psicodélicas-harmonizadas que são marca registrada de Vai.

2) Dying for your Love - Vai transfere o trem "melódico-psicodélico" da guitarra para sua própria voz. A bateria eletrônica e os teclados fazem a cama para Vai soltar sua voz suave em melodias exóticas, com um clima intimista e um tanto dark.

3) Glorious - Uma faixa que remete ao Vai dos tempos de Passion and Warfare principalmente na melodia e ritmo da bateria. Excelente!

4) K'm-Pee-Du-Wee - A segunda faixa intimista do disco, porém com maior foco nas guitarras. É interessante o fato do título ser a onomatopéia da melodia principal.

5) Firewall - Um funk-metal-psicodélico com percussão bucal, um belo naipe de metais e loucuras zappeiras. Muito divertida!

6) Freak Show Excess - Uma das melhores do disco!!! Loucura pura, ritmos/melodias com influencias búlgaras e totalmente tortas!!! Quebradeira total de guitarra baixo e bateria. Fãs das pirações instrumentais como "Dance of Eternity" irão adorar essa música. A banda inteira dá um show a parte.

7) Lotus Feet - Ah.. The 7th Song!!! Mal da para se recuperar da musica anterior e aparece essa maravilhosa balada com feeling de arrepiar os cabelos! É o ápice emocional do disco como toda boa sétima faixa composta por Vai. Foi Gravada ao vivo com a Orquestra Metropolitana de Amsterdam, cuja performance impecável deu um tempero muito particular à essa música.

8) Yai Yai - É a faixa freak-divertida do CD no melhor estilo Ballerina 12/24.

9) Midway Creatures - Outra faixa pesadona embebida em um clima bastante tenso e obscuro.

10) I'm Your Secrets - Contraste total! Abandonando a tensao da faixa anterior, voltamos mais uma vez ao clima intimista e suave. Desta vez, somente com percurssão, violão, sitar e um trabalho vocal maravilhoso. Alias, vale citar que a interpretação e técnica vocal do Vai melhorou absurdamente nesse último disco.

11) Under it All - Outra faixa que merece muito destaque, pois finaliza dessa primeira parte do Real Illusions. Na minha interpretação, essa faixa possui um pouco de cada uma das outras musicas do álbum. Com Jeremy Colson arrebentando tudo na bateria. Nela vemos um Vai armado até os dentes com sua guitarra de 7 cordas, com uma abordagem bem incomum onde ele faz o impossível : Fazer acordes dissonantes soarem nítidos sobre uma parede de distorção.

Procure prestar bastante atenção nas letras e falas, que além de serem um dos pontos chaves da história, nos conduz a uma boa reflexão sobre a natureza dos seres humanos.

Destaque para a performance matadora do baterista Jeremy Colson e para o trabalho vocal de Vai, cuja melhora é notável.


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