Resenha - A Bigger Bang - Rolling Stones

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Marcos A. M. Cruz
Enviar correções  |  Ver Acessos


Pode-se não gostar deles, mas os Rolling Stones representam a quintessência do Rock'n'Roll, é impossível dissociar a trajetória da banda da própria história do gênero, já que se trata de mais de quatro décadas de sexo, drogas & rock'n'roll, entremeadas de shows e álbuns históricos, situações trágicas e feitos heróicos, reflexo de vidas vividas intensamente com todos seus prazeres e tentações.

Terry O'Neill: Morre, fotógrafo que trabalhou com Beatles, Stones e outros gigantesMusas do Metal Nacional: combo de talento e sensualidade

Claro que isto não significa que vez por outra eles não tenham cometido alguns deslizes, nenhum deles tão imenso a ponto de prejudicar o conjunto de sua obra, vastíssima e impossível de ser condensada em poucas palavras.

Porém, não é o que ocorre aqui neste disco, primeiro de inéditas desde o "Bridges To Babylon" de 1997, cujo título supostamente reflete a fascinação de Jagger, Richards, Watts & Cia com a famosa teoria sobre a origem do universo, mas que com certeza foi escolhido por aludir a um jogo de palavras que lhes auto-representa ("A Bigger Band").

É uma bobagem imensa, entretanto, se referir a este trabalho como sendo tão bom quanto o "Tattoo You" e principalmente o "Exile On Main St.", duas obras luminares que são eternas mas estão circunscritas à época em que foram criadas. E já que o lance aqui é o chavão, pode-se dizer que o tempo é como um rio que segue seu curso, nunca mais a mesma água passará pelo mesmo local.

De fato o CD faz jus à discografia da banda, podendo ser considerado um trabalho sólido e adequado ao que se espera deles, abrindo com uma seqüência de quatro faixas muito boas: a energética "Rough Justice", seguida pela também vibrante "Let Me Down Slow", com um toque ligeiramente Pop/Country, passando pela roqueira "It Won't Take Long" e a funkeada "Rain Fall Down".

Daí é a vez de "Streets Of Love", baladona pop feita com o claro propósito de tocar nas rádios ou ser usada como trilha sonora de algum filme romântico; depois "Back Of My Hand", bluesão acústico que remete diretamente ao "Beggar's Banquet", e desemboca na suingada "She Saw Me Coming".

As outras duas músicas seguintes, "Biggest Mistake" e "This Place Is Empty" são, em sua essência, baladas roqueiras, mas totalmente diferentes entre si, já que a segunda têm novamente um certo toque "country" e conta com o vocal enrouquecido de Keith.

"Oh No, Not You Again" retoma o rockão característico dos Stones, que não deixa a peteca cair com "Dangerous Beauty", mas desacelera em "Laugh, I Nearly Died", outra baladona onde Mick canta como nunca, e que prepara o terreno para "Sweet Neo Con", a tal canção "polêmica", que traz em sua letra o trecho "Você se diz cristão / eu te acho um hipócrita / você se diz patriota / acho que você está cheio de merda", um ataque direto à administração Bush, embora a banda negue.

As três últimas, "Look What The Cat Dragged In", "Driving Too Fast" e "Infamy" não decepcionam mas também não acrescentam nada ao álbum, já que são basicamente uma repetição de idéias das anteriores, sendo as duas primeiras mais "roqueiras" e a última um pouco mais suingada, com Keith novamente no vocal.

A produção obviamente é de primeira, não faria sentido se fosse diferente. E os arranjos estão impecáveis, com cada detalhe de cada nota/acorde guitarra/ slide/ bateria/ gaita de Mick, Keith, Charlie, Ron e até do baixista Darryl Jones perfeitamente audíveis e bem mixados, como é de se esperar de um disco de uma banda do porte dos Stones.

Na realidade, se pensado com frieza, o álbum não vai trazer nada de novo para o universo roqueiro, sequer para a própria banda, cuja importância histórica não seria diferente caso este CD não tivesse sido lançado. Mas, bolas, não é sempre que podemos dispor de um trabalho inédito da Maior Banda de Rock'N'Roll Do Mundo, que com certeza não deve produzir muita coisa daqui em diante - de repente este até pode ser seu canto de cisne, quem sabe?

Faixas:
1. Rough Justice
2. Let Me Down Slow
3. It Won't Take Long
4. Rain Fall Down
5. Streets Of Love
6. Back Of My Hand
7. She Saw Me Coming
8. Biggest Mistake
9. This Place Is Empty
10. Oh No, Not You Again
11. Dangerous Beauty
12. Laugh, I Nearly Died
13. Sweet Neo Con
14. Look What The Cat Dragged In
15. Driving Too Fast
16. Infamy

Total Time: 69:40

Website oficial: http://rollingstones.com/.


Outras resenhas de A Bigger Bang - Rolling Stones

Resenha - A Bigger Bang - Rolling Stones




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDsTodas as matérias sobre "Rolling Stones"


Terry O'Neill: Morre, fotógrafo que trabalhou com Beatles, Stones e outros gigantesTerry O'Neill
Morre, fotógrafo que trabalhou com Beatles, Stones e outros gigantes

Guns, Red Hot, Stones, Green Day e George Clinton: Um encontro histórico em 2012Lucy Boynton: depois de Mary Austin, ela fará Marianne Faithfull no cinema

Keith Richards: em vídeo, as transformações em sua aparência de 1962 a 2019Keith Richards
Em vídeo, as transformações em sua aparência de 1962 a 2019

Keith Richards: ele quase fez participação hilária no filme Zumbilândia 2Keith Richards
Ele quase fez participação hilária no filme Zumbilândia 2

God Save The Queen: 5 vezes em que rockstars britânicos peitaram a monarquia

Rolling Stones: 5 vezes em que a banda se posicionou politicamente em suas músicasRolling Stones
5 vezes em que a banda se posicionou politicamente em suas músicas

New York Times: os 100 melhores covers de todos os temposNew York Times
Os 100 melhores covers de todos os tempos

Mick Jagger: viciado, deu em cima até da terapeuta sexualMick Jagger
Viciado, deu em cima até da terapeuta sexual


Musas do Metal Nacional: combo de talento e sensualidadeMusas do Metal Nacional
Combo de talento e sensualidade

Gorgoroth: As orientações sexuais e políticas de GaahlGorgoroth
As orientações sexuais e políticas de Gaahl


Sobre Marcos A. M. Cruz

Editor do Whiplash.Net.

Mais matérias de Marcos A. M. Cruz no Whiplash.Net.

adGoo336