Resenha - Keeper of the Seven Keys; The Legacy - Helloween
Por Clóvis Eduardo
Postado em 13 de outubro de 2005
Nota: 9 ![]()
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Esperar 17 anos por um novo Keeper of the Seven Keys do Helloween é sem dúvida um bom tempo. Até entendo que Michael Weikath (guitarra) e Andi Deris (vocal), quiseram dar mais audiência para este lançamento afirmando que ele seria uma continuação dos dois mais lembrados discos da banda da abóbora. Todavia, os tempos são outros, e o Helloween, nem querendo, voltará ao áureo tempo dos anos 80.
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Se Michael Kiske e Kai Hansen ainda estivessem na banda, certamente o CD mereceria este título. Assim como se a formação da época (1987, lançamento do primeiro, e 1988 do segundo) outros Keepers já teriam sido lançados, talvez nem tão bons assim. Vamos creditar o novo álbum dos alemães como apenas um novo disco, o sucessor de Rabbit Don´t Come Easy, que girou bastante no meu aparelho de som. Mas não tanto quanto qualquer um dos Keepers.
De pegada, o lançamento é duplo, a imagem da capa é futurista e a primeira música tem singelos 13 minutos. Michael e Andi, aliados do baixista Marcus Groskopff, do guitarrista Sascha Gerstner e do estreante baterista Dani Loble (ex-Rawhead Rexx) estão, certamente, com muito gás para criar. As canções "The King For 1000 Years", abertura do primeiro CD, e a penúltima do segundo, "Occasion Avenue" são as mais extensas. Esta última começa com trechos de canções antigas em uma mistura sonora que chama atenção. E o restante da música é soberba, com presença de corais engrandecendo ainda mais a obra que é bem forte.
O estilo musical do Helloween não mudou frente aos últimos trabalhos. Afinal Michael, que manda solos e riffs sempre sensacionais, continua o líder e criador do grupo ao lado de Andi Deris. Falando no vozeirão, sempre fiel àquela rouquidão tão conhecida, o vocalista se sobressai em tons altos, baixos, médios e onde quer que seja. Mesmo alguns fãs criando antipatia pelo garoto adepto a mudanças na coloração de cabelo, os vocais do Helloween estão bem representados (mas é impossível não relacionar Michael Kiske como um ícone do metal mundial).
Prevalecem músicas pesadas, cadenciadas e firmes. Algumas se avultam por terem direcionamentos mais nervosos como "Silent Rain" e "Born On Judgement Day" do primeiro CD. Já as mais trabalhadas, como "Do You Know What You're Fighting For" e "Get It Up", dão a entender o por que da intenção em viver do passado novamente. A adaptação de Dani na batera está clara, ainda mais com a presença em algumas músicas de um pedal duplo galopante. Já Marcus é sempre o mesmo nas quatro cordas, sem deixar de ser um baixista muito respeitado. E Sascha cresceu em desenvoltura. Só falta ao ex-integrante do Freedom Call saber que as fotos promocionais não são para books fotográficos.
"Mr. God" e "My Life For One More Day" faziam parte do single lançado há pouco tempo, como aperitivo do CD. Pelas duas canções já tínhamos a certeza que milagres são difíceis de acontecer, mas que o Helloween continuava bom, e mantendo o nível de sua nova fase. Ainda que o Masterplan (lá vamos nós tocar nesse assunto de novo) lançou um cd primoroso, Andi e companhia podem se orgulhar do que conseguiram, mesmo não surtindo o efeito como sendo a terceira parte de uma das melhores e mais reverenciadas seqüências musicais já lançadas na história do metal.
O CD ainda vai dar muito que falar, até pela propriedade que o Helloween tem de ser uma das maiores bandas da atualidade. Não digo que o resultado final foi inesperado, mas a expectativa criada para o disco, foi imensa. Assim como a satisfação em ouvi-lo.
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