AC/DC: Rock puro tocado por uma banda insana no auge da juventude
Resenha - 74 Jailbreak - AC/DC
Por Ricardo Seelig
Postado em 03 de julho de 2005
Nota: 10 ![]()
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Lançado originalmente em 1984 comemorando a primeira década de vida do AC/DC, "'74 Jailbreak" pode ser considerado um dos grandes momentos da banda dos irmãos Young.
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Com apenas cinco faixas, que anteriormente haviam sido lançadas somente nas versões australianas dos clássicos álbuns "Dirty Deeds Done Dirt Cheap" e "High Voltage", este EP também foi o responsável pela conquista de muitos fãs no Brasil, já que havia acabado de ser lançado quando a banda tocou pela primeira vez por aqui, em janeiro de 85, no Rock In Rio.
Como o próprio título entrega, as gravações rolaram no início da década de 70 e registram o grupo com toda a fúria e inocência do início de carreira, onde se destacam um ensandecido Bon Scott e um endiabrado Angus Young.
O EP abre com a clássica "Jailbreak", uma das faixas mais conhecidas da banda, que contém um riff inspiradíssimo de Angus. Com seu andamento cadenciado, vai crescendo linearmente até se revelar um rock and roll que parece nascido em um palco de bar, com a banda passando o som enquanto enche a cara de cerveja.
Em seguida entra "You Ain't Got A Hold On Me", mantendo o mesmo astral sem compromisso do álbum, mas sem deixar a peteca cair. Mais uma vez mostrando o grupo afiadíssimo, conta com uma interpretação primorosa de Bon Scott nos vocais e um solo memorável de Angus, inesquecível desde a primeira audição.
Voltando mais uma vez às suas raízes rock and roll a banda entrega "Show Business", transparecendo diversão em uma das canções mais divertidas da sua carreira, que une a fúria que sempre marcou o seu som a um daqueles rocks clássicos e inocentes que parecem vir direto dos anos cinqüenta.
O lado 2 do vinil abria com a fantástica "Soul Stripper", talvez a melhor faixa do álbum. A música começa na boa e vai crescendo, com Malcom e Angus Young fazendo as suas guitarras se interligarem de uma maneira soberba, enquanto baixo e bateria fazem a base de forma brilhante. Bon Scott mais uma vez mostra porque até hoje é considerado o melhor vocalista que a banda já teve, novamente com uma interpretação inspiradíssima. E Angus, o grande Angus, faz um longo e maravilhoso solo, um dos mais belos que os meus mais de vinte anos de paixão pelo rock já tiveram o prazer de ouvir.
Fechando "'74 Jailbreak" temos "Baby Please Don't Go", em que o AC/DC desconstrói um dos grande hinos da época de ouro do rock and roll ensandecidamente, com Angus justificando os chifres com que posou para a capa de "Highway To Hell".
Além de tudo, este álbum tem um valor sentimental para mim muito grande, pois foi o primeiro disco que comprei na vida, quando tinha meros 12 anos de idade, logo após o show do grupo no Rock In Rio de 1985.
Se você nunca ouviu, o que eu acho muito difícil, ouça já. "'74 Jailbreak" é rock puro tocado por uma banda ensandecida no auge da sua juventude, transbordando hormônios e feromônios por todas as faixas. Indispensável.
Faixas:
1. Jailbreak
2. You Ain't Got A Hold On Me
3. Show Business
4. Soul Stripper
5. Baby, Please Don't Go
Ouvindo:
Bruce Dickinson, Abduction.
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