Resenha - Dark Secret - Rhapsody
Por Carlos Eduardo Corrales
Postado em 20 de março de 2005
Matéria escrita para o site
DELFOS - Jornalismo Parcial
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Para uma resenha de um single, esse texto vai ser bem grande, sobretudo se você não está lendo essa resenha no DELFOS (www.delfos.art.br) e, portanto, está menos acostumado com nossos detalhadíssimos textos. Leitores avisados, vamos lá. Vamos começar com os fatores extra-musicais. Primeiro de tudo, devo ressaltar que é muito legal o fato de estarmos tendo edições tupiniquins completas, incluindo DVDs, CDs bônus e coisas do tipo. Já aconteceu com Aina e agora volta a acontecer com o Rhapsody. Como já falei na resenha do Aina (que você leu aqui), é ótimo ter a possibilidade de ter essas versões completas lançadas em nosso país, mas existem dois problemas. Primeiro que, ao contrário do que acontece na Europa, as gravadoras nacionais não nos dão a possibilidade de escolher. Ou compramos a versão com o DVD (pagando mais por isso), ou não compramos. E o segundo é exatamente o preço. Poxa, se o DVD é BÔNUS, não deveria fazer um SINGLE custar o equivalente a dois álbuns completos, certo? E não é todo mundo que pode pagar 40 reais (preço cobrado pelo single na Galeria do Rock, em São Paulo) por um single. Para você ter uma idéia, é possível encomendar esse single com o DVD pela Internet por mais ou menos 50 reais (correio incluído). Praticamente o mesmo preço que uma pessoa do interior pagaria para uma loja da Galeria enviar o CD para sua cidade. E depois o pessoal vem reclamar da pirataria no Brasil? Ora, ganância nem sempre anda junto com os lucros, meus amigos.

Outro problema é a embalagem em digipack. Isso não seria exatamente um problema, já que digipack é mais bonito do que uma caixinha normal e tal, mas aí tem dois inconvenientes. Primeiro, o CD é mais grosso do que o que cabe nos porta-CDs tradicionais, ou seja, encontre outro lugar para guardá-lo. Isso pode não parecer um grave problema para quem tem poucos CDs, mas quando você começa a juntar uma coleção de algumas centenas de discos, acredite, é difícil arranjar lugar para guardá-los. Principalmente quando é impossível guardá-los no porta-CD, junto com os outros. O segundo problema é que ele não vem lacrado com plástico. Vem apenas com um adesivo que impede o digipack de se abrir sozinho. Agora pense comigo: digipack é papel. O que acontece quando você tira um adesivo que está colado em papel? Matou a charada? Mesmo tirando com todo o cuidado, é praticamente impossível não danificar a embalagem. Às vezes eu tenho a impressão de que as empresas que desenvolvem os produtos não os consomem, pois um erro destes é imperdoável.
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Reclamações extra-musicais feitas, vamos ao conteúdo musical. Como ainda não coloquei minhas mãos no álbum completo, vou analisar as músicas que estão no single, sem entrar no mérito de compará-las com as versões do álbum.
Como já foi amplamente divulgado pela imprensa, inclusive aqui no DELFOS, o Rhapsody agora conta com o fenomenal Christopher Lee (que ganhou um público mais jovem ao estrelar nas duas franquias mais adoradas dos nerds: Star Wars e Senhor dos Anéis). Desnecessário dizer que o velhinho bota o narrador antigo no chinelo e, sem dúvida, deve ter sido uma grande honra para a banda italiana tê-lo no disco. Pena que decidiram usar a imagem do cara para a capa do disco, gerando, na minha opinião, a primeira capa feia do Rhapsody.
Pelo pouco que dá para se descobrir no disco, me parece que a nova saga da banda tem como personagem principal um dos grandes vilões da história anterior, Dargor (cujo nome serviu para batizar uma das melhores músicas da banda, presente no ótimo Dawn Of Victory), que salvou o herói a custo de sua própria vida. Será que essa nova fase vai ser uma preqüência e terá como finalidade mostrar como Dargor foi seduzido pelo "lado negro da força"? É, parece que as semelhanças entre Star Wars e Rhapsody não vão parar no senhor Lee.
Após a narração introdutória, vem a empolgante Unholy Warcry, que já começa pomposa, com a orquestra e o coral detonando. Música muito legal e que empolga bastante. A seguir, temos Thunder’s Mighty Roar, única música exclusiva do single. Sua guitarra lá pelos 40 segundos de música, lembra muito o estilo do compositor clássico Vivaldi em composições como Verão (leia a resenha do álbum Metamorphosis, de Uli Jon Roth aqui), por exemplo. Na segunda música já podemos perceber que os refrões do Rhapsody, ao menos neste single, não estão mais tão agradáveis como nas clássicas Dargor e Emerald Sword. O vocal de Fabio Lione nesta música também soa bem agressivo, quase Thrash, como já havíamos tido a possibilidade de conferir na música When Demons Awake do álbum anterior e como provavelmente seria o projeto Rhapsody In Black caso tivesse vingado.
Depois da música mais pesada vem a baladinha fofa, intitulada Guardians Of Destiny, que comparece nesse single na versão cantada em inglês (a do disco é em italiano). Normalmente não vou muito com a cara das baladas do Rhapsody, mas tenho que admitir que essa realmente me agradou bastante, pois tem um clima bem "bardo", mais ou menos como as baladas do Blind Guardian (essas sim, me agradam).
Sacred Power Of Raging Winds vem a seguir e é a grandona do single, com mais de dez minutos. Também muito boa, tem no seu solo o melhor momento. O único senão é que justamente essa parte mais legal lembra um pouco demais o início da parte 3 da Fantasmic, música do Nightwish presente no seu terceiro álbum, Wishmaster. Plágio ou coincidência? Você que sabe, meu amigo.
Para terminar, vem a "quase instrumental" Non Ho Sonno, que, curiosamente, não foi nem composta, nem tocada pelo Rhapsody, créditos dados à banda italiana Goblin, que o Rhapsody já tinha homenageado em Queen of the Dark Horizons, do EP Rain of a Thousand Flames. A música é bem legal, e tem um quê de Therion (leia a resenha do show dos caras em São Paulo aqui e dos álbuns Lemuria e Sirius B aqui), mas sinceramente não entendo porque colocar uma música composta e tocada por outra banda no seu CD. Veja bem, não é uma cover, é o próprio Goblin tocando. O mais estranho é que a dupla de líderes do Rhapsody não deixa nem os outros membros da banda darem palpite nas composições, por que convidariam, então, outras pessoas para compor? Seria falta de criatividade? Hum... isso somado ao possível plágio de Nightwish e ao nome do álbum completo (a saber, Symphony of Enchanted Land Part II) é bem sintomático, não é?
Analisando exclusivamente pela música contida neste single, discordo (como sempre) do que a grande mídia vem dizendo: que o Rhapsody com o novo álbum volta ao seu estilo mais orquestrado. Pelo contrário, a impressão que me dá é que eles estão mais pesados e menos pomposos e melódicos do que outrora. Claro que isso pode mudar quando tiver o disco em minhas mãos, mas enquanto isso, essa é minha opinião.
CD comentado, é hora de falarmos do DVD. Vamos por partes, a primeira atração do disco é o Making Of do Dark Secret que, na verdade, é um monte de gente falando como é legal ter o Christopher Lee no disco. Uma das coisas mais interessantes desse vídeo é a possibilidade de vermos Joey DeMaio (baixista e dono do Manowar, aqui no papel de Produtor Executivo da banda) falando sem usar as palavras "brother" e "Metal" nenhuma vez. Eu imaginei que o discurso dele fosse ser algo do tipo: "Se os fãs querem Christopher Lee no álbum do Rhapsody, os fãs têm o Christopher Lee no álbum do Rhapsody" ou alguma coisa assim, mas não. Ele parece até uma pessoa normal falando. Inclusive parece até se sentir honrado em trabalhar com o Saruman em pessoa. Outra curiosidade é ver Luca Turilli e Alex Staropoli falando em inglês com um sotaque italiano tão forte que chega a ser engraçado. No geral, é um documentário até divertido, mas nada de especial. Agora se esse DVD é a versão nacional, alguém pode me explicar por que não fizeram uma tradução das legendas para português? Para mim nem faz tanta falta, mas com certeza tem muita gente que não sabe inglês que também pode querer assistir ao documentário.
Em seguida, temos o filme da saga da Espada Esmeralda. Puxa, quando eu vi isso na caixinha, achei que seria super legal, mas é pura enganação. Dos seus seis minutos de duração, os 3 ou 4 primeiros são dedicados aos créditos iniciais e a filmagens de uma floresta (tudo com a qualidade mais amadora possível). Depois vemos um carinha mexendo a boca junto com a narração do álbum (sem sincronia labial nenhuma) e por fim algumas cenas que não fazem sentido nenhum. Para terminar com mais um minuto de créditos finais. Como você pode ver fazendo as contas, o filme mesmo tem por volta de um minuto e é horrível. Sinceramente, eu teria feito algo melhor. A qualidade dos clipes do Rhapsody são muito melhores do que a desse filme. É até estranho que a banda teve a cara de pau de colocar isso no DVD.
A seguir temos o clipe de Unholy Warcry, que é bem legal. Tem apenas dois problemas (de novo dois? Que coincidência). O principal é que a qualidade do som está horrível, completamente abafada. Além disso, nas cenas em que Lee aparece, ele parece simplesmente não estar tentando atuar. Parece estar lendo a narração de um teleprompter sem encarnar o personagem de forma alguma. Para ser assim, era melhor nem aparecer no clipe. Afinal, capacidade para atuar o cara tem. E muita. Então só pode ser má vontade.
Para terminar, temos uma mixagem da Unholy Warcry (de novo?) em 5.1 para fazer a alegria dos poucos entre nós que têm um sistema de Home-theater completo em casa. Agora, cá entre nós, já que o DVD não tem nem 20 minutos de material total, poderiam colocar um espelho todo do single com essa mixagem, né? Fazer um verdadeiro DVD-áudio do negócio. Se bem que eu preferia que o material de vídeo presente no DVD estivesse em CD-rom no próprio CD e que o preço fosse diminuído pela metade. Se bem que até 20 reais por um single é bem caro, não acha não?
Segundo o vendedor, o álbum completo estará disponível em sua versão nacional com um outro DVD incluído. Não acho que vai sair por menos do que 50 reais, então se você é fã dos caras, prepare seu bolso. E não esqueça de ver quanto sai a versão importada pela Internet.
(SPV – 2004)
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