Resenha - Feedback - Rush
Por Raphael Crespo
Postado em 14 de setembro de 2004
O Rush é a banda mais paradoxal da história do rock. Ao mesmo tempo em que é simples, por dispor de apenas três membros, faz um som complexo, intrincado, magistral. E a comemoração dos 30 anos de carreira da banda canadense não poderia deixar de ser cercada de paradoxos.
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Numa data tão importante, para uma banda cujos últimos álbuns ao vivo são triplos, nenhum grande grande lançamento comemorativo. O Rush decidiu lembrar suas três décadas na estrada com o simples EP de covers Feedback, com apenas oito faixas.
Mas tudo que é simples o Rush pode complicar. E não há nada de pejorativo nessa afirmação. Para as covers, o trio escolheu músicas que fizeram parte de sua formação, com temas de rock n' roll básico, que, nas mãos dos canadenses, acabam ganhando em sofisticação e complexidade, graças ao virtuosismo de Alex Lifeson (guitarra), Neil Peart (bateria) e Geddy Lee (baixo/vocal).
Feedback abre e fecha com covers de covers. Exatamente isso. Versões de músicas que já foram ''coverizadas''. Na primeira faixa do álbum, o Rush faz um novo arranjo para a regravação do Blue Cheer de Summertime Blues, de Eddie Cochran, com destaque para o incidental riff inicial, que lembra muito Foxy Lady, de Jimi Hendrix. O mesmo acontece na última, com a versão da versão do Cream para Crossroads, do mito Robert Johnson.
Heart full of soul e Shapes of things, duas do Yardbirds, ganham uma roupagem fantástica, com destaque para o vocal de Lee na primeira e a monstruosa bateria de Peart na segunda.
Originalmente gravada pelo The Who, The Seeker aparece numa versão bem pesada, em meio a duas mais calmas: For what is worth e Mr. Soul, ambas do Buffalo Springfield. Seven and seven is, do Love, completa a lista de Feedback, com mais um show do melhor baterista do mundo.
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