Resenha - Twilight - Erben der Schöpfung

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Por Bruno Coelho
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Nota: 5


Recentemente, a voz de uma certa "alemãzinha bonitinha" tomou de assalto o gótico mundial e colocou a nossa conhecida Tarja Turunen contra a parede. O nome da tal alemãzinha é Sabine Dünser. Bom, o que estou dizendo aqui nem é minha opinião pessoal, foi só o que li por revistas e websites. Para mim a Sabine não é tão boa quanto Tarja.

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Pois bem, como estava dizendo, todo mundo falando na tal Sabine e de sua nova banda: Elis. Antes de lançar seu primeiro álbum a banda chamava-se Erben der Schöpfung (EdS-fica mais fácil!) e era composta de apenas três músicos: Sabine, Oliver Falk (sintetizadores), Pete Streit (guitarras/baixo). Como dá pra notar o EdS era mais um projeto do que realmente uma banda, afinal como é que o tal do Pete ia tocar guitarra e baixo ao mesmo tempo no palco? E quem tocaria a bateria? A Sabine? Ou será que iam botar baterias sequenciadas no sintetizador? Utilizar samples para dois instrumentos por um show inteiro ia ficar feio, não é? O que eles fizeram? Chamaram mais músicos para se juntar a eles e trocaram esse nome complicadíssimo pro mercado mundial por um bem mais fácil: Elis - que aliás é o nome da primeira faixa deste disco.

Bom... o disco não me agradou. Gosto de góticos vigorosos como o do Sentenced, Nightwish, Within Temptation... O que notamos é mais um techno gothic, electro dark ou qualquer coisa do tipo. Sintetizadores demais, bateria sequenciada e vááááárias passagens totalmente dance/techno. Aí não dá, né? Já não me basta o The Gathering ter ficado como ficou só pra me entristecer (bom, nem tanto) ainda me fazem ficar hiper curioso para escutar a tal da Sabine e ter que agüentar techno nos meus tímpanos metálicos? Pô!

As músicas do álbum do EdS são cantadas em alemão e em inglês, outra coisa que também não me agradou muito já que de alemão não entendo nada! É verdade que a Sabine é uma vocalista fantástica e isso está transparente no álbum (que técnica!) mas as letras, pelo menos para mim, são parte tão essencial de um disco que acabei sendo afetado por 4 delas estarem em alemão.

Os outros instrumentos são competentes! Dá pra notar que tanto Pete, quanto Oliver(principalmente este último, que é de fato talentoso) sabem o que estão fazendo. Observem bem que uso a palavra competente, já que brilhantismo não é bem o ponto forte aqui.

Ressaltei Oliver pelos sintetizadores pois o cara fez um trabalho realmente digno de nota, mas as guitarras não passam do arroz-com-feijão necessário para quadrar um músico como competente. Minimalismo em estado bruto. Solos de guitarra? Nenhum! Como disse antes, nada do vigor de um Sentenced ou de um Nightwish.

A bolachita começa bem com "An den Knaben Elis", descamba prum techno puxado pro gótico em "Sleep and Death"; continua com a até razoável e bem mais dinâmica "By My Side", com uma Sabine vibrante e menos melancólica, apesar da bateria sequenciada mais uma vez ter me deixado enjoado; passa pela mais pesada e melhor do álbum - "Eine Rose für den Abschied" que possui bem menos toques electro/techno que as outras e o álbum segue nesse rumo.

Daí pra frente as coisas só se repetem: melancolia simples nos teclados e nos vocais masculinos de "Niemand kennt den Tod" que cai numa levada bem industrial, porém em mid-tempo (nada que tenha o Killing Joke ou o Ministry como maior referência). "My Star" não foge do esquema da primeira faixa - estrutura simples, tempo de bateria que sobe até o refrão e cai na calmaria de novo... apesar disso notamos o belo trabalho dos sintetizadores (tenho que admitir), além de uma Sabine mais solta e mostrando o que sabe fazer de melhor: soar como uma fada enquanto o instrumental tenta fazer algo que possamos enquadrar como música de bom gosto.

As três últimas faixas: "Ade", "Alone" e mais uma com um títulozinho alemão ordinário - "Doch sie wartet vergebens" prolongam meu sofrimento mais um pouco - a vontade de sacar o álbum do cd player quase me sufoca quando Sabine não canta e a guitarra some! Fica só o sintetizador e a batida tecno... ARGH!

Enfim... a banda não é das piores. Mas é exatamente o tipo de gótico que prefiro não ter que ouvir novamente em minha vida. Estou sendo justo com a qualidade da Sabine e do tecladista Oliver, mas essa guitarra minimalista e semi-ausente quase que me mata!

Fãs de Theatre of Tragedy podem se engraçar pelo álbum e quem gosta de Atrocity também... aliás, pra quem não estava sabendo, Oliver e Pete fazem parte desta banda... mas para mim isso aquí é um purgante! Não é que seja ruim, só que este tipo de som simplesmente deve ser evitado por quem gosta de guitarras e não é chegado a batidas tecno e sintetizadores que comandam melodias.




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Sobre Bruno Coelho

Bruno Coelho é Arquiteto, escritor, poeta, produtor de eventos, pai, tradutor, intérprete e professor de inglês. Morou em cinco capitais brasileiras e hoje dedica-se ao árduo labor de organizar eventos na capital maranhense de São Luís. Fã do Dream Theater, Tool, Symphony X, Pain of Salvation e Evergrey, encontra espaço pra novas bandas e vertentes sempre.

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