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2022/07/09

Resenha - Sword's Song - Battlelore

Por Bruno Coelho
Em 06/06/04

Nota: 7

A Finlândia não para! Vai parir banda lá na casa do Car(v)alho! Nunca vi! O país é menor que o Maranhão, bicho!

O Battlelore foi fundado em 1999 por J. Vahvanen e M. Kokkola, lançaram uma demo (Warrior's Tale) no mesmo ano e nenhuma gravadora quis os caras. Insistiram e lançaram outra demo (Dark Fantasy) um pouquinho melhor trabalhada que a passada e a Napalm Records disse que podia considerar um contrato se a próxima demo fosse ainda melhor. Os caras voltaram pro estúdio Music Bros., na Finlândia, e lançaram um promo-cd sem título. Finalmente a Napalm achou que dava pra confiar nos caras e eles assinaram contrato para o primeiro álbum que veio a se chamar "...Where Shadows Lie". O álbum, que possui uma capa belíssima, não foi um grande sucesso, o que na minha opinião, é justificável: as músicas não são muito inspiradas, o trabalho do Music Bros. Studios não foi algo que possamos chamar de espetacular e a Napalm não divulgou o álbum tão bem quanto devia, provavelmente preocupada com a promoção do Vintersorg, do Lacrimas Profundere ou de outra mais antigas do selo...

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Com este "Sword's Song," o Battlelore conseguiu uma melhor distribuição através da Napalm e parece que foi muito bem recebido mundo afora. Por aqui, no Brasil, muita gente gostou do estilo da banda, que mescla vocais Death masculinos e limpos femininos, com um instrumental que nada lembra as tradicionais bandas de melódico da Finlândia. Talvez este tenha sido o primeiro tiro certo. Vejam bem, uma capa como essa aí, a temática toda voltada aos livros e personagens do mestre J.R.R.Tolkien... todo mundo esperava um álbum de heavy metal melódico. Mas nos aparece algo totalmente sem rótulo, sem par na cena metálica. O máximo que se pode dizer da banda é que eles possuem essa veia Blind Guardian nas letras (mas não chegam ao chulé da qualidade das letras de Hansi e cia.), o instrumental que lembra o do Therion, com muitos teclados e riffs densos, bem como uma bateria encorpada e compacta como um tijolo de concreto. Pra falar verdade as partes mais Death, que duram uns 10 segundos me remeteram ao Emperor no começo de arreira. Já as vocalizações limpas passam um clima bem gótico e por vezes doom. E agora? Que porra de rótulo que se bota nisso? NENHUM! Rótulo é um saco mesmo!

Ademir Barbosa Silva | Alexandre Faria Abelleira | Andre Sugaroni | André Silva Eleutério | Antonio Fernando Klinke Filho | Bruno Franca Passamani | Caetano Nunes Almeida | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Eduardo Ramos | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cristofer Weber | César Augusto Camazzola | Dalmar Costa V. Soares | Daniel Rodrigo Landmann | Décio Demonti Rosa | Efrem Maranhao Filho | Eric Fernando Rodrigues | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Filipe Matzembacher | Gabriel Fenili | Helênio Prado | Henrique Haag Ribacki | Jesse Silva | José Patrick de Souza | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcelo H G Batista | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Reginaldo Tozatti | Ricardo Cunha | Ricardo Dornas Marins | Sergio Luis Anaga | Sergio Ricardo Correa dos Santos | Tales Dors Ciprandi | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Tom Paes | Vinicius Valter de Lemos | Wendel F. da Silva

Falando do disco em si, digamos que, como um todo, é surpreendente. A musicalidade da banda através do disco é basicamente a mesma. Existem passagens mais cadenciadas em uma ou outra faixa, mas não existem faixas cadenciadas! Passagens bem Death em uma faixa ou outra, mas nenhuma faixa totalmente Death. O disco começa empolgando bastante mas aí começa a se mostrar meio repetitivo e parte da culpa é das linhas vocais que são absurdamente parecidas. Caso tirássemos o instrumental, a matemática das linhas de vocal seria a mesma. E falta de variação enjoa viu meu amigo? Tá certo que os guturais são muito bons e convincentes e os femininos também são muito bem feitos (sem choradeira nem mamãe-quero-ser-Maria-Callas), mas se ficar na mesma nem Cristo vai agüentar!

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Outro problema no disco são as letras. Seguindo um conceito adotado por muitas de Death/Black, os versos raramente rimam - até no refrão. Como disse antes, isso pode nos remeter também ao Blind Guardian, que tem um estilo bem ímpar de compor letras. A diferença é que com linhas vocais muito parecidas, versos que raramente rimam, refrões que dificilmente ficam grudados... a coisa começa a virar um enjôo só!

O que salva, de verdade, é a criatividade e originalidade do instrumental. Destaques existem, sim! São músicas como Sons of Riddermark, que abre o disco, falando dos cavaleiros de Rohan; a bruta The Mark of the Bear, a terceira, falando de Beorn e os beornings; Dragonslyer, a sexta, que lembra a história da morte de Glaurung (tema da capa, com desenho de Ted Nasmith) e Forked Height, a décima, falando de Isengard e Saruman.

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Existe um bônus na versão nacional, chamado The Curse of The KIngs, que é esquecível. Ele até reabre a discussão sobre quando lançar uma faixa como bônus ou que tipo de material utilizar com este propósito... caso a faixa seja fraca como esta última (a pior do disco) e não acrescentar nada, pra que lançar? Só pra dizer que o disco tem bônus? Tenha paciência! Enfim, a banda é, assim como algumas revistas divulgaram, original mesmo! Mas, ou eles incluem meia tonelada de variações de tempo, linhas de melodia mais trabalhadas (principalmente para os vocais) e até mais elementos épicos ou então eles vão afundar feio!

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Ah! Uma variada na temática também seria uma boa, já que pra falar de Tolkien ninguém supera o Blind Guardian. Se for continuar no mesmo rumo vai ter que fazer melhor que:

"From the Anduin vales
Strongmen from the woods
Spirit of the nature
One part of their essence

Hate against the Orcs
Running in their veins
The anger that grows
In the form of the bear"

Sinceramente? Hansi Kursch humilha! Boa sorte no próximo álbum, Battlelore!

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2022/08/18


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Sobre Bruno Coelho

Bruno Coelho é Arquiteto, escritor, poeta, produtor de eventos, pai, tradutor, intérprete e professor de inglês. Morou em cinco capitais brasileiras e hoje dedica-se ao árduo labor de organizar eventos na capital maranhense de São Luís. Fã do Dream Theater, Tool, Symphony X, Pain of Salvation e Evergrey, encontra espaço pra novas bandas e vertentes sempre.

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