Resenha - Possessed 13 - Crown
Por H. Rodrigues
Postado em 31 de maio de 2004
Nota: 10 ![]()
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Nas palavras dos próprios integrantes do The Crown, não há nada mais triste do que acabar uma banda por falta de dinheiro. E infelizmente é a mais pura verdade; uma banda emblemática e honesta não sobrevive sozinha, agarrada apenas ao seu amor pelo metal, abraçada à sua competência e garra. E estas qualidades, o The Crown tinha de sobra.

Desde o surgimento desta banda sueca na cena extrema, em 1995, o The Crown apresentou ao mundo uma invejável disposição para cometer os mais violentos e passionais atentados em nome da música pesada; o jeitão tipicamente sueco de fazer metal extremo estava lá, presente e como característica principal de uma banda criativa, extremamente técnica e que esbanjava agressividade e bom-gosto na composição de absolutamente todos os seus temas.
Após a gravação do ótimo, ainda que diferente "Crowned In Terror", que contava com o folclórico Tomas Lindberg, que saiu logo depois do término das sessões do álbum, houve o retorno de Johan Lindstrand, um dos mais destruidores vocalistas de todo o cenário Death mundial. E é com os vocais de Johan que a banda gravou mais este ato de celebração à música extrema, Possessed 13. Um álbum especial, com certeza, mantendo todas as qualidades sempre constantes ao grupo, mas soando ainda mais agressivo do que os anteriores - talvez um prenúncio do fim, como um último grito de um grupo dos mais importantes do planeta no que fazem.
Uma produção perfeita, digna de mestres da cena brutal, e qualidade técnica invejável são alguns dos muitos atributos no último disco da banda. Faixas como "Bow To None", "Zombified", "Cold Is The Grave", a inspiradíssima "Deliverance" e a impiedosa "Face Of Destruction [Deep Hit Of Death]" mostram ao mundo a razão da banda existir - música extrema, audível, cristalina, mostrando aos 'headbangers' de toda a esfera como fazer um álbum com riffs matadores do início ao fim, embalados por uma cozinha experiente e rápida, e um vocal desesperador - é impossível não imaginar Lindstrand esgoelando-se ao cantar hinos da brutalidade com tamanha ferocidade, tamanha fúria. Em resumo, um álbum que é item obrigatório na coleção de qualquer fanático pela música que retrata, em acordes cheios de energia, a magnitude do caos.
O The Crown encerrou suas atividades devido à falta de dinheiro, e a paixão pelo metal não foi suficiente para que a banda pudesse pagar suas dívidas e manter seus integrantes na ativa. Esperamos, todos, que o futuro reserve sucesso esmagador e supremacia a todos os ex-integrantes deste grupo que provou ao mundo que sim, é possível executar música de ótima qualidade, sem perder agressividade ou tornar-se uma fossa embolada de sons e ruídos extremos. Melodia, técnica, vivacidade, e principalmente, uma voraz paixão pelo que fazia o The Crown, é que manterá a banda na eternidade entre os deuses do metal. Estes nunca esquecem de suas crias mais talentosas e capazes.
Termino o review deste álbum matador ouvindo "Morningstar Rising", outra faixa indiscutivelmente insana do álbum "Possessed 13".
Que as entidades da escuridão guiem seus honrosos representantes pelos caminhos da música extrema.
E, invocando o próprio The Crown, em uma das músicas deste disco, clamo a todas as bandas que carregam com bravura a bandeira do metal extremo: BOW TO NONE.
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