Resenha - Live - Blind Guardian
Por Diego Nieto
Postado em 04 de julho de 2003
Era a hora de um lançamento ao vivo do Blind Guardian. Há muito esperávamos por isso. Surpresas? Nenhuma: o Blind é uma banda matadora ao vivo. Possui um estilo que é deles: um vocalista que tem uma voz inconfundível; guitarras na medida e únicas em composições e timbres; um baterista que difere de todos os outros; cria grooves que não se parecem com as bandas do estilo e fogem do comum.
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Sabe o melhor? Por mais que alguns reclamem das execuções das músicas ao vivo, por não reproduzirem 100% o som e as notas dos discos, e ainda pela voz de Kursch, que não atinge e não reproduz o que faz nos álbuns, acredito que aí reside o que é legal nessa banda: eles não reproduzem notas, mas sim fazem um show, no sentido literal do têrmo. Eles interpretam, e isso varia com os sentimentos de cada músico naquele dia. Por isso algumas bandas são especiais quando sobem no palco. Principalmente quando interpretam, e não reproduzem, como maquininhas, as músicas. Não entendam mal, não estou criticando essas bandas, cada um na sua. Porém, o que se espera do Blind, rotulado de Heavy Metal, é essa reprodução. E nisso o Blind é também original. É uma banda de Rock, com toda a simplicidade que o termo exige, com toda a energia que um show pede. Com todo amor pela música, que faz com que cada show seja único. E não uma seqüência igual de notas...
E quem esteve nos shows do Brasil, pôde perceber isso, tanto em 1998, quanto em 2002. Energia pura. E transparecendo a diversão que os músicos sentiam naquele momento no palco. Isso é Rock´n´Roll! Ainda que os shows do Brasil de 2002 tenham sido um pouco prejudicados pela ausência de Thomen nas baquetas, não perderam a energia esperada.
O impressionante dos shows desses alemães é a capacidade que as músicas tem de fazer uma interação com o público. Ou é o público que interage com elas? É tudo! São os melhores backings que uma banda poderia ter. E durante o show todo... Seria perda de tempo comentar música por música. O repertório fala por si: Nightfall, The Script for my Requiem, Valhala, The Bard´s song, Mirror Mirror, Imaginations from the Otherside, além das músicas do último álbum, complexas em estúdio e que ganharam grandes versões ao vivo. Sem perderem uma vírgula de sua qualidade, seja pela interpretação de Kursch, seja pela falta que uma orquestra faria. Bom, o resto do repertório é bem escolhido. Claro que sempre vai ter aquela música que vamos sentir falta, mas é impossível escolher entre tantas obras primas ao longo da constante e sólida carreira da banda, algo que agrade a todos.
Aposto com quem está me lendo nesse momento - todos os que ouvirão o disco, e principalmente aqueles que presenciaram os shows no Brasil, cantarão com toda emoção The Bard Song, e balançarão a cabeça ao ouvir, por exemplo, Mirror Mirror. Isso é rock. É o que ficou da emoção do show na nossa memória. E não, como muitos fazem ao lembrar de um show: viu como "ele" errou aquele solo? Argh! Ainda bem que o Blind ajudou nossa memória. Podemos lembrar mais do show a partir desse lançamento. Feche os olhos e veja o show.
Em tempo: o título não poderia ser mais apropriado para um show como o deles. Simples. Direto. E no mínimo empolgante: Blind Guardian Live!
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