Resenha - Rage Against The Machine - Rage Against The Machine

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Maurício Gomes Angelo
Enviar correções  |  Comentários  | 

Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


“Um som cru, sem sintetizadores, teclados ou samples. Inspirado no punk rock pesado dos anos 70 e donos de um estilo próprio de hardcore, o Rage Against The Machine mostra sua revolta em músicas incendiárias, com letras baseadas em uma visão política de extrema esquerda, aliadas a atitudes de protesto e discordância do sistema”. Talvez essa seja a melhor definição do som e do estilo do RATM.
180 acessosRob Scallon: todas as músicas do RATM em três minutos5000 acessosIron Maiden: ouça o baixo de Steve Harris isoladamente

O CD homônimo lançado em 1992 mostra muito bem o que foi descrito acima. A capa do álbum é a fotografia vencedora do prêmio Pulitzer de 1963, onde um monge ateia fogo no próprio corpo em forma de protesto a um movimento anti-busdista ocorrido no sul do Vietnã.

Zack De La Rocha (vocais), Tom Morello (guitarra), Brad Wilk (bateria) e Tim Commerford (baixo) são os nomes das feras. Um quarteto explosivo com certeza. Zack é um animal com o microfone nas mãos, Tom Morello detona tudo na guitarra, Brad Wilk deve ter quebrado muitas baterias ao longo do tempo e Tim Commerford é um excelente baixista. As cavalgadas e o impacto criados por ele são impressionantes. O baixo se destaca muito no som do Rage Against The Machine.

O CD começa arrebentando, com um trio de músicas perfeito. Bombtrack, Killing in The Name e Take The Power Back vêm recheadas com poderosas linhas de baixo, o vocal revoltado de Zack, o peso da guitarra e letras com críticas ácidas ao sistema e ao governo dos Estados Unidos. “Ao invés de ficar obsoleto eu esquento minhas mãos nas chamas da bandeira. Queime, queime, sim, vá e comece a incendiar”. Este é um trecho de Bombtrack que ilustra bem o que estou dizendo. "Fuckins" também são bastante comuns.

TODAS as letras seguem a mesma linha como Settle for Nothing, que começa com: “o ódio foi passado (de geração em geração), um mundo de ira e violência, isto é o que eu posso reconhecer, sem nunca ter visto a cor dos olhos de meu pai”. Settle for Nothing também mostra umas passagens mais melancólicas e sentimentais. Toda essa revolta também tem influências paternas já que o pai de Morello lutou na guerrilha de libertação do Quênia pela dominação colonial inglesa e sua mãe é a fundadora de uma organização anti censura. Todos têm um histórico parecido. Essas letras provocadoras e incendiárias não são por acaso.

Às vezes a quebradeira pára, deixando Morello mostrar um pouco de sua técnica e composições bem arranjadas, arriscando uns solos de vez em quando, como em Take The Power Back.
O CD continua com Bullet in Your Head que segue a (insana) cartilha das anteriores.

“Eu sou um irmão com uma mente furiosa. Nós não precisamos de chaves, nós arrombaremos... lute e guerreie, fodam-se as normas, eu não tenho mais paciência” são trechos de Know Your Enemy (Conhecendo o Inimigo). Mostra todo o ódio, a raiva e o inconformismo que corre no sangue destes caras e é uma música mais diversificada, com passagens furiosas, tranqüilas, solos e até coros.

Wake Up vai fazer você acordar. Os gritos enfurecidos e enfáticos de Zack de la Rocha vão atormentar a sua mente... o baixo cru e atormentante também, tudo recheado pelas viagens de Tom Morello.

Fistful of Steel continua a porrada sonora e Township Rebellion vai no mínimo te incomodar de estar aí parado sem fazer nada.

Freedom é ideal para fechar o álbum. Liberdade é a tônica do RATM, que bom seria se todos nós pudéssemos viver sem as correntes do sistema, livres para trilharmos nosso próprio caminho e sem assistir a tanta brutalidade e injustiça tão comuns no nosso planeta, é inspirador que quatro caras decidiram se levantar, conscientizar a juventude e atormentar um pouco a conjuntura política mundial, liderada pelo imperialismo norte-americano.

Os quatro integrantes têm uma química impressionante. Morello é um excelente guitarrista, considerado um dos melhores da atualidade, a cozinha é perfeita e matadora, Brad e Tim se entendem muito bem lá atrás, estão muito bem entrosados, e Zack é perfeito para esse estilo que ele mesmo ajudou a criar. Seus vocais rasgados, às vezes, chegam até a dar inveja em vocalistas de black metal. Os quatro são perfeitos no que se propõe a fazer. É uma pena que o grupo tenha terminado, uma pena mesmo.

Pontos Negativos? Talvez a uniformidade sonora do petardo que pode ficar cansativo depois de um tempo, e pra você que está aí dizendo: “Ah! Que droga! Race Against The Machine é new metal!”

New Metal? Hummmm... acho que não... veja a definição no início deste review. Eles não seguem a linha das atuais bandas de new metal que têm por aí... são mais diversificados, explosivos e sentimentais. Colocam muito mais energia e atitude em suas músicas. Livre-se de seus preconceitos furados e aprecie este cd sem grilo. Você não tem nada a perder e só a ganhar. Quem sabe você não funda uma Ong? Simpatizou com a idéia? Tenho certeza que Zack iria aprovar.

Não estranhe se depois de ouvir este cd, uma vontade incontrolável de protestar contra o sistema, de queimar algumas bandeiras americanas e coisas do tipo tomem conta de você. Rage Against The Machine é isso. Atitude e protesto no volume máximo.

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Outras resenhas de Rage Against The Machine - Rage Against The Machine

5000 acessosRage Against the Machine: a banda mais legal do planeta?5000 acessosTradução - Rage Against The Machine - Rage Against The Machine

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Tom MorelloTom Morello
Pink Floyd, Metal, Cornell, Temer, disco e muito mais

180 acessosRob Scallon: todas as músicas do RATM em três minutos325 acessosRage Against The Machine: livro explica as letras da banda216 acessosProphets of Rage: review do enérgico show em Londres230 acessosProphets of Rage: em vídeo, Gastão Moreira entrevista a banda425 acessosRATM e Audioslave: jovens fazem covers e Tom Morello aprova0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Rage Against The Machine"

NMENME
Os clipes mais legais da história, na opinião dos leitores

Rap e MetalRap e Metal
Cinco colaborações que funfaram

Tom MorelloTom Morello
"Não existe Rage Against The Machine"

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Rage Against The Machine"

Iron MaidenIron Maiden
Ouça o baixo de Steve Harris isoladamente

Fotos de InfânciaFotos de Infância
Jon Bon Jovi muito antes da fama

RushRush
Um Adeus Aos Reis

5000 acessosPensadores e autores que inspiraram o Heavy Metal: Friedrich Nietzsche5000 acessosSeparados no nascimento: Ian Hill e Stênio Garcia5000 acessosIvete Sangalo: "Ouço muito SOAD, Linkin Park, Slipknot e Rush"5000 acessosKerry King: velho, gordo e careca? Está falando de mim, seu babaca?5000 acessosMetal: As bandas mais expressivas surgidas nos últimos 15 anos5000 acessosBaixistas: Os 10 melhores do rock e do metal segundo o Watchmojo

Sobre Maurício Gomes Angelo

Jornalista. Escreve sobre cultura pop (e não pop), política, economia, literatura e artigos em várias áreas desde 2003. Fundador da Revista Movin' Up (www.revistamovinup.com) e da revrbr (www.revrbr.com), agência de comunicação digital. Começou a escrever para o Whiplash! em 2004 e passou também pela revista Roadie Crew.

Mais matérias de Maurício Gomes Angelo no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online