Resenha - Rage Against The Machine - Rage Against The Machine
Por Maurício Gomes Angelo
Postado em 02 de julho de 2003
Nota: 8 ![]()
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"Um som cru, sem sintetizadores, teclados ou samples. Inspirado no punk rock pesado dos anos 70 e donos de um estilo próprio de hardcore, o Rage Against The Machine mostra sua revolta em músicas incendiárias, com letras baseadas em uma visão política de extrema esquerda, aliadas a atitudes de protesto e discordância do sistema". Talvez essa seja a melhor definição do som e do estilo do RATM.
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O CD homônimo lançado em 1992 mostra muito bem o que foi descrito acima. A capa do álbum é a fotografia vencedora do prêmio Pulitzer de 1963, onde um monge ateia fogo no próprio corpo em forma de protesto a um movimento anti-busdista ocorrido no sul do Vietnã.
Zack De La Rocha (vocais), Tom Morello (guitarra), Brad Wilk (bateria) e Tim Commerford (baixo) são os nomes das feras. Um quarteto explosivo com certeza. Zack é um animal com o microfone nas mãos, Tom Morello detona tudo na guitarra, Brad Wilk deve ter quebrado muitas baterias ao longo do tempo e Tim Commerford é um excelente baixista. As cavalgadas e o impacto criados por ele são impressionantes. O baixo se destaca muito no som do Rage Against The Machine.
O CD começa arrebentando, com um trio de músicas perfeito. Bombtrack, Killing in The Name e Take The Power Back vêm recheadas com poderosas linhas de baixo, o vocal revoltado de Zack, o peso da guitarra e letras com críticas ácidas ao sistema e ao governo dos Estados Unidos. "Ao invés de ficar obsoleto eu esquento minhas mãos nas chamas da bandeira. Queime, queime, sim, vá e comece a incendiar". Este é um trecho de Bombtrack que ilustra bem o que estou dizendo. "Fuckins" também são bastante comuns.
TODAS as letras seguem a mesma linha como Settle for Nothing, que começa com: "o ódio foi passado (de geração em geração), um mundo de ira e violência, isto é o que eu posso reconhecer, sem nunca ter visto a cor dos olhos de meu pai". Settle for Nothing também mostra umas passagens mais melancólicas e sentimentais. Toda essa revolta também tem influências paternas já que o pai de Morello lutou na guerrilha de libertação do Quênia pela dominação colonial inglesa e sua mãe é a fundadora de uma organização anti censura. Todos têm um histórico parecido. Essas letras provocadoras e incendiárias não são por acaso.
Às vezes a quebradeira pára, deixando Morello mostrar um pouco de sua técnica e composições bem arranjadas, arriscando uns solos de vez em quando, como em Take The Power Back.
O CD continua com Bullet in Your Head que segue a (insana) cartilha das anteriores.
"Eu sou um irmão com uma mente furiosa. Nós não precisamos de chaves, nós arrombaremos... lute e guerreie, fodam-se as normas, eu não tenho mais paciência" são trechos de Know Your Enemy (Conhecendo o Inimigo). Mostra todo o ódio, a raiva e o inconformismo que corre no sangue destes caras e é uma música mais diversificada, com passagens furiosas, tranqüilas, solos e até coros.
Wake Up vai fazer você acordar. Os gritos enfurecidos e enfáticos de Zack de la Rocha vão atormentar a sua mente... o baixo cru e atormentante também, tudo recheado pelas viagens de Tom Morello.
Fistful of Steel continua a porrada sonora e Township Rebellion vai no mínimo te incomodar de estar aí parado sem fazer nada.
Freedom é ideal para fechar o álbum. Liberdade é a tônica do RATM, que bom seria se todos nós pudéssemos viver sem as correntes do sistema, livres para trilharmos nosso próprio caminho e sem assistir a tanta brutalidade e injustiça tão comuns no nosso planeta, é inspirador que quatro caras decidiram se levantar, conscientizar a juventude e atormentar um pouco a conjuntura política mundial, liderada pelo imperialismo norte-americano.
Os quatro integrantes têm uma química impressionante. Morello é um excelente guitarrista, considerado um dos melhores da atualidade, a cozinha é perfeita e matadora, Brad e Tim se entendem muito bem lá atrás, estão muito bem entrosados, e Zack é perfeito para esse estilo que ele mesmo ajudou a criar. Seus vocais rasgados, às vezes, chegam até a dar inveja em vocalistas de black metal. Os quatro são perfeitos no que se propõe a fazer. É uma pena que o grupo tenha terminado, uma pena mesmo.
Pontos Negativos? Talvez a uniformidade sonora do petardo que pode ficar cansativo depois de um tempo, e pra você que está aí dizendo: "Ah! Que droga! Race Against The Machine é new metal!"
New Metal? Hummmm... acho que não... veja a definição no início deste review. Eles não seguem a linha das atuais bandas de new metal que têm por aí... são mais diversificados, explosivos e sentimentais. Colocam muito mais energia e atitude em suas músicas. Livre-se de seus preconceitos furados e aprecie este cd sem grilo. Você não tem nada a perder e só a ganhar. Quem sabe você não funda uma Ong? Simpatizou com a idéia? Tenho certeza que Zack iria aprovar.
Não estranhe se depois de ouvir este cd, uma vontade incontrolável de protestar contra o sistema, de queimar algumas bandeiras americanas e coisas do tipo tomem conta de você. Rage Against The Machine é isso. Atitude e protesto no volume máximo.
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