A banda que impressionou tanto Chris Cornell ao vivo que mudou sua carreira
Por Bruce William
Postado em 30 de maio de 2026
Chris Cornell não entrou no Audioslave apenas porque recebeu uma proposta curiosa depois do fim do Soundgarden e da saída de Zack de la Rocha do Rage Against the Machine. Antes de qualquer reunião em estúdio, havia uma lembrança forte: ele já tinha visto o Rage ao vivo em 1996 e saiu com a sensação de ter presenciado algo raro. Para um cantor acostumado a bandas pesadas, intensas e pouco convencionais, aquilo não era pouca coisa.
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O Rage Against the Machine sempre teve uma energia muito específica no palco. Tom Morello fazia a guitarra soar como sirene, máquina, DJ, ruído industrial e riff ao mesmo tempo. Tim Commerford e Brad Wilk seguravam uma base quase física, com groove de funk, peso de metal e precisão de banda que sabia exatamente onde queria bater. E Zack de la Rocha não cantava no sentido tradicional; cuspia palavras como se cada verso fosse parte de um panfleto incendiário.
Cornell lembraria esse impacto ao explicar a origem do Audioslave. "Audioslave, da minha parte, existiu por causa da minha lembrança de vê-los tocar em 1996. Achei que eles eram uma das melhores bandas ao vivo que eu já tinha visto", disse o vocalista, em fala publicada na Far Out.
Quando recebeu uma ligação de Tom Morello e Rick Rubin sobre a possibilidade de fazer um disco com aqueles músicos, a curiosidade veio justamente daí. Ele sabia que não estava sendo chamado para entrar em uma banda comum. A formação do Audioslave aconteceu em 2001, depois que Zack deixou o Rage Against the Machine em outubro de 2000. Morello, Commerford e Wilk começaram a procurar um vocalista, e Rick Rubin ajudou a aproximá-los de Cornell. O primeiro álbum saiu em 2002, com produção de Rubin, e trouxe músicas como "Cochise", "Like a Stone" e "Show Me How to Live". A banda lançaria ainda "Out of Exile" em 2005 e "Revelations" em 2006.
O encaixe era improvável e, por isso mesmo, interessante. Cornell vinha do Soundgarden, uma banda pesada, esquisita, marcada por afinações estranhas, mudanças de compasso e uma voz que podia ir do sussurro ao grito sem parecer cálculo. Os músicos do Rage vinham de outra escola: rap, funk, metal, política e um tipo de repetição rítmica que não precisava de refrão melódico para derrubar uma plateia.
No Audioslave, essas duas forças tiveram que aprender a dividir espaço. Cornell sabia que os músicos do Rage tinham algo que poucas bandas conseguiam reproduzir. "O que eles trazem ao vivo é diferente de tudo que alguém já fez. Se a gente conseguir fazer isso funcionar como uma banda de verdade, vai ser ótimo."
O resultado dividiu opiniões, como quase todo supergrupo. Para alguns fãs do Rage, faltava a tensão política e a voz cortante de Zack. Para alguns fãs do Soundgarden, havia momentos em que o instrumental parecia rígido demais para Cornell. Mas o Audioslave encontrou uma identidade em suas melhores músicas, especialmente quando a voz de Chris não tentava competir com a máquina rítmica dos outros três, e sim atravessá-la por cima.
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