Resenha - Empire - Queensryche
Por André Toral
Postado em 21 de abril de 2003
Ano: 1990
É realmente fantástico falar dos grandes momentos de uma banda, os quais, também, se traduzem em grandes momentos do rock como um todo. E assim aconteceu com o Queensryche mais de uma vez, porém, de todas elas, "Empire" se sobressaiu. Há quem diga que não, que o melhor álbum da banda é o "Operation: Mindcrime". Bem, não há como concordar ou discordar, uma vez que, desde o início da banda até "Empire", todos os trabalhos foram dignos de nota máxima! Mas o fato é que este álbum foi minuciosamente "calculado", tal é sua produção, musicalidade e posicionamento de arranjos, vocais, teclados e melodias. Obviamente, apresenta elementos pop, se comparado aos seus trabalhos anteriores, mas também se encontram momentos progressivos e pesados, tudo regado a muitas passagens de teclados. E foi realmente ótima a atuação da dupla Chris DeGarmo (guitarrista) e Geoff Tate (vocalista), embora Michael Wilton (guitarrista) e Scott Rockenfield (bateria) também tenham contribuído na composição de arranjos e letras; o único que não assina nenhuma das letras é Eddie Jackson (baixista).

Musicalmente, existem vários momento dignos de nota máxima, como a notável "Best I Can", abrindo o festival de sucessos. Em seguida, temos a ótima "The Thin Line", tão bela e cheia de quebras de ritmos e variações em geral e, principalmente, um vocal verdadeiramente melódico e bem posicionado. "Jet City Woman" tem uma letra em que Geoff Tate se inspirou em sua esposa que, àquela época, trabalhava como aeromoça (alguém aí sabe no que ela está trabalhando hoje em dia?); até a turnê de "Hear in the Now Frontier" a banda ainda a tocava em seus shows, merecidamente. Depois seguimos com "Della Brown", uma canção com elementos nítidamente pop, mas muito bem encaixada na conjuntura de "Empire". "Another Rainy Night (Without You)" é, de longe, uma clássico fabuloso, tal sua pegada hard rock e o vocal sensacional de Geoff Tate no refrão.
A faixa-título é outro momento inquestionável do álbum; forte, pesada e com um letra absurdamente inteligente. Presença garantida em todos os shows da banda! E quando se iniciou a turnê do Queensryche para este álbum, "Resistance" foi a encarregada de abrir os shows, de forma justa. Talvez seja a que mais nos lembre dos álbuns enteriores, mais pesados. Em se tratando de "Silent Lucidity", pode-se dizer que é a música mais famosa da banda, sem dúvidas! Se trata de uma balada realmente linda, se diferenciando das demais "farofadas" que existem por aí. Aliás, para que não se lembra, esta música foi amplamente divulgada no Rock in Rio II (1991), quando a banda também se apresentou no Rio de Janeiro. Já "Hand on Heart" é outro grande clássico, e possui muito feeling e melodia, principalmente no seu refrão, com grande dose de emoção. Aliás, outro atrativo de Empire são os refrões. "One and Only" também dá seguimento aos ótimos momento, mas o grande desfecho ocorre com a espetacular "Anybody Listening?", uma balada romântica com muita melancolia e, até mesmo, peso em algumas partes. Linda demais!
Enfim, um belo álbum! É uma pena que o Queensryche tenha praticamente desaparecido após "Empire", pois sucederam-se uma fileira de álbuns ruins, realmente fracos. E parece que, por mais que a banda tenha se esforçado para fazer algo decente, nenhum resultado foi obtido. O pior foi mesmo quando Chris DeGarmo saiu, logo o mentor criativo da banda. Mas para nossa alegria, recentemente, Chris retornou e já se encontra em processo de composição. Vamos ver se agora os "garotos de Seattle" voltam a impressionar o mundo como fizeram antigamente. Para quem também não foi ao show de 1998, em que o Queensryche tocou com Megadeth e Whitesnake, vale lembrar que a sua apresentação foi ruim, e só nos 20 minutos finais é que houve empolgação. Também pudera, pois foi justamente aí que a banda iniciou o desfile de clássicos do Operation: Mindcrime. Agora só resta torcer por sua volta em grande estilo, e que, sem medo de ser feliz, estes americanos queiram "voltar às raízes". Tomara.
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