Resenha - Psicoacústica - Ira!
Por Alisson dos Santos Cappellari
Postado em 15 de junho de 2003
Em 1988, o cenário musical brasileiro vivia o auge da ressaca provocada pela explosão do dito Rock Nacional e pela euforia consumista decorrente do Plano Cruzado. A crise econômica parecia ter atingido também a criatividade do meio musical nacional em que os artistas, salvo raríssimas exceções, não conseguiam reproduzir os sucessos de anos passados.
Ira! - Mais Novidades
Uma das bandas a perceber essa transformação foi o Ira!. Vindo de dois discos de indiscutível qualidade, aclamados pelo público e de uma vivência tumultuada com a crítica, o grupo apresentou um novo trabalho que surpreendeu a todos pela proposta inovadora que representava.
Psicoacústica tocou na ferida da cultura musical da época. Em sua concepção, apesar da curta duração – oito faixas e pouco mais de meia hora de som -, foi um disco muito bem produzido. Poucas vezes no rock nacional se viu tamanho entrosamento entre os integrantes de uma banda. A guitarra de Scandurra nunca esteve tão afiada. Jung não lembrava aquele que um dia fora renegado pelos Titãs sob a alegação de falta de pegada. Nasi e Gaspa, além de impecáveis em suas atribuições, traziam significativas mudanças nas técnicas de gravação. A produção escalada para o disco também se destacava, uma vez que as relações com Liminha estavam abaladas após a gravação de Mudança de Comportamento.
A obra ficou marcada na história, no entanto, pela complexa conjunção melodia-letra, aliada ao forte teor crítico das canções proposto pelo grupo. Rubro Zorro, a faixa inicial é um grande exemplo. Baseada na história do Bandido da Luz Vermelha, famoso psicopata paulistano da década de 60, a música é de grande intensidade, recheada de efeitos sonoros retirados do filme-biografia do homenageado, além da impecável declamação de Nasi ao fundo, como se fosse um mantra a retratar a consciência do criminoso. Outro destaque é a faixa Receita Para Se Fazer Um Herói. De letra simples e irônica, é uma verdadeira receita para se transformar "um homem feito de nada como nós" em um mito. Uma mordaz crítica sócio-religiosa. Não foi por acaso a escolhida do grupo para ser reproduzida no disco "ao vivo MTV". Críticas à Imprensa (Poder Sorriso e Fama), de cunho social (Pegue Esta Arma e Advogado do Diabo) e ao showbizz nacional da época (Manhãs de Domingo) também se fizeram presentes.
Contudo, a mais emblemática do álbum, e uma das mais incompreendidas da história da música nacional é Farto do Rock’n Roll. Verdadeira canção-desabafo, dona de uma letra direta, construída sobre um riff de Scandurra, retratando de forma nua e crua a saturação da fórmula roqueira nacional dos anos 80. Falando da busca de novas fontes de inspiração do grupo, a música apresentava um solo de scratch de Nasi – um dos primeiros da música brasileira – e o refrão grafado em letras maiúsculas no encarte do álbum (Fim de semana sim / Fim de semana não / Às vezes tudo bem / Às vezes sem razão / Já estou farto do Rock’n Roll). Uma verdadeira profecia sobre o cenário do showbizz nacional.
Talvez pelo cunho contestatório, a resposta dada ao álbum não foi a esperada. A crítica não compreendeu a proposta sugerida e o público não assimilou os novos rumos tomados pelo grupo. A história, no entanto, veio a apagar em parte o equívoco anteriormente cometido. Atualmente, Psicoacústica figura merecida e obrigatoriamente em qualquer lista das maiores obras do Rock nacional.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Guns N' Roses é adicionado a shows especiais do Aerosmith
O significado de "Don't Look Back in Anger", segundo Noel Gallagher
Lollapalooza Brasil 2027 confirma cast oficial de atrações
Para quem foi escrita "Your Song", um dos maiores clássicos de Elton John
Regis Tadeu aponta o grave erro que o Metallica está cometendo em shows recentes
Os três álbuns do Pink Floyd que Roger Waters não consegue engolir
O que Dee Snider acha da escolha de Sebastian Bach para seu lugar no Twisted Sister
Aerosmith anuncia dois shows em Hollywood com uma série de convidados
Quando Brian May mandou uma mensagem para o Metallica; "Isso aquece meu coração"
A banda que a polícia chamava de "inimiga número um da família brasileira"
Os seis países onde o Iron Maiden fez apenas um show durante toda a carreira
Charlie Benante explica o que o tirou dos shows recentes do Anthrax
Dois discos do Pink Floyd que parecem feitos por bandas diferentes - qual é o melhor?
A banda que "bateu" tão bem quanto o Nirvana, segundo Dave Grohl
A música menos ouvida de cada disco do Iron Maiden no Spotify
As duas grandes bandas de Metal que James Hetfield detestava, mas com o tempo ele arregou
Joe Bonamassa elege o maior guitarrista de rock; "transformou a guitarra em uma arma"


10 músicas de rock nacional dos anos 1980 que ainda estão na memória afetiva do brasileiro
Iron Maiden: "Senjutsu" é uma prova de que "The X-Factor" é um discão



