Resenha - My World War - Holy Mother
Por Ana Therezo
Postado em 25 de maio de 2000
Nota: 9 ![]()
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Alguém iria procurar em Nova York uma nova e promissora banda de power metal? Não. No entanto, por mais estranho que possa parecer eles não vem da Alemanha, da Itália ou da Suécia. Pelo contrário, foi nos guetos do Brooklyn que surgiu o Holy Mother, quarteto americano que vem desmentindo a máxima moderna de que não existe mais heavy metal de verdade na modista terra do Tio Sam.

Na verdade, nenhum dos integrantes deste conjunto iniciou-se ontem no mundo do rock pesado. O vocalista Mike Tirelli já gravou e excursionou com o Burning Starr; o batera Jim Harris já esteve no Dirty Looks e no Burning starr, além de ter tocado com ex-integrantes do Twisted Sister; Randy Coven, o baixista, foi integrante do Mountain e do CPR, além de ter tocado com Stevie Vai, Jeff Watson (Night Ranger) e Steve Morse; o guitarrista Jon Bivona gravou com membros do Dream Theater e com Al Pitrelli, atualmente no Savatage e no Megadeth.
Com um currículo desses, não é de se estranhar o fato de o Holy Mother ser uma das bandas mais frescas e originais surgidas no cenário metálico na segunda metade dos anos 90, caminhando a passos largos para se tornar um dos grandes nomes do estilo com o seu jeitão oitentista de encarar a música pesada, atualmente conhecida com power metal.
O nome Holy Mother vem de uma gíria tipicamente americana, utilizada para definir surpresa ou choque. O sujeito pego de supetão enche os pulmões e solta: "Holy Mother!!". É mais ou menos a sensação que nos acomete quando as doze faixas de My World War (a versão brasileira possui uma faixa bônus exclusiva entre essas doze pedradas) explodem sem piedade nos alto-falantes. Com um quê de thrash metal, a música do conjunto soa ao mesmo tempo moderna e saudosista, transportando o ouvinte para uma viagem atemporal, na qual tudo que importa é o amor ao heavy metal – e aos riffs de guitarra precisos, à cozinha marcante e criativa, aos vocais rasgados (confira o cover para Rebel Yell, de Billy Idol) e ao peso. Livin’On Luck, The Itch, Where Their Children Play e a faixa título resumem tudo isso e soam como pequenos clássicos do heavy rock.
E não é, porém, o primeiro disco do Holy Mother. Embora seja indubitavelmente o trabalho mais maduro e bem acabado do conjunto, outros dois trabalhos antecederam-no. O primeiro, auto-entitulado, não pode usufruir de uma distribuição condizente à sua qualidade, o que não ocorreu com o segundo, Toxic Rain, de 1998, que foi o trabalho que chamou a atenção para si. Graças a esse disco, o Holy Mother recebeu resenhas altamente favoráveis na imprensa especializada, o que lhe valeu uma aparição no palco principal do famoso Wacken Open Air Festival daquele ano. No entanto, foi mesmo em 1999, com o álbum Criminal Afterlife, que a carreira do conjunto deslanchou. A ferocidade do cd aliada à qualidade técnica e musical de seus executores levaram a banda ao seu lugar merecido: ao reconhecimento definitivo no cenário metálico. My World War, ainda melhor do que seu antecessor, seguramente irá consolidar esta posição de uma vez por todas.
Material cedido por:
Laser Company Records
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