Resenha - 12 Bar Blues - Scott Weiland
Por Ricardo Augusto Sarcinelli
Postado em 23 de novembro de 1999
Este estranho álbum foi composto imediatamente após a cisão no Stone Temple Pilots (onde Scott é vocalista e compositor), que desencadeou na saída de Weiland do grupo devido a sérios problemas com as drogas e o álcool e, consequentemente, com a polícia.
Enquanto numa tentativa de manter intocável o nome dos STP, os demais integrantes adotavam um projeto paralelo chamado "Talk Show", chegando a lançar um ótimo disco, ainda consumido pelos vícios, Scott Weiland, juntou-se a uma trupe comandada por Daniel Lanois (leia-se artífice do U2) trancando-se num estúdio para conceberem o que viria a ser um dos discos mais incomuns de todos os tempos. A variedade do parafernálio eletrônico e percussivo utilizado no álbum é tamanha que chega a assustar ao se ler os créditos. Estes fatores corroboram para que uma compreensão imparcial de "12 Bar Blues" requeira do ouvinte uma aceitação prévia da inventividade deste compositor em sua busca constante por novos caminhos para sua música, e da atmosfera lisérgica que o envolve.
Scott Weiland - Mais Novidades
O mais incomum trabalho lançado nos anos 90 é uma espécie de cruzamento entre Peter Gabriel e Trent Reznor, Roger Waters e Kraftwerk, uma salada, às vezes insípida, que mistura David Bowie, Beatles, Echo And The Bunnyman e My Bloody Valentinne no mesmo prato, ou seja, uma combinação que ora satisfaz, mas tem tudo para provocar náuseas.
Apesar da atmosfera demasiadamente eletrônica que permeia o álbum, é difícil não se emocionar com algumas passagens de rara beleza e poesia musical. O lirismo de Weiland continua acima de provas. Canções como "Desperation #5", "Barbarella", "Where’s The Man", "Divider" e a belíssima "Son" testemunham isto, mesmo existindo entre elas mesmas algumas passagens saturadas por sintetizadores. Mesmo estando as melodias de certa forma eclipsadas pelos excessivos bits - fazendo com que algumas faixas como "Jimmy Was a Stimulator" e "Oppopsite Octave Reaction" ultrapassem os limites da paciência humana - os mais sensíveis poderão lamentar cada nota perdida pela insistência de Scott na adoção de chips no lugar de neurônios.
"12 Bar Blues" não é um álbum indicado aos fãs do STP, nem ao público roqueiro em geral. É, abusando do poder de definição, "um disco de laboratório". É perfeitamente identificável entretanto, que, subtraindo-se a roupagem eletrônica, o álbum apresente várias qualidades em suas composições. Talvez nossa geração ainda não esteja pronta para reconhecer todos os horizontes musicais explorados neste álbum, e quem sabe fosse exatamente isto o que quisera Scott– entregar um presente às gerações vindouras. Contudo, como a humanidade caminha a passos largos para os braços da simplicidade, este disco fica, paradoxalmente, cada dia mais distante da compreensão.
Nota: 5 (cinco)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A voz que Freddie Mercury idolatrava; "Eu queria cantar metade daquilo", admitiu o cantor
A banda lendária com que o Deep Purple odiava comparação: "Nada é pior, não tenho paciência"
A música de rock com a melhor introdução de todos os tempos, segundo Dave Grohl
O vocalista que tatuou a banda no braço e foi demitido em seguida
Gary Holt compara James Hetfield e Dave Mustaine e diz que toque de Dave é "diferente"
Para Geezer Butler, capa de disco do Black Sabbath é "a pior de todos os tempos"
O beijo em cantora que fez Ney Matogrosso perceber que lado hétero não está adormecido
Para Matt Sorum, Velvet Revolver poderia ter sido tão grande quanto o Guns N' Roses
O primeiro disco de heavy metal do Judas Priest, segundo Ian Hill
A banda que é boa para ouvir num churrasco discutindo sobre carros, segundo Regis Tadeu
A música do Megadeth que James Hetfield curte, segundo Dave Mustaine
Os títulos de músicas do Metallica que aparecem em "The Last Note", do Megadeth
A banda que dá "aula magna" de como se envelhece bem, segundo Regis Tadeu
Dave Mustaine aponta o que poderia resolver sua relação com o Metallica
A sincera opinião de Jéssica Falchi sobre o Iron Maiden sem Nicko McBrain


Música inédita de Scott Weiland é lançada no 10º aniversário da morte do cantor
Metallica: em 1998, livrando a cara com um disco de covers
Whitesnake: Em 1989, o sobrenatural álbum com Steve Vai


