Resenha - Voices - A Tribute To Dream Theater - Vários Artistas

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Por Thiago Sarkis
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Antes de tudo, é preciso salientar quatro fatores. Primeiro: Maravilhoso o projeto da Adrenaline Records de lançar um tributo a uma das bandas mais importantes da atualidade, que vem conquistando fãs e influenciando músicos por todos os cantos do mundo. Segundo: A capa, o encarte, os detalhes sobre cada banda, entre outros fatores foram muito bem trabalhados e não deixam com que as pessoas fiquem "a ver navios", sem informações sobre os artistas, músicas, etc. Terceiro: Ótima a idéia de colocar um segundo CD com músicas próprias das bandas que participam do tributo.

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Quarto e mais importante: Esse é um tributo ao Dream Theater, banda que tem como fortes características as composições rítmicamente bem complexas e a técnica MUITO ELEVADA de seus músicos. Ou seja, não é fácil 'tirar' e tocar as músicas do Dream Theater. Isso exige um certo esforço e por isso deve-se dar um crédito especial a essas bandas que com certeza batalharam bastante, dando o melhor de si nesse álbum.

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Vamos ao CD 1, com os covers, faixa a faixa (colocarei o nome do artista, o nome da música entre parêntesis e o comentário ao lado):

Evil Wings ("A Fortune In Lies") - Excelente versão para esse clássico do Dream Theater. Com ótimos músicos, eles conseguem surpreender, dando atenção a cada detalhe e se saindo muito bem nas partes mais trabalhadas da música.

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Moon Of Steel ("You Not Me") - A presença da vocalista Sarah Bonetti faz a diferença. No começo, soa um pouco estranho, mas depois, principalmente nas partes mais rápidas, dá pra levar o vocal feminino um pouco 'diferente' da 'senhorita'. Os outros músicos da banda não comprometem também.

Aztec Jade ("Another Day") - Bem fiéis à versão original. Não apresentam nada de diferente. "Another Day" não é uma música de difícil execução, porém há alguns pequenos erros, principalmente no solo de guitarra, mas não é nada que realmente prejudique o trabalho do Aztec Jade.

Accomplice ("Pull Me Under") - Agora sim temos alguns problemas mais 'visíveis'. O vocalista, Stephen Green é limitado e o guitarrista, Sean Clegg suja os solos, erra notas, etc. De fato, esses erros acabam atrapalhando o andamento da música. No final, eles acrescentam coisas diferentes e que soaram bem. Poderiam ter mudado várias coisas no decorrer da música, ao invés de tentar repetir exatamente o que os músicos do Dream Theater fazem. Tentaram... e se deram mal.

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Empty Tremor ("DT Medley" - "Take The Time", "Under A Glass Mon", "A Change Of Seasons" e "Learning To Live") - Tá aí uma banda criativa e MUITO ESPERTA. Em 13 minutos e 23 segundos eles tocam várias partes dessas 4 excelentes músicas. É um trabalho interessante. As mudanças de uma música para outra são muito bem feitas, mas aí é que está a esperteza desses italianos. As mudanças ocorrem exatamente antes das partes que apresentam maiores dificuldades, tecnicamente falando, para os músicos. Astúcias a parte... a banda se saiu bem e pode-se destacar em especial o excelente vocalista Giovanni De Luigi.

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Overlife ("Metropolis Part I") - Quando soube que o Overlife tocaria "Metropolis Part I" nesse tributo me espantei e levei fé de que seria um verdadeiro 'suicídio', pois esses espanhóis são bons, mas têm lá suas limitações (e não são poucas). Bem, eu estava certo. Mesmo usando de vários artifícios, como a guitarra com um som bem distorcido e o teclado bem alto nas partes com teclado e guitarra tocando juntos, eles não conseguiram esconder suas limitações e erros. O tecladista foi o melhor da banda, errando algumas coisas, mas nada de grave. O vocalista também não prejudicou e o baterista não se saiu muito bem. Porém, o problema mesmo ficou com o guitarrista e o baixista. Javier Marco (guitarrista) errou bastante, principalmente nos solos com teclado e guitarra. Aliás, no primeiro solo nesse estilo, ele chegou a 'deixar' o tecladista sozinho. Roberto Bonus (baixista) vai matar John Myung de desgosto. O solo do baixista do Dream Theater foi estragado pela fraca atuação do baixista do Overlife.

Fifth Seasons ("Peruvian Skies") - Ótimos músicos, que conseguiram ter originalidade e deixar sua marca, sem deixar a 'fidelidade' à versão original de lado. Acrescentaram um solo de teclado maravilhoso, que 'caiu' muito bem, logo no começo da música e seguiram com um som excelente, fazendo pequenas modificações até o final. Uma bela surpresa.

CMKY ("Surrounded") - Mais uma bela surpresa. O vocal da excelente Laura Benedettini dá um toque especial a "Surrounded" e os outros músicos do CMKY também se saem muito bem. Acredito que escolheram a música perfeita para o estilo deles. Tinha que ser algo mais 'leve', 'suave', mais apropriado à bela voz de Laura.

Eleventh Hour ("Learning To Live") - Antes mesmo de começarem a criar suas próprias músicas, Tony Vinci (guitarras), Rich DellaPietra (Teclados e Vocais), Greg Putnam (Baixo, Chapman Stick, Pedais e Vocais) e Cliff LeBeau (Bateria), já estavam integrados e apaixonados pelo som do Dream Theater, tocando covers da banda americana em pequenos clubes. O resultado de toda essa paixão e dedicação ao Dream Theater é essa excelente e fiel versão de um dos maiores clássicos da banda, "Learning To Live". Todos foram muito bem e essa banda ainda vai dar muito o que falar.

O CD 2, com as músicas próprias, é muito bom também. Se destacam em especial, as bandas Evil Wings, Empty Tremor, Fifth Season e Eleventh Hour com as músicas "Colors Of The New World", "The Message Keeper", "Destroy My Beauty" e "Inside Out" respectivamente.

"Voices - A Tribute To Dream Theater" é um prato cheio para os fãs da banda e também para fãs de música progressiva em geral.

ADRENALINE Records - http://www.adrenaline.it

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Sobre Thiago Sarkis

Thiago Sarkis: Colaborador do Whiplash!, iniciou sua trajetória no Rock ainda novo, convivendo com a explosão da cena nacional. Partiu então para Van Halen, Metallica, Dire Straits, Megadeth. Começou a redigir no próprio Whiplash! e tornou-se, posteriormente, correspondente internacional das revistas RSJ (Índia - foto ao lado), Popular 1 (Espanha), Spark (República Tcheca), PainKiller (China), Rock Hard (Grécia), Rock Express (ex-Iugoslávia), entre outras. Teve seus textos veiculados em 35 países e, no Brasil, escreveu para Comando Rock, Disconnected, [] Zero, Roadie Crew, Valhalla.

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