Black Sabbath: Comentários de Tony Iommi sobre Master Of Reality

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Por Fotoboard Tramparia, Fonte: Autobiografia -Tony Iommi
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O pesadíssimo álbum Master Of Reality foi marcado por músicas com afinações diferentes em relação aos dois primeiros discos, e também pela estréia da primeira balada depressiva do BLACK SABBATH.

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Essa faixa mais lenta é a última desse disco. Considerada por muitos uma das mais belas e tristes canções a ecoar pelo universo do heavy metal.

Solitude, em português Solidão, foi gravada com um efeito na voz do Madman OZZY, com adição de sons de flauta, provenientes dos sopros de TONY IOMMI, ideia inspirada pela rápida experiência com o guitarrista-flautista IAN ANDERSON, líder do JETHRO TULL.

No trecho a seguir, retirado de sua autobiografia, IOMMI contou como foi o processo de gravação, além de algumas histórias hilárias do épico terceiro álbum da banda, aportuguesado Mestre da Realidade.

Local de Publicação: São Paulo | Ano:2013 | Páginas: 400 Editora: Planeta | Diagramação e Capa: SGuerra Design

Quando gravamos o Master of Reality em fevereiro e março de 1971, me envolvi bastante e comecei a sugerir ideias de verdade. Fizemos algumas coisas que nunca tínhamos feito antes.

Em "Children of the Grave", "Lord of this World" e "Into the Void", afinamos três semitons abaixo. Fazia parte de uma experiência: afinar tudo abaixo para obter um som mais potente, mais pesado. Naquela época, todas as outras bandas tinham guitarrista base ou teclados, mas a gente se virava com a guitarra, o baixo e a bateria, então tentamos fazer tudo soar o mais encorpado possível.

Afinar um tom abaixo simplesmente parecia oferecer mais profundidade. Acho que fomos os primeiros a fazer isso.

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A gente simplesmente não tinha medo de fazer algo inesperado. Como "Solitude", talvez a primeira canção de amor que gravamos. A voz de OZZY tinha um efeito delay e ele cantou essa música muito bem. Ele tem uma voz realmente boa para baladas. Toquei flauta nessa música também.

Experimentei todos os tipos de instrumentos durante a criação dos álbuns, mesmo que não soubesse tocá-los. E, depois de passar um curto período no JETHRO TULL, pensei que poderia tentar a flauta. Só fiz isso até certo ponto, de maneira muito amadora, devo admitir, mas ainda tenho a flauta.

Todos nós tocamos "Sweet Leaf" chapados, pois, naquele tempo, usávamos muitas drogas. Enquanto eu gravava um trecho de violão, para uma das outras músicas, OZZY, me trouxe um baseado enorme.

- Dê uma só tragada - disse ele.

- Não, não - respondi.

No entanto, eu traguei e, porra, me engasguei, e muito. Tossi durante um bom tempo, eles gravaram e usamos no início de "Sweet Leaf". Que adequado: tossir até o barulho ir parar em uma canção sobre maconha... E foi a melhor atuação vocal de toda a minha carreira!

"Into the Void" é uma das minhas músicas favoritas desse álbum; "Sabbath Bloody Sabbath" é outra. A estrutura dessa música é boa de verdade, porque há muitos tons diferentes, muitas coisas diferentes acontecendo nelas. "Into the Void" tem um riff inicial que muda de ritmo durante a música. Gosto disso. Gosto de músicas com partes interessantes.

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Nem sempre era fácil para OZZY aprender direito as letras de GEEZER. Ele certamente se embolou em "Into the Void". A música tem uma parte lenta, mas o riff em que OZZY entra é muito rápido. OZZY tinha de cantar muito depressa: "Rocket engines burning fuel so fast, up into the night sky they blast", palavras rápidas como essas. GEEZER tinha escrito a letra inteira para ele.

- Rocket wuhtuputtipuh, que porra é essa, não consigo cantar isso!

Vê-lo tentar foi hilário.

Assim como em nosso álbuns anteriores, o Master of Reality teve alguns momentos controversos. "Sweet Leaf" aborreceu algumas pessoas por causa da referência a drogas, e o mesmo aconteceu com "After Forever", graças ao verso irônico de GEEZER: "Would you like to see the Pope on the end of a rope".

A capa também era peculiar: desta vez, só tinha palavras em roxo e preto sobre um fundo preto. Meio no estilo do SPINAL TAP, mas também antes do SPINAL TAP. Embora desta vez tivéssemos duas semanas para gravar o álbum, com Rodger Bain na produção e Tom Allom na engenharia mais uma vez, musicalmente o Master of Reality era uma continuação do Paranoid.

Na época, eu achava que o som poderia ter saído um pouco melhor. Este é o problema de ser um músico: você quer que as coisas saiam de determinada maneira, que soem de certa forma e, portanto, é difícil para outras pessoas cuidarem disso.

Quando a música vai para as mãos de outra pessoa, você não tem nenhum controle sobre ela e, quando a ouve, não é como esperava que fosse. Foi por isso que me envolvi cada vez mais depois desses primeiros álbuns.

Essa matéria faz parte da categoria Trecharias BioRockers e da Biblioteca Cifranegriana - Portalblog cifranegramisterial.com.

Faixa 7: Solitude | Álbum: Master Of Reality (1971) | BLACK SABBATH | Gravadora: Warner Bros. Records | Produtor: Rodger Bain

Faixa 1: Sweet Leaf | Álbum: Master Of Reality (1971) | BLACK SABBATH | Gravadora: Warner Bros. Records | Produtor: Rodger Bain

Faixa 8: Into The Void | Álbum: Master Of Reality (1971) | BLACK SABBATH | Gravadora: Warner Bros. Records | Produtor: Rodger Bain




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Sobre Fotoboard Tramparia

Fotógrafo artístico que registra e cria cenários com objetos ligados a cultura pop/rock, como CDs, livros, camisetas etc. Edita textos, fotos e divulga bandas no Portalblog cifranegramisterial.com. Desde os tempos de guri, ouve Led Zeppelin, The Cult, Rush, AC/DC, Iron Maiden, Guns N' Roses, Alice In Chains, entre outras inúmeras lendas do rock/metal. Toca piano e teclado, pratica esportes e está sempre em busca de energia rock and roll e da natureza.

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