U2: a genialidade de uma banda em constante inovação
Por João Victor Martins Ruyz
Fonte: U2BR
Postado em 06 de julho de 2017
Quando anunciada uma turnê em celebração aos 30 anos de "The Joshua Tree", muito se falou sobre como seria montado o setlist. Por fim, notou-se que as músicas foram escolhidas em uma forma de cronologia (ok, nem sempre a cronologia é fidedigna). E para "Beautiful Day", um dos grandes hinos desse século – o início da era da tecnologia –, abusou-se de uma modernidade imensa. À época do álbum que carrega o título da tour, não se usava tantos apetrechos tecnológicos. Um modo simbólico de mostrar que a banda, assim como o mundo ao seu redor, permanece em constante adaptação e, mesmo mudando a textura de suas músicas, mantém sua essência em ser gigante.
A introdução – nesta tour, sendo bastante estendida, soa como um prelúdio para o novo milênio – já é carregada dos mais belos efeitos que seriam possíveis adotar em uma turnê de tão grande porte. São luzes e cores das mais variadas. Um brilho a mais para a "Joshua Tree" (neste momento do show, vemos o telão, assim como a famosa árvore, ganharem novas cores. O U2 muda de ambiente, mas carrega consigo, para novos tempos, o passado). Caminham para o futuro, sem esquecer a história pela qual passaram. Os garotos que uma vez alcançaram o topo do mundo, hoje são homens que se mantiveram no topo – mesmo que hoje o mundo seja domado por outros tantos garotos.
A "Joshua Tree", por trás do quarteto acima do palco, pode ser uma representação simbólica da passagem entre a inocência e a experiência (iNNOCENCE Tour e a futura eXPERIENCE Tour).
E então, o ato mais surpreendente de todos. Antecedendo a ponte, "See the world in green and blue…", há um espaço instrumental. Depois do primeiro show em Vancouver não foi possível compreender direito a causa dele. Mas conforme aconteciam os shows posteriores, ficou claro que esse espaço serve para Bono "cantarolar" das mais diversas músicas de diversos artistas – os famosos "snippets" sempre presentes nos espetáculos do U2.
Por ser uma das maiores bandas do planeta, a exigência que o U2 tem para consigo mesmo pode soar estranha. Aliás, quando você é imenso tal qual essa banda, o que é "bom o suficiente"? E como você luta contra a síndrome de dinossauro, que atinge várias bandas (não precisamos citar nomes) – artistas veteranos que sobrevivem com hits do passado, enquanto suas novas canções são ouvidas apenas no intervalo para ir ao banheiro? É uma síndrome da carreira musical com a qual o U2 luta – e sai vencedor – constantemente contra. O custo é a longa demora para se finalizar novos trabalhos.
Tradução livre de recente publicação do site Variety
A cada show, o vocalista parece escolher um trecho que faça parte do contexto do momento/da cidade.
Por exemplo, no festival Bonnaroo, Bono cantou o refrão de "Under the Bridge", do Red Hot Chili Peppers. A banda em questão seria atração principal no dia seguinte do festival.
Em Seattle, cantou um trecho da banda Pearl Jam; em Massachusetts, "Dream On", do Aerosmith.
Em New Jersey, cidade que ganhou um mural de David Bowie no ano passado, e cuja estrutura externa é ilustrada pelo brasileiro Eduardo Kobra, Bono cantou "Starman".
No último show dessa leg pela américa do norte, em Ohio, Cleveland, a banda tocou um trecho de canção do The Pretenders. A fundadora, e vocalista da banda, Chrissie Hynde, nasceu em Ohio.
Vale destacar que o tempo deixado antes da ponte começar é perfeito para que seja feito o snippet de qualquer canção que Bono deseje. Para uma banda que usa snippets como artifício para trazer um detalhe a mais para os shows, essa mudança em "Beautiful Day" soa bem atraente.
Talvez a banda tenha a percepção de que simples trechos de outras músicas podem trazer das mais variadas lembranças ao público presente nos espetáculos. Lembranças que podem tornar um dia conturbado em um dia lindo. E é esse o poder da música.
Mas não é só isso. Após o snippet ser feito, a mudança mais radical. Com efeitos eletrônicos, a ponte é cantada por vozes com efeitos "robóticos". Nada melhor para celebrar o novo milênio, não?
A intenção, provavelmente, era que essas vozes robóticas cantassem, sozinhas, a ponte durante todos os shows. No primeiro show, Bono só cantou "After the flood, all the colours came out"; no segundo, cantou um pouco antes… a partir do terceiro show, começou a cantar praticamente todos os versos (de modo que esconde um pouco essas vozes especiais) – sabemos que o baixinho é um tanto ansioso!
O fato é que, mais uma vez, como sempre, a banda surpreende e inova o que já achávamos inovador o suficiente.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As 10 melhores bandas da história do metal, segundo o Loudwire
O maior frontman da história do rock, de acordo com o Loudwire
Dez bandas que apontam para a renovação do Rock Nacional cantado em português
As 10 melhores bandas de thrash metal de todos os tempos, segundo o Loudwire
A banda que morreu, renasceu com outro nome e mudou a história do rock duas vezes
Sanctuary anuncia show inédito no Brasil após 40 anos de espera
A reação de Lemmy Kilmister quando gravadora sugeriu que Motörhead gravasse um rap
Linkin Park emplaca 7ª música no Clube do Bilhão do Spotify
Scott Ian explica por que disco novo do Anthrax está demorando mais que gestação de elefante
Javier Bardem diz no Oscar que é do thrash e do speed metal, e cita Metallica e AC/DC
A cantora que Cazuza gostou tanto que aplaudiu show de forma bizarra e nada convencional
O presente estranho que Lemmy Kilmister deu para produtor do disco "Inferno"
A letra de Cazuza que Frejat murchou ao descobrir a verdade: "Jurava que eu era inspiração"
O cantor que Brian Johnson do AC/DC acha a voz bonita demais para competir: "Não é justo"
O ícone do rock e do metal que bebia sem parar - e nunca tinha ressaca


Os dois nomes citados por Cornell ao assumir que odiava rockstars arrogantes ou inacessíveis
3 hits que mostram quando o rock dos anos 80 deixou de ser rebelde e ficou mais maduro
O gênero que revolucionou o rock, mas The Edge achava insuportavelmente tedioso
Bono elege o que o heavy metal produz de pior, mas admite; "pode haver exceções"
Cinco razões que explicam por que a década de 1980 é o período de ouro do heavy metal
Poeira: Rockstars e as bandas que eles sonhavam fazer parte


