Kiss: em 2001, a jam com troca de provocações no palco
Por Igor Miranda
Postado em 02 de março de 2017
O início do século do Kiss não foi nada bacana. A banda estava em sua turnê de despedida, a "Farewell Tour", iniciada em março de 2000. A tour rodaria apenas pela América do Norte, mas, em 2001, o grupo decidiu retornar para uma série de shows no Japão e na Austrália.
Na ocasião, a situação já estava azeda entre os integrantes: o guitarrista Ace Frehley e o baterista Peter Criss, que haviam voltado em 1996, não queriam encerrar as atividades do grupo e desejavam melhorias no pagamento. Eles foram contratados e não recolocados como sócios da banda, como era na década de 1970.
Os chefes Paul Stanley e Gene Simmons optaram por encerrar o Kiss mesmo assim. E o contrato de Peter Criss só ia até o fim do ano 2000. Em 2001, ele já não integrava mais a banda.
Dessa forma, para a parte da turnê em Japão e Austrália, Eric Singer foi convidado para ocupar a vaga de Peter Criss. Sozinho contra os "patrões", Ace Frehley resolveu causar durante uma das apresentações dessa turnê.
Ao longo desses shows, era comum que o Kiss fizesse uma jam com algumas músicas, já no bis. Só que, em uma das ocasiões, o momento descontraído tomou uma proporção diferente. O clima ruim entre os músicos foi representado enquanto eles tocavam e interagiam, com alfinetadas e provocações.
Veja:
Na ocasião registrada no vídeo acima, a jam começa um pouco confusa, com Ace Frehley puxando o riff de "Parasite" na guitarra enquanto Paul Stanley falava com a plateia. Eric Singer o acompanha na bateria. O restante dos músicos se veem obrigados a tocarem um trecho da música.
Depois, Ace Frehley volta a resgatar uma música - desta vez é "New York Groove", de seu disco solo, lançado em conjunto com os demais integrantes do Kiss em 1978. Ao fim, Ace cumprimenta a plateia, enquanto Gene Simmons o observa de forma nada amigável.
Apesar de ser apenas um músico contratado para aquela ocasião, Eric Singer também se sentiu no direito de puxar "Strutter". Mas esta música foi bem recebida: além de ser figurinha carimbada dos repertórios, é uma composição de Paul Stanley, um dos chefes, enquanto as duas anteriores eram de autoria de Ace Frehley.
O problema é que Ace Frehley começa a errar os arranjos de "Strutter" enquanto a toca. Os equívocos são facilmente perceptíveis. Para a sorte do Spaceman, a música acaba.
Gene Simmons já não consegue mais esconder a sua insatisfação com Ace Frehley. Ele olha diretamente para o guitarrista, que parece não se importar. Frehley logo puxa outra música: "She".
Ao fim da canção, Simmons não se contém e alfineta o colega guitarrista. "O que a banda de Ace Frehley quer tocar agora?", questiona o Demon. Com uma expressão facial pouco amigável, Frehley responde com o riff de outra música de sua autoria: "Rocket Ride".
Somente Eric Singer consegue o acompanhar de fato. Em determinado momento, Gene Simmons diz para Ace Frehley cantar, mas o pedido é recusado. Na tentativa de acalmar os ânimos, Paul Stanley finaliza o momento "jam" com "Mr. Speed", música que Frehley, aparentemente, não sabe tocar.
No fim das contas, a turnê chegou ao fim em abril de 2001. Em uma entrevista, Ace Frehley havia dito que, após essa minitour, os cinco shows finais da carreira do Kiss aconteceriam no Madison Square Garden, nos Estados Unidos. As apresentações, no entanto, foram canceladas.
O Kiss decidiu retomar suas atividades em 2002, já sem Ace Frehley, mas com Peter Criss de volta. Tommy Thayer assumiu a guitarra e o grupo partiu para a gravação do CD/DVD Symphony: Alive IV e da realização da turnê World Domination Tour.
Peter Criss acabou por sair novamente do grupo, naquele mesmo ano, e foi substituído em definitivo por Eric Singer. A formação com Thayer e Singer segue até hoje.
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