Prince: um gênio musical desvendado em documentário
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 22 de abril de 2016
Qual branquelo oitentista, querendo funkear, não chupou o baixinho de Mineapolis? Reconheço minha propensão à hipérbole, mas, em se tratando de Prince, não exagerei muito.
O multi-instrumentista pertence àquele seleto clube de alteradores culturais, como Beatles, Smiths, Kraftwerk, Bowie. Especialmente nos anos 80, algumas de suas canções definiram a sonoridade do momento. Tomaria tempo e espaço demais demonstrar a influência ou tentativa descarada de cópia em cima de Prince.
Álbuns que não foram sucesso de massa, como Dirty Mind (1980), exerceram influência incalculável com sua mistura de funk, new wave, rock. Guitarra e sintetizador. Jimi Hendrix com Sly and the Family Stone. Álbuns não tão inspirados, nem tão comercialmente exitosos, como Controversy (1981) trazem petardos de pura libido. Ouça os gritinhos finos e o vocal "másculo" de Sexuality, embalados pela malvada batida funk. James Brown com diva funk-soul.
Prince é:
1) mistura de estilos e atrevimento polimorficamente perverso. Borrando, cruzando, não se importando com, transgredindo fronteiras musicais e de gênero. Homem, mulher, hétero, gay, bi, o que é/era Prince? Ele sabia que pop é pose e libido.
2) controle despótico e ultraindividualista da obra: em muitos álbuns, tocava todos os instrumentos. Nos shows, a banda tinha que seguir a risca até suas imposições de visual. Se não, ele despedia. Na era da inauguração da MTV, o visionário sabia da importância da imagem.
Quando a gravadora ameaçou não lançar Kiss, funk minimalista, o artista mandou um recado: não lancem que não lhes darei mais singles. Claro que a canção foi lançada e... foi para o número um, além de ser uma das coisas mais criativas da carreira.
3) coragem e talento para experimentar. Em 1984, depois que When Doves Cry estava mixada, ele simplesmente eliminou o baixo, que, junto com a bateria, geralmente são os definidores da levada na canção pop. Segundo consta, ele mormurou "ninguém vai acreditar nisso". E assim foi. A canção é uma das coisas mais chapantes da década com sua locomotiva sexy-edipiana de sintetizador, guitarra serrada e aquele timbre da bateria eletrônica que Prince inventou e caracterizou muito dos 80’s.
Para aprender isso e muito mais, recomendo com veemência o documentário Prince: The Glory Years, que coloca suas lentes de aumento precisamente na década em que o Príncipe imperou. A ênfase é em canções, não álbuns, que, claro, são citados, mas de cada um deles, um par de pérolas são pinçadas e comentadas.
O tom predominante é de babação de ovo, mas reconhece-se, por exemplo, que Nothing Compares 2 U só importa porque Sinead O’Connor a reinventou em 1990.
Prince sonhava canções. Foi assim com Manic Monday (1986), hit meio neo-psicodélico das Bangles. Prince sessentista? Sim, o músico foi influenciado pelos Beatles e Joni Mitchell.
O documentário termina com Batdance, seu último – e maior – single de sucesso arrasa-quarteirão. Dos anos 90 em diante, Sua Alteza deixou de lançar tendência, embora não tenha parado de compor canções memoráveis. Experimente Chelsea Rodgers, do álbum Planet Earth (2007), e veja se consegue não mexer os pezinhos.
Morte de Prince
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



David Gilmour aponta o maior guitarrista britânico de todos os tempos
Como Dave Mustaine entrou para o Metallica, segundo ele mesmo
Sepultura "rouba o show" no maior festival de heavy metal da Inglaterra, diz a Metal Hammer
A banda que poderia ter rivalizado com o Iron Maiden, segundo Regis Tadeu
A canção que fez Frank Sinatra capitular, depois de passar anos atacando o rock
A promessa que Ronnie James Dio fez para Bob Daisley e não cumpriu, após proposta irrecusável
A música que Bob Dylan considera sua maior composição sobre coração partido
As 10 melhores músicas dos anos 1960, segundo John Lennon
O dia que Paul McCartney conheceu Jesus e o levou para uma gravação dos Beatles
O vazio deixado pelo Edguy
A música mais pesada do Faith No More, segundo a Metal Hammer
A música do Rush que para Neil Peart só melhorou décadas depois de lançada
5 músicas que conseguem unir os tiozões do metal e a geração enzo
Morte de Jeff Hanneman aproximou Tom Araya e Kerry King
Slash revela o que realmente agravou briga com Axl Rose: "Era superficial e estúpido"
A música do Pink Floyd que Roger Waters não conseguia e David Gilmour não queria cantar
O lendário guitarrista que foi fazer um teste e tentou assumir o controle do Aerosmith
Blaze Bayley surpreende ao escolher maior música que escreveu para o Iron Maiden

Prince: Corey Taylor presta tocante homenagem em show
Paul Stanley: "Nikki Sixx, você poderia, por favor, calar a boca?"
Quando perdemos o artista que, para Slash, era um dos maiores talentos musicais do século 20

Os 10 melhores álbuns dos anos 1980, segundo Regis Tadeu
Os 250 melhores álbuns americanos de todos os tempos, segundo a UCR
O guitarrista que Prince achava que "tocava mais bonito" que Jimi Hendrix
A lenda do rock que foi mais influenciada por Carlos Santana que por Jimi Hendrix
Estudo revela domínio do rock entre as maiores extensões vocais - Descubra quem está no topo



