Guitarra: virtuosismo é válido?
Por Herick Sales
Fonte: Herick Sales Guitar
Postado em 21 de dezembro de 2015
Antes de qualquer coisa, virtuosismo, vem de virtude, logo ser virtuoso no instrumento, é ter virtudes para com o mesmo, que ao meu ver, é dominar bem sua execução, e não apenas "velocidade". Mas vamos lá. Onde surgiu isso? Não há data específica, mas ele tomou traços muito fortes, na era do Romantismo, e apesar de pouco se saber sobre sua exata data, digamos assim, teve seu pontapé inicial, em 1733, em Amsterdam, com a publicação da obra L'Arte del Violino ("A Arte do Violino") por Pietro Antonio Locatelli. Tal livro, continha uma coleção de 12 concertos , tendo um capriccio (vem de "capricho", que é um tipo de composição caracterizado pela forma livre, geralmente de caráter rápido, intenso e virtuosístico) para violino solo no primeiro e no último movimento de cada concerto, como uma espécie de cadenza (vem de "cadência", passagem virtuosística, quase sempre baseada em temas expressos anteriormente na obra, na qual o solista tem oportunidade de mostrar sua técnica).
Então, porquê essa explicação? Simples. Há uma certa teima e digo até ignorância de certas pessoas, que simplesmente cismam em dizer que guitarristas que fritam na guitarra, não possuem feeling, que isso não é tocar guitarra, e etc, e nunca procuraram ver um pouquinho da história da música. Gosto não se discute. Conhecimento, sim. Grandes cançôes que emocionaram e marcaram, utilizam sim, o virtuosismo como uma das ferramentas (leia o que eu disse: como uma das ferramentas!), de suas composiçôes. Da música erudita ao rock e suas vertentes, do blues ao metal, passando pelo flamenco (salve Paco de Lucia e Al Di Meola). A questão é saber usar isso ao seu favor, para engrandecer a música. Certa vez, um músico na qual tenho total respeito, e tive a oportunidade de tocar, João Castilho, guitarrista que já tocou com Ed Motta, Maria Bethânia, Djavan, dentre outros, disse que na música, menos é mais, porém, pode ser menos mesmo (imagine o mestre B.B. King tocando no… Megadeth para você entender…). Muitas notas podem entupir uma música de informação desnecessária, mas certas vezes, pode dar um up grade emocional incrível, levando o ouvinte a outras sensações . Então, há casos, em que a música precisa de mais elementos para tomar forma, e você não dá, seja por não ver, ou…falta de capacidade! Yes! Aqui está o dedo na ferida! É enormente mais fácil dizer que detesta trechos rápidos, velocidade, e etc, do que sentar o rabo na cadeira, e estudar/treinar mais, para alcançar um maior apuro técnico, para a execução de uma música, ou determinada idéia. A questão chave é saber usar, delinear a melodia através da mesma, criar um elemento surpresa, trazer você para outro trecho da canção, fator que muitos músicos pecam ao ficarem jogando notas a esmo, afinal, saber empregar a técnica é essencial, pois já ouvi muita gente querer fazer um solo melódico, com poucas notas, com escolha pífia de notas, sem usar corretamente as ferramentas de expressão necessárias (bends, vibratos, ligados, ser preciso, etc). Porém outros grandes músicos usaram o virtuosismo com maestria , criando canções históricas, ricas e intrigantes. Abaixo, trago exemplos belos de virtuosismo empregado com outras ferramentas, soando extremamente musical. Logo, depois de tais provas, simplesmente esbravejar contra, em parte, é desdenhar de boa parte da música de qualidade, e em alguns casos, esconder de si mesmo, a preguiça e falta de capacidade.
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