Metal em Terras Germânicas: Sobre a Atmosfera, Público e Cidades
Por Fernanda Alves de Souza
Fonte: Blog - The Withering Dawn
Postado em 05 de outubro de 2014
Morei por um tempo em Frankfurt e depois devido a universidade, mudei para um estado alemão conhecido como Nordrhein Westfalen, ou como é chamado por aqui NRW. Esse estado tem uma particularidade ótima para fãs de metal: Tem uma oferta impressionante de shows. Por concentrar a maior região metropolitana da Alemanha, acaba se tornando bastante atrativa. Quando uma banda realiza uma turnê nas bandas daqui, as paradas "obrigatórias" são: Berlim, Munique, Hamburgo e alguma cidade do NRW (como disse, as cidades são muito interligadas). Frankfurt e Sttutgart também recebem grandes shows.
Por morar na metropole renânia, já assiti shows em cidades como Dortmund, Essen, Düsseldorf, Oberhausen, Bochum e Colônia. Essas cidades revezam o "bastão" de receber eventos. A parte boa é que a cada show, uma nova surpresa: como será o local do show?
Os shows acontecem em locais menores que no Brasil. Fazendo um curto comparativo, vou falar de um show que a turnê passou pela minha cidade natal e pela Alemanha. Black Sabbath aconteceu no mirante do estádio Mineirão, em BH, ao passo que em Frankfurt o show aconteceu no Festhalle, um local para grandes shows, o que em "medidas belo-horizontinas" seria um show no Chevrollet Hall. O ponto no qual quero chegar: Shows na Alemanha são em locais menores, chega a ser mais aconchegante e gratificante chegar tão perto do palco.
O público é bem diverso: Você vê desde pré-adolescentes até idosos. E não importa se a banda tem 40 anos de carreira ou é uma iniciante, você verá pessoas de todas as faixas etárias. É bem engraçado a questão da diversidade e da aceitação, de modo geral as pessoas tem a liberdade de se expressar em seus corpos, seja por tatuagens, piercings ou pelo cabelo. Resultado: Você encontra alguém com idade para ser a sua mãe, com o cabelo rosa, com tatoos e cantando mais alto que você. Sim, acho isso super divertido, você ter essa liberdade.
Mas eu sinto falta do público brasileiro. Uma falta danada. Shows incríveis, set-lists memoráveis mas falta energia. O público daqui canta, mas não é como no Brasil. Sinto que somos bem mais emocionais nesse aspecto: cantamos com toda a força que temos, como se aquele fosse nosso último show (considerando a cidade que você mora e a banda, pode ser bem verdade), nos soltamos, gritamos e sentimos a música lá fundo. Sabe o que é ir a um festival cuja a headline é o Metallica, com um set list escolhido pelo público e você sentir saudades imensas do último show da mesma banda que viu no Brasil? Não quero cair no esteriótipo que alemães são frios, mesmo por que durante essa estadia tive grandes contra-exemplos, mas shows em terras brasileiras são energia pura.
Mas há nisso uma vantagem: Se fosse não suporta aquele empurra-empurra e prefere ver o show de forma sossegada, vai amar show aqui. É bem mais fácil se locomover, não precisa pegar longas filas para pegar um bom lugar e a grade não é tão impossível. Muitos preferem ficar mais atrás, perto das bebidas ou da mesa de som. Eu tentava não ficar atrás de alguém alto (que em terras alemãs é bem difícil).
A Alemanha é um país menor que Minas Gerais e recebe em média 5 a 7 shows por turnê. Aqui também existe o problema do desequilíbrio: Enquanto algumas cidades são figurinhas carimbadas, outros estados sequer recebem shows. É raro turnês englobarem estados da antiga Alemanha Socialista (aliás, as diferenças entre as regiões é discussão para outro texto), da mesma forma que há regiões esquecidas no nosso país. É uma realidade triste e mais triste é quando se compara as dimensões dos dois países. Como mudar esse cenário, para que mais cidades entrem na "rota" é uma tarefa árdua e por sorte está dando leves indícios de mudança.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As duas músicas do Metallica que Hetfield admite agora em 2026 que dão trabalho ao vivo
A música de Raul Seixas que faria ele ser "cancelado" nos dias de hoje
O guitarrista que usava "pedal demais" para os Rolling Stones; "só toque a porra da guitarra!"
O riff definitivo do hard rock, na opinião de Lars Ulrich, baterista do Metallica
Rafael Bittencourt desabafa sobre receios e "confiança rompida" com Edu Falaschi
A banda de rock que lucra com a infantilização do público adulto, segundo Regis Tadeu
A música "mais idiota de todos os tempos" que foi eleita por revista como a melhor do século XXI
Marcello Pompeu lança tributo ao Slayer e abre agenda para shows em 2026
Novo álbum do Kreator, "Krushers of the World" é elogiado em resenha do Blabbermouth
Festival SP From Hell confirma edição em abril com atrações nacionais e internacionais do metal
O cantor que Axl Rose admitiu ter medo de conhecer; "escuto o tempo todo"
O clássico que é como o "Stairway to Heaven" do Van Halen, segundo Sammy Hagar
Os três gigantes do rock que Eddie Van Halen nunca ouviu; preferia "o som do motor" do carro
Como é a estrutura empresarial e societária do Iron Maiden, segundo Regis Tadeu
O maior erro que Raul Seixas cometeu e o levou ao declínio, segundo Regis Tadeu
A canção do AC/DC que não existiria se não fosse por um personagem lendário de Clint Eastwood
Legião Urbana: O dia em que Renato calou a plateia do Programa Livre


O grunge não inventou o rock pesado - apenas chegou primeiro à MTV
E se cada estado do Brasil fosse representado por uma banda de metal?
Alcest - Discografia comentada
Frontman: quando o original não é a melhor opção
Pattie Boyd: o infernal triângulo com George Harrison e Eric Clapton



