Jon Bon Jovi: quando um músico renomado tenta ser ator
Por Alex Heilborn
Fonte: conversaposcreditos
Postado em 15 de março de 2013
De tempos em tempos os músicos se aventuram na sétima arte. Alguns conseguem inesperadamente entregar bons trabalhos como é o caso do Rei do Rock Elvis Presley e David Bowie, enquanto outros permanecem no limiar entre bom e o ruim, o respeitável e o piegas.
Filho de Carol Sharkey, uma das primeiras coelhinhas da revista Playboy, John Francis Bongiovi Jr é, além de músico, dono de uma das mais lucrativas (e porque não boas) bandas de rock n’ roll da história norte americana. Como se isso não fosse o bastante, ele ainda é dono de um time de futebol americano (o Philadelphia Soul), ativista político e quando sobra tempo, tenta ser ator.
Em 1990 Jon Bon Jovi (nome artístico adotado) realiza seu debute com uma breve aparição em "Jovem Demais para Morrer", que rendeu ao ator sua primeira e, até aqui, única indicação ao Oscar. Antes que o leitor se assuste, a indicação foi para Melhor Canção Original, com a música "Blaze of Glory", faixa-título do filme.
Dois anos depois e, após as gravações do álbum "Keep the Faith", Jon se arrisca uma vez mais ao contracenar com a então top model Cindy Crawford, no vídeo clipe da música "Please Come Home for Christmas". Sua atuação se resume em praticamente passar o clipe todo beijando e apalpando a diva, realizando assim seu grande sonho (pelo menos é o que se ventila nos anais do rock).
Mas, foi apenas em 1995 após o término da turnê de "These Days", que Jon realiza sua verdadeira estréia como ator no longa "O Jogo da Verdade". Seu papel é de um pintor que "resolve pintar" não só a casa, mas também a recém viúva (dona da casa). O papel é canastrão e pouco exigiu do cantor, até então famoso por arrancar suspiros das fãs mundo afora.
Já em 1996 Bon Jovi se arrisca como protagonista da produção britânica "O Sedutor", contracenando com renomados atores como Anna Galiena, Thandie Newton e Lambert Wilson. Apesar de caricato e em alguns momentos exageradamente garanhão, Jon fornece uma atuação até convincente. Entretanto, o filme não foi bem aceito mesmo com a tentativa do ator em excursionar pelos países onde era mais popular, na esperança de evitar um fracasso.
Alguns anos se passaram e outros filmes muito ruins foram produzidos com a participação do músico. Entre os anos de 1999 a 2002, Jon se arriscou em seriados televisivos como "Sex and the City" e "Ally McBeal", conseguindo prover breves aparições cômicas como o episódio onde sua personagem Seth conhece a famosa Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) na sala de espera de um consultório de psicologia e após algum tempo consegue levar sua "nova amiga" para a cama. O cômico desta cena final reside no momento onde Carrie pergunta o motivo que levou Seth a buscar um psicólogo, uma vez que ele parecia ser um cara bastante normal. A hilária resposta foi "É que eu sempre perco o interesse pela mulher depois que a levo para cama pela primeira vez".
Até aqui as atuações de Jon Bon Jovi não fugiam do seu papel na vida real, o de mulherengo rocker da década de 1980. Foi então que em 2000 o ator é contratado para outras duas "pontas" no bom "U-571 - A Batalha do Atlântico" com o galã Matthew McConaughey e no interessante "A Corrente do Bem" com Haley Joel Osment (o eterno garoto "I see dead people" de "O Sexto Sentido"), Helen Hunt e Kevin Spacey.
Mas quando seus fãs acreditavam que finalmente John Francis Bongiovi vingaria como um ator de papéis respeitáveis, surge a maior bomba de sua carreira: "Vampiros – Os Mortos" de 2002. Lançado direto para vídeo, não conseguimos entender a razão que o levou a interpretar um caçador de vampiros surfista, que a mando de uma Ordem sai México afora para exterminar chupadores de sangue. A sinopse do filme em si é merecedora de um troféu Framboesa.
Já em 2005 surge a cereja do bolo com o terrir (modalidade de filmes de terror cujo absurdo e exagero nas cenas são marcas registradas ) "Cry Wolf – O Jogo da Mentira", onde o ator tenta convencer como um professor de faculdade.
É difícil dizer se Jon Bon Jovi é, ou não, um péssimo ator, pois até hoje foram poucos os papéis escolhidos com sensatez (filmes com bons roteiros). As fracas e caricatas aparições foram amparadas por filmes também fracos e, somente em duas ocasiões o músico atuou sobriamente, porém nestas ocasiões o seu tempo de participação na obra foi pequeno.
O resumo da ópera é que por enquanto, como ator, Jon Bon Jovi tem-se saído um ótimo e premiado músico. Acreditamos que até exista um potencial a ser lapidado no artista, mas para isso seriam necessários muitos anos de estudo e prática dramatúrgica, o que nos leva a realizar a seguinte pergunta: após tanto sucesso musical e milhões na conta bancária, qual é a real necessidade desse homem em ser famoso também em Hollywood?
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