Doors: os álbuns esquecidos da banda após Jim Morrison
Por André Molina
Postado em 12 de maio de 2009
A passagem da reencarnação dos The Doors pelo Brasil em 2009 motivou a realização de uma pesquisa discográfica mais profunda sobre trabalho da banda. Além de voltar a escutar a discografia básica, composta pelos seis álbuns com Jim Morrison nos vocais ("The Doors", "Strange Days", "Waiting For The Sun", "The Soft Parade", "Morrison Hotel" e "LA Woman"), surgiu a grande curiosidade de conhecer os esquecidos trabalhos "Other Voices" (1971) e "Full Circle" (1972). Os discos são pouco reconhecidos porque foram feitos sem a presença do líder da banda e, atualmente, estão fora de catálogo. Para conseguir os álbuns só mesmo pela internet. É uma pena, porque as capas chamam a atenção. A de "Other Voices" apresenta uma foto em preto e branco dos três integrantes que sobraram. Ao ver a capa é possível sentir a ausência de Morrison. Em "Full Circle", a ilustração parece ser inspirada nas pinturas de Salvador Dali.
É importante mencionar que os dois álbuns foram fracassos de venda e motivaram a separação definitiva da banda.
As outras vozes das portas da percepção
Três meses após a morte pouco esclarecida de Jim Morrison em Paris no ano de 1971, a banda decidiu lançar um disco, que começou a ser confeccionado ainda quando o vocalista estava vivo. Morrison não teria acompanhado o início dos trabalhos porque estava de férias na França e não chegou a gravar as vozes.
Para não deixar o trabalho pela "metade", a gravadora Elektra propôs que Ray Manzarek (teclado) e Robbie Krieger (guitarra) assumissem os vocais. Os três integrantes remanescentes aceitaram o pedido para finalizar o álbum. Com o objetivo de anunciar que Manzarek e Krieger ficaram responsáveis pelo microfone, o disco foi batizado de "Other Voices".
No primeiro álbum sem Jim Morrison, os Doors atiraram para todos os lados. Em alguns momentos as canções se assemelham ao Pink Floyd da fase Syd Barret. A música "Down On The Farm" é um exemplo. Mesmo assim o disco deve ser prestigiado por enfatizar características dos membros mais obscuros, como John Densmore e Robbie Krieger.
A faixa de abertura, "In The Eye Of The Sun", sem intenção alguma, parece antecipar a batida da Disco Music, que se tornou popular anos mais tarde. Nos vocais de Manzarek e Krieger existe uma grande influência de Mick Jagger. Na canção "Tightrope Ride", é fácil identificar as influências de Rolling Stones não só na voz. A sonoridade da guitarra é semelhante a do instrumento de Keith Richards, gravada em discos como "Let It Bleed".
Quem é fã dos Doors pode amar ou odiar os dois discos. Já os admiradores do rock setentista de outras bandas vai gostar e encontrar semelhança com os demais grupos da época. Por não ter mais a presença de Morrison, os Doors estavam tentando construir uma outra identidade. Em "I’m Horny , I’m Stoned", o grupo demonstra influências do rock britânico, como da banda "The Who".
Na música que fecha o álbum, "Hang On To Your Life", os Doors apresentam o momento mais psicodélico do disco. Ao misturar a percussão de John Densmore, nitidamente influenciada por ritmos latinos, e a guitarra de Robbie Krieger, que executa solos semelhantes à de Carlos Santana, a banda completa a salada. No final da faixa, os Doors exibem um peso em sua música nunca apresentado.
É fácil perceber em "Other Voices" que John Densmore deixa mais explícito as influências do Jazz e Robbie Krieger abusa dos solos de guitarra. É a maneira que os integrantes encontraram para tentar preencher o espaço deixado por Jim Morrison. Na época, os membros se preocuparam em se desenvolver como instrumentistas.
O último disco sem Jim Morrison
O segundo e último álbum dos Doors sem Jim Morrison segue na mesma linha. Influências de sobra do início da década de 70, do Jazz e da música latina. A canção que abre o trabalho, denominada "Get Up And Dance", continua a lembrar Rolling Stones. Em "4 Billion Soul" e "Verdilac", a banda se mantém menos pesada e mais acústica que em "Other Voices".
Em "Hardwood Floor", as sombras de Mick Jagger e de Keith Richards aparecem ainda com mais nitidez. A canção parece ter sido retirada do disco "Stick Fingers", dos Stones.
A faixa seguinte é o clássico da década de 50, "Good Rockin", que apesar de estar mais pesada não compromete o arranjo original. É interessante conferir os Doors executando um rock tradicional. Na época em que Jim Morrison estava nos vocais, o grupo, dificilmente, recorria a estes recursos.
Em seguida, a banda apresenta o que se pode considerar o maior equívoco discográfico que cometeu: a canção "The Mosquito", que altera partes da letra em espanhol e inglês. Na primeira audição, causa certa estranheza, mas é necessário destacar os solos de Robbie Krieger, que demonstra ainda mais liberdade para improvisar.
Pela leveza e sonoridade psicodélica, é importante mencionar a canção "The Piano Bird". A percussão de Densmore e a guitarra base de Krieger se caracterizam como um belo pano de fundo para os improvisos de piano e, principalmente, de flauta.
Ao entrar em contato com os dois álbuns é importante fazer uma análise sem preconceitos e saber que pouca semelhança com os Doors da "Era Morrison" será encontrada. Todos os fãs dos Doors sabem que o grupo não é o mesmo sem a poesia de Morrison. Ele conseguia unir as diferentes influências dos demais membros para manter o equilíbrio musical.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Pôster do Guns em Fortaleza gera reação da Arquidiocese com imagem de Jesus abraçando Axl
Baixista admite que saída do Korn se deu por recusa a tomar vacina
Como Kai Hansen do Helloween destravou a reunião do Angra com Edu Falaschi
Sobrinha de Clive Burr (Iron Maiden) fará estreia na WWE
Slash escolhe o maior álbum ao vivo de todos os tempos; "Eu amo esse disco"
10 discos que provam que 1980 foi o melhor ano da história do rock e do heavy metal
O maior cantor da história do rock progressivo, em lista de 11 vocalistas feita pela Loudwire
15 bandas de rock e heavy metal que colocaram seus nomes em letras de músicas
Mortification fará quatro shows no Brasil em 2027; confira datas e locais
Rodolfo revela atitude de Danilo Gentili que o surpreendeu positivamente na TV
O clássico do prog que Neil Peart disse que era a trilha sonora de sua vida
O clássico do metal com solos de guitarra "sem nada a ver com música", segundo Rick Rubin
O disco do Sepultura que tem vários "hinos do thrash metal", segundo Max Cavalera
Cavalera Conspiracy participará de evento que celebra 40 anos de "Reign in Blood", do Slayer
Por que Jimmy Page exigiu controle total sobre o Led Zeppelin, segundo o próprio

Os 10 piores músicos que passaram por bandas de rock clássicas
A canção do Doors que nasceu no fim de uma relação, virou pesadelo no palco e foi pra guerra
A música do The Doors que dava sono em Paul Gilbert: "isso era chato pra mim"
O melhor álbum do The Doors de todos os tempos, segundo Alice Cooper
A época em que Regis Tadeu ganhava a vida fazendo covers de The Doors e Lou Reed
Jaco Pastorius: um gênio atormentado
Para entender: o que é rock progressivo?


