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Bo Diddley

Por Márcio Ribeiro
Em 06/04/06

Mesmo com poucos hits, todos ainda na década de 50 e início de 60, Bo Diddley é um dos músicos que mais influenciaram o blues, o rock e o rap com a criação de uma batida toda sua - "bomp, ba-bomp-bomp, bomp, bomp". Batida aproveitada por praticamente todo mundo no meio musical, desde Muddy Waters, que desacelerou o tempo e criou "Mannish Boy", a Johnny Otis (com seu "Willie And The Hand Jive"), a Buddy Holly (com seu popular "Not Fade Away"), às bandas de garagem como Strangelovers (com o hit de 1965, "I Want Candy") e a ícones como David Bowie (com "Unwashed Slightly Dazed" e "Jean Genie"). Todas estão tocando no rítmo de Bo Diddley.

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Diddley nasceu em 30 de dezembro de 1928, em uma fazenda entre McComb e Magnolia, no Mississippi, perto da fronteira do estado de Louisiana, com o nome de Ellas Otha Bates. Nunca conheceu o pai, a quem sequer sabe o nome. A mãe, Ethel Wilson, o entregou para ser adotado e criado pela família McDaniels, de quem herda o sobrenome. Os McDaniels se mudaram para Chicago em 1934, onde Ellas pode estudar violino na Ebenezer Baptist Church, tornando-se músico da orquestra da igreja até 1946.

Aos doze anos, sua irmã Lucille deu-lhe de presente de natal um violão, que ele aprendeu a tocar sozinho. Foi durante essa fase de garoto, muito travesso, brigão e moleque, que ele ganhou o seu apelido de Bo Diddley. "Bo", corruptela de boy (menino) e "diddley", que em inglês significa enganar ou prejudicar, daria a idéia então de um garoto enganador ou travesso, apelido dado pelos colegas de escola. Existem versões que creditam a origem do seu nome a raízes africanas e instrumentos feitos de um "bow" (um arco, como o do berimbau). São interpretações interessantes, porém excessivamente intelectualizadas para representar o raciocínio de um apelido dado entre crianças. Se você perguntar ao Bo, provavelmente ele vai lhe dizer que não sabe o que seu apelido significa. Durante o ano de 1941, Bo também tocou trombone para a Baptist Congress Band.

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Bo fez amizade e passou a tocar com Earl Hooker, primo de John Lee Hooker. Earl então apresentou a música de seu parente famoso a Bo e este então abandonou definitivamente a música clássica pelo rhythm’n’blues. Bo acabou formando uma banda em 1943 com Joe Leon "Jody" Williams na guitarra e mais Roosevelt Jackson em um baixo feito de vassoura e uma bacia de latão. Chamavam-se de The Hipsters, mudando depois para The Langley Avenue Jive Cats e tocavam nas calçadas por trocados jogados pelos pedestres.

Fascinado pelo universo da música clássica, seus ouvidos eram maravilhados pela força e o volume da percussão de uma orchestra. Ele mesmo é o primeiro a confessar que foi como baterista frustrado que ele tentou tirar o som percussivo que ele amava, na sua guitarra. Assim ele começou a esbarrar em uma batida sincopada similar àquela que gente nos anos 40 fazia com as big bands, porém em um formato bem mais cru, tendo em suas raízes a herança da música africana.

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Casou-se com Lousie Woolingham em 1945, mas o casamento se desfez logo. Casou-se novamente em 1946 com Ethel Mae "Tootsie" Smith, relação que duraria uma década antes do inevitável divórcio. Com Tootsie ele teve dois filhos. Dentre os anos de 1946 e 1951 trabalhou em diversos serviços fora da música, como motorista de caminhão, peão de obra, e como boxeador semi-profissional.

Em 1950, Jerome Greene, que tocava tuba e morava no apartamento embaixo do dele, foi convocado por Diddley a passar o chapéu enquanto a banda tocava. Querendo acentuar o rítmo sem precisar carregar uma bateria pelas ruas de Chicago, Bo entregou um par de maracas a Jerome e lhe ensinou a manter o ritmo. Jerome tocou com Bo até novembro de 1964 quando se casou e largou a banda. Sua presença e estilo influenciariam - e seria imitado por - jovens ingleses em início de carreira, como Mick Jagger dos Rolling Stones, Paul Jones do Manfred Mann, Phil May do Pretty Things, Davy Jones dos Monkees e vários outros.

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Outro reforço para o grupo chegou com o nome de Billy Boy Arnold na gaita. Depois de quase uma década se exibindo nas ruas, Bo Diddley em 1951, finalmente teve a oportunidade de poder tocar em um casa, o 708 Club. Apresentações com boa recepção atraíram um convite para gravar uma demo com duas de suas composições, "Uncle John" e "I'm A Man". Apesar das demos serem seguidamente recusadas por gravadoras como a Vee-Jay, valeram outros gigs em clubes dentro do circuito r&b de Chicago. Somente em 1955 Bo conseguiria fisgar o interesse de alguém ligado a uma gravadora, os irmãos Leonard e Phil Chess, donos da Chess Records. A esta altura, Diddley estava tocando com a mesma banda, mais James Bradford no contrabaixo, substituindo Jackson, e Clifton James na bateria. Os irmãos Chess sugeriram que Diddley mudasse a letra de "Uncle John" para algo mais pessoal e as duas músicas foram regravadas no dia 2 de março, sendo lançadas na primavera como o compacto "Bo Diddley"/"I'm A Man". "Bo Diddley" foi direto para o nº1.

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As duas músicas tinham um som que ninguém nunca havia ouvido. Era um riff alto e intenso, com a linguagem das ruas que só os negros usam, áspero, porém com senso de humor. Na canção "Bo Diddley", Bo utilizou tremolo, fuzz e efeitos com feedback, que nunca foram pensados antes. Somente Jimi Hendrix, mais de uma década depois, iria voltar a experimentar com a proposta e evoluir a técnica. Em "I'm A Man" Diddley criou um riff de blues devastador, com uma gaita que incita inesgotável combustão. O resultado final nas duas faixas nem era puro rhythm & blues, nem puro blues, mas uma coisa embebida nos dois, porém ao mesmo tempo, totalmente nova.

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Bo Diddley tornou-se um sucesso instantâneo dentro do circuito negro do rhythm & blues. Em suas apresentações ao vivo, forjara uma imagem de selvagem e ameaçador, enquanto pulava e dançava, vestido todo em couro preto, cinto com fivela gigantesca e um chapéu de cowboy imenso na cabeça. Um visual que seria repetido em um momento ou outro na carreira de gente como Jim Morrison, Elvis Presley, Lou Reed e o Run DMC. Ainda em 1955, foi convidado a tocar no Ed Sullivan's Toast Of The Town, onde Ed pediu a ele para tocar uma canção de Hank Williams, a qual Bo Diddley ignorou solenemente, tocando seu material e nunca mais sendo convidado ao programa. Ainda em 1955, lançou "Diddley Daddy" e "Pretty Thing".

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Excursionou como atração principal do Alan Freed's Diddley Daddy R&B Show. No ano seguinte, gravou "Who Do You Love" e "Cops & Robbers", além de tocar guitarra para "Billy's Blues (Part 1 & 2)", de Billy Stewart. Viajou pelo país novamente com Alan Freed, desta vez com seu Rock and Roll Show. Em 1957 compõs "Love Is Strange", sucesso para a dupla Micky & Sylvia, canção que também faria sucesso com The Everly Brothers.

Entre um set e outro, no Apollo Theater de NYC, ainda em 1957, Bo saiu do teatro para refrescar a cabeça e viu uma menina de dezesseis anos do lado de fora, com um estojo de guitarra nas mãos. "Você sabe tocar esse troço?" Bo Diddley perguntou. "Claro! Quer ver?". A menina, Peggy Jones, que já havia gravado dois compactos fazendo parte de um coral, mostrou noções e pediu aulas. Bo procurou ensiná-la a tocar do seu jeito, com suas afinações nada ortodoxas, e quando Jody Williams, seu segundo guitarrista, foi convocado para servir o exército, Bo convidou Peggy para tomar o seu lugar. Bo Diddley se tornou assim o primeiro músico de primeira linha a ter uma mulher guitarrista na banda, e Peggy Jones, que seria mais conhecida com o nome artístico de Lady Bo, tornou-se a primeira mulher guitarrista a tocar entre os grandes, abrindo um precedente que só seria repetido em maior escala em meados da década de 70.

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Como Lady Bo aprendeu a tocar guitarra com Bo Diddley, ela aprendeu desde cedo a imitar o seu estilo peculiar, e com isso acabou mudando o som de Diddley simplesmente por reforçá-lo. O primeiro compacto desta sociedade musical, que continuaria por todas as gravações e apresentações que Diddley faria até 1961, é o já clássico "Hey! Bo Diddley"/"Mona". Excursionaram, apresentando-se em Los Angeles, Nova York, Cleveland e Chicago, dentro dos Estados Unidos, além de irem também para o Canadá e Austrália. Outros clássicos gravados durante este período seriam "Say, Boss Man", "I'm Sorry", que em 1958 chegaria a nº 17, e "Crackin' Up", que em 1959 chegaria a nº 14. Este foi seguido por "Say Man", que chegaria a nº 3 e é o seu maior hit dentro dos Estados Unidos. A canção é basicamente Bo e Jerome conversando ao ritmo da música. A canção é vista em retrospectiva como o primeiro rap a ser gravado, exatos vinte anos antes da fórmula reaparecer, no final de 1979, na canção "Rapper's Delight", e ser devidamente rotulada e absorvida como estilo. "Say Man" abriu espaço para uma continuação chamada "Say Man, Back Again", do mesmo ano.

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Em 1960, "Road Runner"/"My Story" chegaria a nº 20 e foi seguido por outros compactos que não chegaram entre os vinte melhores, como "Walkin' & Talkin'"/"Craw-Dad" e "Gunslinger"/"Signifying Blues", além de "Aztec"/"Not Guilty", de 1961, que tem todas as guitarras e arranjos feitos por Lady Bo. Sua última contribuição desta fase foi "Pills"/"Call Me", de onde ela seguiria para cuidar da própria carreira, como Lady Bo & The Family Jewel. Paralelamente ela continuaria a fazer trabalhos como sessionwoman e pode ser ouvida fazendo as percussões no famoso hit de 1967 "San Francisco Nights", de Eric Burdon & The Animals.

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Bo Diddley é o primeiro em diversas frentes. Não só o primeiro a ter uma guitarrista mulher na banda mas o primeiro a utilizar um modelo alternativo para sua guitarra, com o intuito de ter uma marca pessoal - sua imediatamente famosa guitarra quadrada. Bo tirou o braço e todos os circuitos da sua guitarra Gretsch e colocou-as no corpo quadrado que ele mesmo construiu. Gostou do todo, mas acabou pouco depois encomendando à Gretsch uma especialmente para ele. Batizou sua guitarra quadrada de Big B e é esta guitarra que se vê em todos os seus discos e shows durante a década de 60 e parte da década de 70. Bo é também um dos precursores a tocar a guitarra entre as pernas, pelas costas ou com os dentes. O primeiro a utilizar amplificadores com distorção e desenvolver a técnica de utilizar tremolos e reverb para modular e alterar o som, ou, como ele diria, "fazer a guitarra falar".

Em 1960, Bo mudou-se para Washington DC, onde montou um estúdio no porão de sua casa. Ele então se casou pela terceira vez, agora com Kay Reynolds, e teve outros dois filhos. Bo adicionou à banda duas meninas, as Bo-ettes, para, com Lady Bo, formar um trio vocal negro. The Bo-ettes eram Gloria Morgan e Lily "Bee Bee" Jamieson, que cantaram com Bo entre 1960 e 1961, voltando novamente entre 1965 e 1969. Quando Lady Bo saiu para seguir carreira solo, ele convocou outra mulher para tomar o seu lugar. Desta vez Norma-Jean Wofford, sua meia-irmã, conhecida como The Dutchess, que tocaria com ele até 1966.

Lançou em 1962 "You Can't Judge A Book By The Cover", seu último sucesso antes da invasão britânica e a mudança no mercado que veio com ela. Ainda naquele ano foi convidado a se apresentar na Casa Branca para o Presidente John Kennedy e convidados, em uma festa privativa. Em 1963 excursionou pelo Reino Unido com The Everly Brothers e The Rolling Stones. Durante esta passagem, em New Castle, Bo, Jerome e The Dutchess foram levados a assistir The Animals, banda inglesa que cantava várias de suas canções. Eric Burdon posteriormente escreveria e gravaria "The Story of Bo Diddley", que conta sobre este encontro. Com a invasão do rock inglês iniciada na América em 1964, são bandas como The Rolling Stones, The Animals, The Yardbirds e The Pretty Things que mais falam da importância de Bo Diddley para o cenário musical, abrindo ainda mais o interesse da América branca em reparar e valorizar seus músicos negros. Diddley gravou naquele ano seu antológico disco com Chuck Berry, chamado "Two Great Guitars".

Sua banda já mudara consideravelmente, e em 1965 as Bo-ettes iriam incluir ainda Della Horne, Cornelia Redmond, mais conhecida como Cookie, e Delores Redmond. A partir de 1966, Ricky Jolivet, mais conhecido por Bo Diddley Junior, estaria na guitarra, e Eddie Drennon no violino eletrificado. Os que permaneceram desde o início da década são Chester "Dr. Boo" Lindsey no baixo e os dois bateristas principais, Clifton James e Fred Below, que só deixariam Bo na década de 70. Para empresariá-lo foi contratada outra mulher, Margo Lewis, tecladista e cantora do grupo Goldie & The Gingerbread.

A esta altura de sua carreira, diversas bandas já gravaram suas músicas ou compuseram suas próprias canções utilizando o Bo Diddley Beat. Gene Vincent, em 1961, havia lançado "Hey! Bo Diddley" com o nome de "I'm Going Home", um grande hit no Reino Unido naquele ano. Os Rolling Stones tinham em suas apresentações ao vivo uma versão de vinte minutos de "Pretty Thing" e "Craw-Dad". A banda The Pretty Things tem em seu nome uma homenagem a Bo e sua canção. The Yardbirds gravaram "Bo Diddley Itis" e "I'm A Man", The Troggs gravaram "Mona", The Shadows of The Knight gravaram "Oh Yeah", Gary Walker regravou "She's Fine, She's Mine" com o nome de "You Don't Love Me", chegando entre as trinta mais tocadas de 1966, e a dupla de comediantes ingleses Peter Cook & Dudley Moore gravaram a história de um bluesman do Harlem chamado "Bo Dudley"! Filmes com suas apresentações já chegaram às telas do cinema, como "The Big TNT Show" e "The Legend of Bo Diddley". Ele é apelidade de "Bo Diddley - O Gladiador Negro" ou "Bo Diddley - 500% Mais Macho".

Em 1967 se mudou para Granada Hills, na Califórnia, e se fixou tocando mais no oeste, e ocasionalmente nos estados do sul. Gravou ainda naquele ano com Muddy Waters, em Chicago. Em 1969, a onda de nostalgia em reação ao rock original abriu mais o leque de opções para diversos artistas da década de 50. Os chamados Revival Shows se espalharam pela América e Europa trazendo de volta o interesse do público para nomes que iam de Elvis Presley a Fats Domino. É nesta época que Lady Bo voltou à banda e aí tocaram no Rock 'n' Roll Revival Festival de Toronto, que seria registrado em dois filmes, "Sweet Toronto" e "Keep On Rockin'". Apresentou-se durante o "The Man And His World Exibit" em Montreal, no ano seguinte.

Em 1971 excursionou pelo seu país com o Creedence Clearwater Revival. Gravou a trilha sonora para o desenho animado/longa metragem "Fritz The Cat", de Robert Crumb. Depois, deixou a Califórnia e passou a morar em Los Lunas, no Novo México, tornando-se o xerife da cidade, em 1974. Em 1972 os filmes "Let The Good Times Roll" e "The London's Rock And Roll Festival" foram gravados. Bo se apresentou no International Art of Jazz Festival, em Nova York, e no Montreux Jazz Festival, na Suíça. Mas diversas mudanças se passaram na banda. Seus bateristas foram substituídos por Brett Jackson, que permaneceu com Bo até 1993, e Lynn Eric Powell, que ficou só até 1978; Wally Malone, marido de Lady Bo, assumiu o baixo e vocais, e, como Jackson, continuaria na banda até 1993; Carla Lopez estava na percussão; Gabriel Christopher Manzo na guitarra e ajudando nos vocais; Patrina Jones nos teclados e também ajudando na percussão e vocais; Jim Pollack no saxofone; além de Lady Bo e Bo Diddley. Passaram a excursionar regularmente na Austrália, de 1973 a 1975. Notícias do falecimento de seu amigo Jerome Greene chegaram a seus ouvidos. Acredita-se que ele morrera morando em Nova York. Bo comentaria que "ele era mais do que um grande sujeito, ele era fantástico!". Bo deixou sua gravadora, a Chess Records, em 1974, e fez diversas aparições na televisão, nos programas de Dick Clark, Mike Douglas e Donny & Marie. Em 1975, além da Austrália, Bo voltou a excursionar pela Europa.

Em 1978, mesmo depois de sua guitarra sofrer pelo menos dois "upgrades" desde 1958, Bo acabou considerando a velha Big B obsoleta. Durante sua excursão de quatro semanas na Austrália, conheceu e contratou um luthier local para construir outra guitarra quadrada, especialmente para ele. Ela foi batizada de The Mean Machine. Diddley mudou-se para Hawthorne, na Flórida, e em 1979 excursionou pelo país abrindo para The Clash. Bo foi mais devagar, continuou excursionando de tempos em tempos, sempre dentro dos Estados Unidos, Austrália, Canadá e Europa. Em 1980, duas de suas filhas, Tammi Deanne McDaniel e Terri Lynne McDaniel-Bridge, bateria e teclados respectivamente, montaram uma banda, e a partir de 1983 Bo utilizou essa banda como base para a sua. Chamados de Offspring, compreendiam ainda Scott Deverin Smith na guitarra e Ronnie Mack Haughbrook no baixo, além de Lady Bo na guitarra e vocais. Neste ano ele ainda fez uma aparição no filme "Trading Places". Em 1985 fez parte do projeto Live Aid, tocando com George Thorogood, de cujo vídeo, "Bad To The Bone", também participou. Foi possivelmente o seu maior público, somando as pessoas no estádio mais as pessoas assistindo pela televisão ao redor do mundo.

Filmou o que seria lançado como "The 30th Anniversary Of Rock 'n' Roll All - Star Jam", estrelado por ele. Em 1986 foi convidado a ser membro do The Washington Area Music Association's Hall of Fame (Corredor da Fama da Associação de Música da Região de Washington) e no ano seguinte foi convidado a fazer parte do Rock And Roll Hall Of Fame, o Corredor da Fama de Rock 'n' Roll, que é um misto de museu e título honorário. Em 1989, um ano após completar 60 anos de idade, Bo Diddley, junto com Willie Dixon, foi convidado a fazer parte da Calçada da Fama Roqueira em Hollywood (The Hollywood Rock Walk). Diddley tirou ainda tempo e energia para excursionar, abrindo para Ron Wood.

A Bo Diddley foi oferecido, em 1990, The Lifetime Achievement Award, entregue pela revista Guitar World. Em 1992, Eric Clapton incluiu "Before You Accuse Me", que Bo lançou em 1957, no set da sua já famosa apresentação no Unplugged MTV. No mesmo ano, Bo Diddley aceitou tocar na Convenção Nacional do Partido Democrata, na cidade de Nova York, e no ano seguinte, Lady Bo, Wally Malone e todo o Offspring sairiam da banda. Ainda em 1993, Lady Bo também receberia um Lifetime Achievement Award pelas suas contribuições ao blues e pelo seu pioneirismo como musicista dentro do rock. Nesta mesma noite, ela também ganharia uma placa oferecida pela Gibson USA pela sua lealdade às guitarras Gibson.

Em sua nova banda temos Debby Hastings, que a partir de 1987 assumiria o baixo e continuaria tocando durante toda a década de 90. A nova banda se completou com Nunzio Signore na guitarra, que deixou o grupo em 1998, Margo Lewis, seu empresário em 1965, transformado em tecladista permanente, Dave Johnson na batera, que ficou também somente até 1998, sendo substituído por Yoshi Shimada, e finalmente Jon Paris, que cuidou da guitarrra e gaita a partir de 1998. Em 1996 Diddley recebeu outro Lifetime Achievement Award, desta vez entregue pela Rhythm And Blues Foundation e em 1998 recebeu outro Lifetime Achievement Award, desta vez pela Recording Acadamy, entregue durante a cerimônia de entrega dos Grammy Awards. Ele receberia também, com muito orgulho, a notícia de que o Rock 'n' Roll Hall Of Fame incluiu a canção "Bo Diddley" como sendo oficialmente uma das 500 canções que ajudaram a moldar o rock 'n' roll. Em dezembro Bo Diddley comemorou seus 70 anos de idade. Com a chegada do novo milênio, foi novamente homenageado com sua entrada no The Mississippi Musicians Hall of Fame.

Apresentando-se ao vivo até hoje, Bo Diddley, em seus mais de 47 anos de carreira, tem um legado e uma reputação que lhe garantem respeito como um dos mais criativos e singulares talentos do Século XX.

Hey! Bo Diddley!

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Sobre Márcio Ribeiro

Nascido no ano do rato. Era o inicio dos anos sessenta e quem tirou jovens como ele do eixo samba e bossa nova foi Roberto Carlos. O nosso Elvis levou o rock nacional à televisão abrindo as portas para um estilo musical estrangeiro em um país ufanista, prepotente e que acabaria tomado por um golpe militar. Com oito anos, já era maluco por Monkees, Beatles, Archies e temas de desenhos animados em geral. Hoje evita açúcar no seu rock embora clássicos sempre sejam clássicos.

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