André Prando: EP "Vão" disponível no SoundCloud
Por Victor Oliveira Sartório
Postado em 27 de fevereiro de 2014
A cena musical brasileira sempre sofreu com aquele estigma melhor representado e visualizado na doutrina judaico cristã: a de que ninguém é profeta em sua própria terra. A chaga – para continuar com a gramática da cristandade – é ainda maior quando se trata de estilo musical forasteiro: o rock and roll. Muito embora assimilado por enorme parte da população brasileira, que se enxerga mais neste derivado do blues norte-americano do que nos sons tupiniquins, é comum que o pé fique atrás e a cabeça cheia de preconceitos quando se trata de abrir os ouvidos às guitarras elétricas acompanhadas a uma linha vocal em língua portuguesa.
Estas guitarras elétricas abrasileiradas já foram mal vistas, inclusive, quando o som que começou a estourar lá fora estava sendo difundido aqui, especialmente pela Jovem Guarda, comandada pelo capixaba Roberto Carlos. Tão mal vistas que, em 1967, provocaram a que ficou conhecida como a inusitada "Passeata contra as guitarras elétricas", lideradas por alguns "filhos da bossa nova". Personalidades como Jair Rodrigues, Edu Lobo, Elís Regina e até Gilberto Gil – que se mostraria em cima do muro logo após –, mostraram seu descontentamento com o processo de incorporação cultural estrangeira que o Brasil vinha sofrendo. Alguns, entretanto, não era tão radicais, como Nara Leão, a "Musa da Bossa Nova", que, à época, retrucou ao amigo Caetano Veloso, que aquilo mais parecia manifestação do Partido Integralista, coisa de fascista. Este Caetano, juntamente com o volúvel Gilberto Gil, iniciariam talvez o movimento mais importante ao cenário do rock brasileiro: o tropicalismo – que, em contrapartida ao pensamento nacionalista de alguns músicos, não viram no rock norte-americano um poluente, mas um rico e consistente ingrediente, uma especiaria, que daria mais sabor à comida musical brasileira. E, como o sucesso atestou, estavam certos.
Descendente dos cozinheiros tropicalistas está o recém chegado na cena capixaba, André Prando. Natural de Vitória, músico de um lirismo libertário, como diria Manuel Bandeira, o jovem de 23 anos, da mesma forma que assume com classe tanto a viola brasileira, quanto a guitarra gringa, escreve e compõe sem preconceitos suas letras no idioma dos outros Manuéis (que não o nosso ali citado), com a poesia influenciada desde autores russos e ingleses a capixabas. Cidadão do mundo, o músico polivalente trouxe no início deste ano um prato cheio para os apreciadores da culinária musical rica e exótica, o seu lançamento em EP, "Vão", de quatro faixas – disponibilizado na página do músico no sítio online Sound Cloud bem como nos exemplares rodando à venda de forma independente nas ruas da Grande Vitória. E foi nesta que o músico começou, tocando sempre um repertório rico em bares e pubs, mostrando, em sua setlist, seu paladar para os mais distintos sons: desde Maurício Baia, Raul Seixas e Caetano Veloso até Audioslave (e os projetos de seu vocalista, Chris Cornell), Lou Reed, The Doors e Bob Dylan.
É peculiar notar uma outra grande distinção de sua música, quando assume a missão de resgatar e difundir o célebre cachoeirense, Sérgio Sampaio. Além de, quase sempre, dedicar parte de seu repertório às músicas do "Maldito da MPB", André foi além na sua identificação com o artista que, no próximo 15 de maio, completará 20 anos de seu falecimento: em 2012 organizou concertos tributos em homenagem ao cantor de "Eu quero botar meu bloco na rua": o evento chamado "Sexta-Sampaio". Ademais, suas versões das músicas difundidas em seu canal no YouTube chamaram a atenção até de parentes e amigos do cantor. Dentre eles, a irmã Mara Sampaio e o filho, João Breitschaft, que confiaram no talento desse artista da capital o resgate póstumo de uma música nunca antes gravada do cachoeirense ex-morador da Rua Moreira, chamada "Última Esperança", que será lançada no primeiro álbum de André Prando a sair ainda nesse ano – que já tem nome: "Estranho Sutil".
A "cozinha"/"profecia" de André Prando vem sendo bem consumida/ouvida nos últimos meses, ganhando cada vez mais reconhecimento, principalmente por suas canções autorais, que já ganharam grande maturidade depois de tantos anos dedicados à diversidade de artistas que o influenciaram. Ganhou, em 2011, o "V Festival Prato da Casa" – para ajudar na metáfora deste texto –, organizado pela Rádio Universitária, com a música "Inverso ano luz"; além de destaques no projeto "Catálogo da Música do Espírito Santo" do Sebrae/ES e no "III Festival Tarde no Bairro" de Santa Teresa. Agradou tanto o paladar dos capixabas que, neste ano, pelo voto popular, foi selecionado para tocar e abrir o Festival MUltipliQUI, em Muqui. O compositor, então, vem cada vez mostrando que santo de casa faz milagre sim.
Contato:
Acesse para ouvir, na íntegra, o EP "Vão", versões de canções de Sérgio Sampaio e outras:
SoundCloud: http://soundcloud.com/andreprando
YouTube: http://youtube.com/alpsff
Facebook: http://facebook/prandoandre
Para shows e outros: [email protected]
http://www.andreprando.com.br
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As bandas clássicas e nem tanto que estarão no novo game dos criadores do Guitar Hero
A melhor música do Anthrax de todos os tempos, segundo Scott Ian
Cinco bandas europeias de Heavy Metal que merecem mais atenção no Brasil
Dimmu Borgir confirmado no Liberation Festival em São Paulo
Copenhell vem aí com 76 bandas em 4 dias de shows; veja o line-up aqui
As 25 melhores bandas de todos os tempos, segundo a Classic Rock
Os melhores discos de 15 gigantes do thrash metal, segundo o Loudwire
Carcass ironiza estar abaixo de banda tributo em cartaz de festival
Metalcore além dos algoritmos: 3 bandas que merecem entrar no seu radar
Regis Tadeu e a banda clássica de hard que faz show ruim: "Melhor capinar lote com colher"
A música do Led Zeppelin que Brian May considera insuperável na obra da banda
Show do Kiss deu origem a uma das maiores bandas da história do thrash metal
O riff do Led Zeppelin que Jimmy Page acredita que continuará vivo para sempre
A música de um disco seminal do Metallica que James Hetfield nunca quis tocar ao vivo
A banda que era a "versão brasileira do Iron Maiden", segundo Max Cavalera
Por que o termo black metal foi inventado? Criador explica e dá crédito a Bon Jovi
Kiss: Gene gostava de Beatles porque seus pais não gostavam
5 discos lançados em 1984 que todo fã de heavy metal deveria ouvir ao menos uma vez na vida


Joe Satriani revela o guitarrista que ele ouve e diz: "Eu jamais alcançarei isso!"
Champignon: como morte de Chorão e críticas abalaram o baixista, segundo Tadeu Patolla
A música nostálgica dos anos 2000 que passou 1 bilhão no Spotify e salvou banda do fracasso
Rock Brasileiro da Década de 70
Axl Rose conta por que fica saindo do palco o tempo todo nos shows do Guns N' Roses
Como uma gravação pirata acabou gerando o disco mais vendido do rock nacional



