Arc Angels: Glória ao Stevie Ray Vaughan e ao blues-rock
Resenha - Arc Angels - Arc Angels
Por Eduardo Wolff
Postado em 23 de outubro de 2013
Houve então que, em 1990, um Deus do blues embarca para o céu. Stevie Ray Vaughan abandona a Terra, mas deixa seus anjos da guarda: os ex-companheiros da banda Double Trouble (Tommy Shannon, no baixo, e Chris Layton, na bateria). Estes ficam para perpetuar o som do blues-rock. Mas, não suficientemente fortes, chamaram os guitarristas e vocalistas Doyle Braham II e Charlie Sexton. Eis que surge o Arc Angels.
Os demônios, que sempre flertam com o blues, atingiram Doyle, envolvendo-o à tentação das drogas. Esta heresia, entre outros problemas, encurtaram a vida dos Angels, em 1993. Mesmo assim, os anjos foram lançados à Terra e à história da música.
O legado é apenas um álbum, que se eternizou. Para não perder a fé dos fãs, a banda realiza, desde 2009, alguns shows esporádicos, mas sem a presença de Shannon no palco. Nas turnês, Mark Newmark é o enviado para o contrabaixo. Estas aparições renderam um CD/DVD intitulado "Living in a Dream".
A título de curiosidade, Doyle contribuiu (e muito) para outro Deus: Eric Clapton. Tanto em apresentações em shows ao vivo, como atuando em vários discos. Desde "Riding with the King", de 2000, - que tem a parceria de outro ser superior, o mítico B.B. King - são oito discos que contam com a sua presença. Ainda tendo a honra de ter registradas duas covers de suas músicas: "Marry You" e "I Wanna Be", esta última composta em conjunto com Charlie Sexton.
Regressando ao álbum homônimo, este oferece uma interessante sincronia da bateria com o baixo. Uma base importante para as duas guitarras solarem independentes, no entanto completando as "frases" de uma com a outra. Doyle apresenta sonoridade mais "suja", abusando de distorções, bem ao estilo rock and roll. Já Sexton fica com a "limpa", bem tradicional do blues. Outra marca da banda é a troca de vocais na maioria das músicas, cantadas quase meio a meio. Ou seja, repartindo o pão.
Eis alguns destaques dos doze versículos que compõem esta obra. Um sonho é o tema de "Living In A Dream", que mostra a presença já referida da divisão de vocais. De forma "rasgada" vem Sexton, de maneira "anasalada" responde Doyle. Uma canção que lembra a guitarra de Stevie Ray. Outra canção que teria a benção de Vaugahn é "Paradise Café", que apresenta o ritmo do blues texano - uma levada mais visceral, com bom peso nas guitarras.
Com uma percussão inicial, são evocados os anjos e assim começa "Sent By Angels". Doyle monopoliza o vocal nessa música. Para deixar a base da canção mais "iluminada" foram utilizados um violão e um órgão de igreja.
As santas também tem vez no álbum. São duas baladas românticas interessantes, que canonizam duas mulheres. Ao som mais comercial, mas não menos celestial, vem "Sweet Nadine". Nesta, Sexton canta sobre uma garota inesquecível, mas que não sabe o seu verdadeiro nome. Diferentemente da outra, em "The Famous Jane", ele conhece bem a sua alcunha, além de recordar até da sua graça e pureza.
A influência do funk americano se apresenta por duas vezes no disco. Em "Good Time", Doyle canta grave e insere um wah-wah na guitarra; fora o baixo de Shannon ser bem pulsante. Elementos que evocam os espíritos da black music. Na mesma batida do groove tem "Carry Me On", mas com ritmo mais lento, flertando com o rhythm blues.
Ao som melancólico e com uma letra cheia de lamentações, a "See What Tomorrow Brings" tem o solo de guitarra "chorado" de Doyle, bem ao estilo de Clapton. Além disso, os riffs iniciais da música lembram "Sun King", dos Beatles.
A redenção pode ser conferida em duas músicas. A "Shape I'm In" é bem ao compasso dos rocks dos anos 1950. Já "Always Believed In You" possui a cadência mais contemporânea da época.
A composição das duas guitarras é o destaque de "Spanish Moon". Doyle e Sexton dão um show à parte. Tanto nos riffs como nos solos. Um abre a brecha para o outro solar.
Apesar do paraíso e anjos referidos, a queda também faz parte desse universo. Em "Too Many Ways To Fall" são males da vida que contextualizam a música, tendo um quê de levada musical dos Rolling Stones.
Após divagar sobre este álbum, segue uma passagem da Bíblia, em Salmos 103:20, que refere: "Bendigam o Senhor, vocês, seus anjos poderosos, que obedecem à sua palavra." O livro sagrado sugere aos anjos corresponderem à Deus, no entanto os mesmos podem ter o dom de emanar um som divino, como foi o caso deste disco.
Glória ao Stevie Ray. Ao Arc Angels. Ao blues-rock. Amém.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Guns N' Roses é adicionado a shows especiais do Aerosmith
As 5 melhores músicas do AC/DC com Bon Scott, segundo Gastão Moreira
O cover que o Iron Maiden mais tocou ao vivo durante a carreira
O significado de "Don't Look Back in Anger", segundo Noel Gallagher
Quando Brian May mandou uma mensagem para o Metallica; "Isso aquece meu coração"
Lollapalooza Brasil 2027 confirma cast oficial de atrações
Os seis países onde o Iron Maiden fez apenas um show durante toda a carreira
Regis Tadeu aponta o grave erro que o Metallica está cometendo em shows recentes
Charlie Benante explica o que o tirou dos shows recentes do Anthrax
Direto da Sunset Strip e ainda na ativa, 3 bandas para quem gosta duma boa farofa
O que Dee Snider acha da escolha de Sebastian Bach para seu lugar no Twisted Sister
Os três álbuns do Pink Floyd que Roger Waters não consegue engolir
Trivium anuncia novo álbum de estúdio, "Crown in the Grave"
A humilhação diante de um CAPTCHA que virou música do Deep Purple
Scott Ian (Anthrax) lembra "derrota" quando tentou acompanhar Lemmy na bebida
As seis músicas do Metallica que Dave Mustaine ajudou a escrever
Drogas e Álcool: protagonistas nos piores shows de grandes astros
Como foram os complicados últimos meses de vida de Raul Seixas, segundo Rick Ferreira


Paura mira em velhos problemas humanos e entrega muito metalcore em "Primitive Chaos"
Flotsam and Jetsam entrega fúria e maturação em "Rats in the Temple"
Pride Of Lions Mantém a Tradição do AOR Clássico em "Unbridled"
Quase vinte anos do seu lançamento, "Over The Under" ainda soa vigoroso
Use sua ilusão: o pseudo disco perfeito do Guns N' Roses
30 anos de "A Tempestade" - o álbum que se tornou a despedida de Renato Russo
Os 40 anos de "Reign in Blood", obra-prima do Slayer e um dos maiores clássicos do thrash metal
Carach Angren - O preço de brincar com a morte em "Franckensteina Strataemontanus"
O Julgamento do Metal Clássico: Rock Justice impressiona na estreia com "You've Been Served"
Iron Maiden: "Senjutsu" é uma prova de que "The X-Factor" é um discão



