O episódio que fez Léo Jaime e Cazuza se afastarem por anos: "Ele me xingava"
Por Gustavo Maiato
Postado em 03 de outubro de 2026
A amizade entre Léo Jaime e Cazuza começou antes da fama, quando os dois ainda eram adolescentes no Rio de Janeiro e passavam horas falando de poesia. Em entrevista ao Olha Só Podcast, o cantor relembrou essa relação. Ele foi quem incentivou o amigo a entrar no Barão Vermelho e também quem o aconselhou quando ele decidiu deixar a banda. No meio desse caminho, porém, houve um rompimento que Léo agora explica.
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Segundo ele, Cazuza mostrou a primeira composição de sua vida depois de pegar o violão da mão do amigo. Léo afirmou que aquela já era a obra de "um compositor maduro". Cazuza, no entanto, pediu segredo, porque temia ser visto como filhinho de papai: o pai, João Araújo, presidia a Som Livre. O Barão acabou gravando na própria gravadora, nos fins de semana e sem o conhecimento dele. O pai só descobriu o talento do filho ao ouvir Caetano Veloso cantar "Todo o Amor que Houver Nessa Vida" em um show. Elogiou a canção e ouviu da mulher, Lucinha Araújo, que a música era de Cazuza.
Léo fez questão de dizer que nunca foi um homem da noite. Ele contou que aprecia vinho, dry martini e margarita, e defendeu a bebida como parte da festa, desde que dentro do limite do bom humor. Naquela época, porém, viveu experiências com drogas que terminaram muito mal. Questionado pelo entrevistador se tinha sido uma overdose, confirmou. A partir dali, decidiu cortar o convívio com quem mantinha o mesmo hábito, e isso incluía o amigo mais próximo.
"Eu nunca gostei de ficar chapado. E nessa época eu tive umas experiências e me dei mal com as experiências. Não gostei das experiências. Tive um episódio de quase morte e tomei um horror absurdo. Quando você está lidando com a adição, a primeira coisa é evitar conviver com gente que está fazendo uso das coisas. Você tem que meio que sair daquela galera, sair daquela bolha. Aí comecei a evitar o Cazuza. Ele ficou puto, me xingava, até que ele entendeu. E a partir daí, quando ele entendeu que eu tinha chegado no meu limite, ele pisou fundo no acelerador. Ele tinha aquele conceito do Lobão, que é melhor dez anos a mil do que mil anos a dez. Ele foi com muita sede ao pote."
A reaproximação veio quando Cazuza quis deixar o Barão Vermelho e procurou Léo para saber como sair sem brigar com os colegas, como o amigo tinha feito com o João Penca e Seus Miquinhos Amestrados. O plano não saiu como combinado, e Cazuza chegou a ficar um tempo brigado com Frejat. "Ele era uma figura adorável, era assim uma peste, mas era uma peste adorável", disse Léo, que esteve perto do amigo também nos últimos anos de vida. "Foi um amigo querido, mas não foi um amigo de noitadas. Foi amigo de assuntos, de conversas mais sérias."
Confira o vídeo completo abaixo.
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