Que o Brasil virou rota certa para shows internacionais de vários portes, todos já sabem. Aliás, sabem muito bem, já que boa parte dos headbangers tem que operar milagres com suas economias para tentar prestigiar às suas bandas favoritas. Há ainda aqueles que devem tristemente optar por abrir mão de uma apresentação, para comparecer a outra. Contudo, não raro surgem aquelas datas pelas quais muitos vinham esperando e esses shows – ah, esses são imperdíveis, como o que rolou no último sábado, 20. Neste dia veio a São Paulo, depois de um hiato de quatro anos rondados por cancelamentos e especulações, um dos grandes ícones do thrash metal americano e quiçá mundial, Testament.
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Uma pena a banda Test, já famosa com sua Kombi e shows a céu aberto nas filas de shows, não ter comparecido. Seria uma boa opção para aquecer os bangers, além, de é claro, um pouco de álcool e o tradicional cachorro quente do outro lado da rua!
A abertura do evento ficou por conta dos paulistanos do Chaosfear, que tocam um thrash metal rápido, técnico, mas com algumas levadas diferenciadas e mais melodiosas vez ou outra. Há pouco mais de um mês, pude conferir uma apresentação desse grupo e me impressionei com tanta potência ao vivo. Portanto, não há como negar que a escolha deles para receber os fãs naquela noite foi muito adequada e agradável. Cumpriram seu papel frente a uma casa já bem cheia, e a vivacidade do grupo, mesclada à presença de palco bem enérgica conquistou o gosto de quem estava presente.
Bem próximo ao horário previsto, o Testament deu as caras com “More Than Meets the Eye”, música de trabalho de seu último disco, que causou gritos altíssimos de excitação no público, que praticamente lotava o Carioca Club, e desespero para as dezenas que ainda ficaram de fora alimentando uma última esperança de conferir o quinteto. Sem pausa para respirar, veio a clássica “The New Order” para manter os ânimos no topo.
Aliás, não posso deixar de comentar algo. Que escolha de repertório! Da primeira à décima música, não houve um momento sequer em que houvesse ocorrido aquela esfriada típica de meio de set list no show. Eu particularmente não acreditava na saraivada de clássicos um após o outro, e vocês me entenderão conforme acompanharem o resto do relato.
Após um breve diálogo com a platéria – e o vocalista Chuck Billy sabe ser bem direto – uma tríade para deleitar qualquer bom fã da banda. “The Preacher”, “Practice What You Preach” e “Over the Wall” vieram para mostrar o porquê de a banda ser tão querida e tão aguardada por aqui. O thrash metal de qualidade do Testament é indiscutível e ao vivo são tão fiéis à sua tradicional pegada, que mosh pits eram constantes, devido à grande energia sentida pelo público. Pena que nesta última, a brilhante vibe daquele solo marcante e ímpar foi ofuscada por um problema que perdurou por toda a noite. A qualidade do som parecia totalmente inversa à potência geralmente apresentada pelo grupo: apesar do bom peso da bateria, as guitarras estavam muito apagadas e por vezes mal se ouvia os backing vocals. Isso, sem dúvidas, foi percebido por todo mundo que estava ali e foi talvez o único ponto negativo da apresentação, junto com a iluminação escura, ótima pra criar uma vibe diferente, mas péssima para os fotógrafos. Porém, ambos passaram praticamente imperceptíveis em meio a tanta empolgação, tamanha era a satisfação do público e a presença de palco e performance cativante dos integrantes da banda.
Outra seqüência matadora se iniciou com “Electric Crown”, a trilha sonora para bate-cabeças “Into the Pit” e “Souls of Black”, na qual fiquei feliz de ver uma grande massa de pessoas pulando juntas, bem como nos vídeos que sempre vi dessa música. Senti falta de “The Haunting”, mas, pelo menos para mim, expectadora de primeira viagem do Testament ao vivo, esse repertório afiado era como a realização de um sonho.
Durante essas todas, e as três próximas, “Burnt Offerings”, “D.N.R.” e “3 Days in the Dark”, o público desempenhou um papel fundamental para todo bom show. Não só as letras eram cantadas, como também diversos dos solos executados pelos excelentes Alex Skolnick e Eric Peterson. As melodias foram todas acompanhadas por um coro incansável dos felizardos ali no Carioca. Nem mesmo Paul Bostaph, que foi substituído na turnê latino-americana pelo baterista John Allen, do Sadus, foi esquecido pela galera. Na pausa antes do bis, os fãs gritaram por seu nome, mostrando que sentiram sua falta, apesar da ótima performance de Allen.
“Alone in the Dark” e o hino “Disciples of the Watch” foram executadas para fechar a noite que, apesar do curto set list, valeu muito à pena.
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Mora em São Paulo e cursa o 3º ano de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Atua na área como jornalista e fotógrafa há um bom tempo, colaborando com matérias para sites e outros meios especializados no gênero. Já foi redatora e assistente de edição da revista Rock Brigade e atualmente, além do Whiplash!, colabora para a rádio Heavy Nation da UOL. Tem 21 anos, e há mais de dez encara o metal não como um estilo de música, mas como um estilo de vida. Curte de Slayer a Stryper, de Motley Crue a Napalm Death, de Nightwish a Venom, enfim: aprecia desde a NWOBHM até o mais extremo do Death Metal.
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