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Halford (Carioca Club, São Paulo, 24/10/10)

Por Fernão Silveira | Em 25/10/10 | Fonte: Fernão Silveira
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O templo estava mais para capela do que para catedral, mas de que isso importa se deus estava lá, em pessoa (junto a seus discípulos), pregando seu divino metal a plenos pulmões?? A capela: Carioca Club, em São Paulo. A celebracão: um domingo (24/10), claro. A esta altura, talvez o deus em questão dispense maiores apresentações... Que Deus abençoe Rob Halford, o primeiro e único Deus do Metal, que finalmente trouxe a sua banda HALFORD para um show na capital paulista.

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Confesso que, inadvertidamente, cheguei a pensar que o templo escolhido para o show de HALFORD não estivesse à altura da importância da banda. Felizmente, ledo engano. Apesar do palco apertadinho e do ar condicionado incapaz de refrescar os milhares de metaleiros – inclusive a banda - presentes, até que a casa respondeu muito bem ao desafio de receber o Deus do Metal e seu séquito de fiéis seguidores. Ademais, shows em clubes só aproximam mais artistas e fãs, o que por si só já é um grande barato.

E o que falar da proximidade entre Rob Halford e seus fãs nesta noite de domingo? Quem foi ao Carioca Club teve o privilégio de ver uma banda muito à vontade, feliz e disposta a recompensar o público com um show sólido - embora muito curto (só 1h25 de duração) – calcado em porradas deste grande projeto chamado HALFORD.

Uma felicidade visível no êxtase de Roy Z (guitarra) a cada solo diante de um público que ele conhece tão bem. Evidente nas trombadas de brincadeira que "Metal" Mike Chlasciak (guitarra) e Mike Davis (baixo) trocavam sobre o palco tão miúdo. Até Rob Halford não demorou a derreter (quase literalmente) com o calor do público. Sisudo e "durão" nas primeiras músicas, bastou cumprimentar a galera para que o frontman se soltasse e passasse a interagir de maneira muito legal com fãs e banda - conversando, fazendo piadas, dançando de forma hilária nas músicas mais agitadas e declarando inúmeras vezes seu amor aos fãs brasileiros.

Para deixar claro o clima de emoção e cumplicidade, vale destacar a bonita homenagem feita por Rob Halford a um colega tão brilhante e querido, que Deus tirou do nosso convívio este ano. Ao voltar para o bis, com bandeira do Brasil nos ombros, o frontman recebeu da platéia uma camiseta da banda DIO. Ao perceber de quem se tratava, Rob não demorou a exibir a peça para o público, pedindo aplausos para outro titã do metal: o imortal Ronnie James Dio. A casa veio abaixo.

Já que estamos falando de homenagens, o que se viu no Carioca Club foi um belo (porém curto) tributo ao Deus do Metal e seus 40 anos de rock pesado – como o próprio frontman fez questão de exaltar ao público. Fundeado por uma banda afiadíssima, com Roy, Metal Mike, Mike Davis e o excelente Bobby Jarzombek (bateria) matando a pau, Rob apresentou grandes canções de ontem e de hoje do HALFORD (que acaba de lançar novo álbum: "Made of Metal") e alguns poucos petardos de FIGHT e JUDAS PRIEST que fizeram valer cada centavo do ingresso.

"Resurrection", "Made In Hell" e "Locked and Loaded" abriram a festa e anteciparam o excelente show que estava por vir. Ainda do repertório do HALFORD, destaques especiais para a sempre explosiva "Golgotha" e para duas faixas do novo disco que prometem manter em alta a história do projeto paralelo de Rob: a faixa-tema, "Made in Hell", e a brutal (mas brilhante) "Fire and Ice".

Numa noite de homenagens, Rob Halford reproduziu dois covers eternizados pelo JUDAS PRIEST: "The Green Manalishi (With the Two-Prong Crown)", do FLEETWOOD MAC, e "Diamonds and Rust", de JOAN BAEZ – duas canções , aliás, que ficaram muito melhor nas cópias do que nos originais. Do JUDAS PRIEST mesmo, só "Jawbreaker". Foi pouco. Isso sem mencionar que apenas uma canção do FIGHT foi executada: "Nailed to the Gun" (uma das melhores da noite, aliás). Ok, é verdade que a noite era mesmo do HALFORD, mas facilmente caberiam alguns outros clássicos cantados por Rob à frente do JUDAS e do FIGHT. Obviamente, ficou o "gostinho de quero mais".

Que o Deus do Metal tenha piedade de nós e decida vir mais vezes ao Brasil para abençoar, pessoalmente, seus fiéis seguidores. Amém.

HALFORD – Carioca Club, São Paulo, 24/10/2010

Resurrection
Made In Hell
Locked and Loaded
Drop Out?
Made of Metal
Undisputed
Nailed to the Gun
Golgotha
Fire and Ice +
The Green Manalishi (With the Two-Prong Crown)
Diamonds and Rust
Jawbreaker
There's no Tomorrow
Thunder and Lightning
Cyber World
(BIS)
Heart of a Lion
Saviour

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Sobre Fernão Silveira

Paulistano, são-paulino, nascido nos "loucos anos 70" (1979 ainda é década de 70, certo?) e jornalista. Sua profissão já o levou a cobrir momentos antológicos da história da humanidade, como o título paulista do São Caetano, a conquista da Copa do Brasil pelo Santo André, a visita de Paris Hilton a São Paulo e shows de bandas como Judas Priest, Whitesnake, W.A.S.P., Megadeth, Slayer, Scorpions, Slipknot, Sepultura e por aí vai. Ainda tem muito gás para o nobre ofício jornalístico, mas acha que não vai muito mais longe depois de ter entrevistado Blackie Lawless, Glenn Tipton, Rogério Ceni e, claro, Paris Hilton.

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