Halford: não é fácil ser deus e se manter no topo

Resenha - Halford (Carioca Club, São Paulo, 24/10/2010)

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Por Otávio Augusto Juliano
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Não é fácil ser considerado um “Deus” e se manter no topo durante anos e anos. Ainda mais quando falamos em um “Metal God” (“Deus do Metal”), como é o caso de Rob HALFORD, conhecido por ser o vocalista de uma das mais respeitadas bandas de Heavy Metal do mundo: o JUDAS PRIEST.

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Nesse gênero musical os fãs são bastante exigentes e acompanham de perto suas bandas favoritas, com uma fidelidade incrível. E é por isso que o Carioca Club, casa de shows escolhida para receber o vocalista e sua banda, ficou cheio de “discípulos” na noite do domingo 24 de outubro, afinal HALFORD se mantém no topo e provou diante do público brasileiro que merece o título que carrega, de “Metal God”.

Embora ver Rob HALFORD no Brasil não seja novidade, pois o JUDAS PRIEST já passou por aqui e inclusive o próprio vocalista com sua banda, no Rock In Rio 3, dessa vez a proposta era diversa das passagens anteriores do “Metal God” pelo país: focar o set list nos seus sucessos solo e ficar bem próximo de seus fãs.

Fãs que, aliás, só começaram a ver a ansiedade passar pouco antes das 20:20h, quando o telão foi recolhido e os músicos apareceram, com Rob HALFORD já postado ao centro do palco.

A partir daí foi executada uma sequência matadora de sucessos de sua carreira solo, com a prevalência de canções de seu primeiro álbum, “Resurrection”, e seu mais novo lançamento, “Halford IV: Made Of Metal”.

E HALFORD optou mesmo por tocar durante quase todo o seu show músicas de sua banda solo, divulgando o material novo e deixando de lado canções do FIGHT e do JUDAS PRIEST, o que talvez não tenha sido novidade para quem acompanhou as notícias e resenhas dos shows que o HALFORD fez dias antes no Peru e no Chile, pois as reportagens davam conta de que o set list seria calcado principalmente na sua carreira solo. Mesmo assim, é claro que ficou aquele fio de esperança de que, entre uma e outra canção, viria um clássico do porte de “Breaking The Law” ou “Painkiller”, originalmente gravadas pelo JUDAS PRIEST.

Só que isso não aconteceu. Do JUDAS PRIEST vieram apenas “Jawbreaker” e “Heart Of A Lion”, além de “Diamonds and Rust” e “The Green Manalishi”, covers de JOAN BAEZ e FLEETWOOD MAC respectivamente, mas já interpretadas no passado por HALFORD, então à frente do JUDAS PRIEST, nos álbuns “Sin After Sin” e “Hell Bent For Leather”.

Se por um lado faltaram mais músicas do FIGHT e do JUDAS PRIEST, o público pôde se esbaldar em canções como “Made In Hell”, “Locked And Loaded” e a recente “Made Of Metal”, que apesar de trazer elementos mais eletrônicos em sua versão de estúdio, mostrou-se poderosa ao vivo.

Aos 59 anos, HALFORD está em forma e mostrou muita simpatia ao conversar com o público em diversas oportunidades, saudando-o, comentando do álbum novo, apresentando sua competentíssima banda e ainda citando a revolução que os computadores e a Internet fizeram no mundo, ao introduzir “Cyberworld”, música que fechou a primeira parte do show.

Mostrou ainda muito respeito pelos brasileiros e por um colega de profissão em especial. Quando voltou para o “bis” final, HALFORD apareceu portando a bandeira do Brasil e recebeu do público uma camiseta com o nome de outro Deus metaleiro: Ronnie James DIO, falecido neste ano, em 16 de maio. HALFORD levantou a camiseta para o público e foi ovacionado, afinal não é toda hora que se vê um Deus reverenciar outro em frente aos fãs.

Para fechar, HALFORD voltou com a já citada “Heart Of A Lion” e a empolgante “Savior”, para um show de aproximadamente 1 hora e meia. Ainda se ouviu por parte do público alguns gritos por “Painkiller”, o imortal clássico do JUDAS PRIEST, mas o pedido não foi atendido, pois dessa vez o “Metal God” veio ao país “abençoar” seus discípulos principalmente com suas canções solo, o que já está bom demais, diga-se de passagem...

Agradecimentos a Costábile Salzano Jr. (The Ultimate Press) pela liberação do credenciamento.

Banda:
Rob Halford (vocal)
Roy Z (guitarra)
Metal Mike Chlasciak (guitarra)
Mike Davis (baixo)
Bobby Jarzombek (bateria)

Set List:
1. Resurrection
2. Made In Hell
3. Locked And Loaded
4. Drop Out
5. Made Of Metal
6. Undisputed
7. Nailed To The Gun (FIGHT)
8. Golgotha
9. Fire And Ice
10. The Green Manalishi (FLEETWOOD MAC/JUDAS PRIEST)
11. Diamonds and Rust (JOAN BAEZ/JUDAS PRIEST)
12. Jawbreaker (JUDAS PRIEST)
13. Like There's No Tomorrow
14. Thunder And Lighting
15. Cyberworld
-----
16. Heart of a Lion (JUDAS PRIEST)
17. Saviour

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Sobre Otávio Augusto Juliano

Otávio é paulistano, tem 29 anos e faz algo nada a ver com o Rock: é advogado. Por gostar muito de música e não possuir talento algum para tocar instrumentos musicais, tornou-se um comprador compulsivo de cds. Sempre interessado em leitura ligada ao Rock e Metal, começou a enviar algumas pequenas colaborações para a Whiplash e hoje contribui principalmente com textos relacionados ao Hard Rock, estilo musical de sua preferência. De qualquer forma, é eclético e não dispensa álbuns de todas as demais vertentes do Metal, sendo fã incondicional de W.A.S.P., Mötley Crüe e dos trabalhos do guitarrista Steve Stevens.

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