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Fotos por Ricardo Corsi e Thiago Correa

Passo 1 – O grande tropeço
No dia 03 de Outubro, em Porto Alegre, o guitarrista sueco Yngwie J. Malmsteen decidiu, em homenagem a seu filho – norte-americano - e às vítimas do fatídico dia 11 de Setembro, tocar o hino nacional americano, “Star Spangled Banner”, frente a seus fãs brasileiros. Péssima idéia. Quem acompanhou o Rock In Rio III e viu uma molecada sem orientação musical, tomar consciência e vaiar sua idolatrada Britney Spears, já sabia que a atitude de Malmsteen geraria reação similar ou até pior, sendo a platéia formada por pessoas um pouco mais instruídas. No entanto, ninguém esperava tanta baderna.

O guitarrista, por sua vez, xingou o público. Já o tecladista, o único norte-americano da banda, foi ainda mais longe e postou em seu site oficial – http://www.dereksherinian.com – uma mensagem, na qual qualificava Porto Alegre como uma “cidade de terceiro mundo, cheia de caipiras”.
Passo 2 – Voltando atrás
No dia 04 de Outubro, horas antes da trupe que acompanha Yngwie Malmsteen se apresentar em Curitiba, Sherinian deixou mais uma declaração em seu site, porém desta vez mais calmo, pedindo desculpas pelo que havia dito e afirmando que ama o Brasil e seu povo.

Em um dos momentos de maior destaque, e usando de artefato digno de grandes políticos no tocante de seus ‘eleitores’, Sherinian disse que, ao ouvir os gritos de “Osama! Osama!”, não conseguia parar de pensar nas crianças que haviam perdido seus pais nos atentados.
Passo 3 – O show do ególatra rei e seus súditos

O público não aparentava estar em sintonia 100% com a banda. Os fatos ocorridos nos dias anteriores deixaram marcas evidentes e o clima não era o ideal. Para piorar, o set list escolhido pode ser considerado, no mínimo, fraco. Desde o lançamento de “Alchemy”, um show de Yngwie que não contenha sequer uma música deste álbum, já pode ser considerado um equívoco. No entanto é até compreensível. Sem desmerecer o excelente Doogie White, mas com tantas mudanças na formação, e principalmente, com a saída de Mark Boals, ficou complicado executar algo de “Alchemy”.

As passagens que empolgaram mesmo vieram com “Rising Force”, “The Seventh Sign”, “Hiroshima Mon Amour”, “I’ll See The Light Tonight”, “You Don't Remember, I'll Never Forget”, “Far Beyond The Sun”, “Trilogy Suite Op.5” e “Black Star”.
Outra parte que levou o público à êxtase total, foi o solo de teclado de Derek Sherinian, que ainda não consegui descrever ao certo, ficando na dúvida entre o hipócrita e o covarde. Dois dias após estraçalhar a já avacalhada imagem do Brasil no exterior, distorcer fatos, e chamar Porto Alegre de cidade de terceiro mundo, Sherinian sobe ao palco com a camisa do Brasil e executa parte do hino nacional brasileiro.

Patrick Johansson e Mick Cervino também tiveram suas vezes, com solos de bateria e baixo. O primeiro se saiu bem, com um solo nada ‘temático’ e musical, mas extremamente interessante, pela técnica apresentada. Já o segundo foi um fiasco. Cervino realizou um dos piores solos de baixo possíveis. Horroroso, patético.

A postura do sueco o atrapalha e muito. É prepotente e mandão demais. Passa o show inteiro dando ordens e inventando moda. No final das contas, acaba engolindo o resto da banda e se torna o único presente. Yngwie tem um domínio impressionante do instrumento. Seu talento é inquestionável. Mas o posicionamento assumido por ele, é um fracasso. Não é atoa que sua apresentação em São Paulo foi cansativa e chata.
Se continuar nesse ritmo, Malmsteen vai terminar sem músicos, já que ninguém suporta trabalhar a seu lado, e sem platéia, pois não há ser humano que agüente ver essa masturbação musical mais de uma vez.
Yngwie J. Malmsteen – http://www.yngwie.org
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Thiago Sarkis: Colaborador do Whiplash!, iniciou sua trajetória no Rock ainda novo, convivendo com a explosão da cena nacional. Partiu então para Van Halen, Metallica, Dire Straits, Megadeth. Começou a redigir no próprio Whiplash! e tornou-se, posteriormente, correspondente internacional das revistas RSJ (Índia - foto ao lado), Popular 1 (Espanha), Spark (República Tcheca), PainKiller (China), Rock Hard (Grécia), Rock Express (ex-Iugoslávia), entre outras. Teve seus textos veiculados em 35 países e, no Brasil, escreveu para Comando Rock, Disconnected, [] Zero, Roadie Crew, Valhalla.
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