Em 13/01/2001 | Resenha - Rock In Rio III - 13/01 (Rio de Janeiro, 13/01/01)

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Resenha - Rock In Rio III - 13/01 (Rio de Janeiro, 13/01/01)


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O segundo dia de festival prometia bastante agitação por parte dos fãs. REM, Foo Fighters e Beck, que nunca estiveram no país, debutaram nos palcos do Rock In Rio; Cássia Eller, Fernanda Abreu e Barão Vermelho vieram confirmar sua popularidade e prestígio dentro da música brasileira. E tudo isso agigantou ainda mais a noite de mais de 180 mil pessoas que foram à Cidade do Rock conferir os shows.

Cássia Eller
Por João Paulo Andrade

Excelente show e primeiro momento realmente rock do Palco Mundo. Muita música em roupagem inusitada e versões mais explosivas ao vivo (entre outras, Partido Alto, de Chico Buarque e Come Togheter dos Beatles). Seriam dispensáveis algumas previsíveis performances como o manjado top-less e a batucada longa demais do Nação Zumbi. Pedir que fossem evitados os hits radiofônicos como “Malandragem” seria demais... Para fechar com chave de ouro, Smell Like Teen Spirit do Nirvana, escolha mais que perfeita para agradar o público que estava lá para ver a banda de um ex integrante do Nirvana que tocaria depois; poderia cheirar a demagogia, mas o cover já era realizado frequentemente em shows.

Fernanda Abreu
Por João Paulo Andrade)

E de onde menos se espera não é que vez por outra pode surgir algo interessante? Longe de ser um bom show para um público rock, mas muito mais longe de ser um fiasco como o que seria protagonizado por Carlinhos Brown no dia seguinte (um público bem menos radical, convenhamos, também faz diferença).

Grata surpresa a participação de Evandro Mesquita, relembrando a Blitz, uma das mais importantes bandas do rock nacional na sua era de ouro (queira você ou não). “Você não soube me amar” com uma apresentação em muitos pontos remetendo ao primeiro Rock In Rio, de que a banda participou, foi fósforo em gasolina.

No mais, quase nenhum rock mas, preconceitos à parte, música de qualidade em alguns momentos, uma banda competente e excelente presença de palco. Respeito ao público e alguma flexibilidade no repertório fazem milagres; não foi a melhor coisa do mundo, mas foi um show que passou sem causar muita dor. Destaque extra-musical para a bonitinha "guerra" de abanadores de papel efetivada pelo público, que não viria a se repetir nos outros dias do festival.

Barão Vermelho
Por João Paulo Andrade)

Estava claro que apesar da Fernanda Abreu, o primeiro dia rock do festival realmente havia começado. O show do Barão só não foi perfeito pela insistência em tocar músicas mais lentas ou os novos sucessos. Mas com uma história e hits como os que a banda possui, precisaria muita incopetência na escolha do repertorio para colocar a coisa realmente a perder. Pela primeira vez a platéia cantou todas as músicas com a banda em uníssono. Um bom show... meia-boca apenas se considerarmos o que poderia ter sido. Destaque para as previsíveis mas excelentes versões para “Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto” e "Malandragem Dá Um Tempo" (Bezerra da Silva, "vou apertar... mas não vou acender agora"). Para desespero dos Becks da vida, o público gosta mesmo é de ouvir no palco o que já conhece dos cds e rádios.

Beck
Por Marcelo Valença

Praticamente desconhecido pela maioria do público presente, o americano veio tímido mas com uma banda afinadíssima, num show que alternou, para quem assistia e não o conhecia (grande maioria), altos e baixos. Para os poucos que estavam lá para vê-lo o show foi o máximo. A banda, além de excelente, era também performática; o baixista e o tecladista/guitarrista não paravam de fazer estripulias.

A galera só levantou mesmo quando começou Loser; público cantando junto no melhor e praticamente único bom momento do show. Tendo desperdiçado seu maior hit logo de início, o resto do show era mais que previsível... de maneira geral, público apático. Não por culpa do artista... uma pena...

Foo Fighters
Por Marcelo Valença

A penúltima banda da noite foi a mais bem recebida pelos que estavam na Cidade do Rock. Começaram com Breakout, mandando depois My Hero, This Is A Call, Big Me e mais uma pá de sucessos da banda que o público todo (todo, mais gente até que o Barão) cantava junto.

Dado momento do show, Dave Grhol pediu a todos que balançassem camisas, da maneira como havia sido feito com James Taylor. Era aniversário do vocalista, que recebeu bolo no palco e corinho de "Parabéns Para Você" dos cariocas.

Com hits suficientes para levar um bom show (apesar de exagerar em momentos mais lentos no meio do show, o que esfriou o público e arriscou colocar a coisa a perder) a banda não precisou apelar para repertório do Nirvana.

A boa recepção de Ghrol, Nate Mendel (baixo), Chris Shifflet (ex-No Use For a Name, guitarras), e Taylor Hawkins (bateria), no maior show de sua carreira, com certeza deixou na banda um gostinho amargo por ter furado a turnê que havia sido marcada para o ano passado (com a desculpa da morte de um ente querido, mas na realidade para participar de um talk show americano).

R.E.M.
Por Marcelo Valença e João Paulo Andrade

No final, com o público de estado de espírito mais relaxado, veio o R.E.M. acabar a noite de forma espetacular. Usando e abusando do português, Michael Stipe conversou com o público, agradeceu a boa recepção e até tomou caipirinha no palco. Tentar falar em português foi lugar comum a praticamente todas as bandas internacionais do festival, mas deve-se destacar a aplicação de Michael Stipe, que, nas poucas palavras que pronunciou, conseguiu o único português sem sotaque entre os gringos. Entre estes momentos, músicas inéditas da banda, clássicos como Losing My Religion, The One I Love... Um show memorável de uma banda não apenas competente, mas aparentemente feliz com o mundo, e particularmente feliz com aquele público.

No bis, com a platéia em delírio, a banda volta com Everybody Hurts e It's The End Of The World As We Know It (o fim do mundo como conhecemos e, quem sabe, o início de "um mundo melhor"? desculpem o trocadilho horrível), além da promessa de retorno ao Brasil para outros shows. Fica a esperança. Faltou Radio Song e Shinny Happy People, mas quem sabe na próxima.

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