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Se você pensou (apenas) em garrafas pet e copinhos de iogurte, ledo engano. A arte – especialmente a cultura pop – transformou-se profeticamente numa metamorfose ambulante. Para isto, um motivo simples: a paixão pelo efêmero é efêmera. Acabou o reinado ou melhor, destruiram a divindade dos deuses olimpianos que dominaram o mundo com sua criatividade ‘original’ e, engoliam o planeta, não só pela qualidade, mas pela falta de opção. Não há rigor no mundo globalizado e os meios de comunicação são dominados cada dia mais por gente interessada no exótico em detrimento à técnica. Aliás, a técnica tornou-se um elemento de características subjetivas, mesmo que conceitualmente isso seja uma antítese. Ou seja, quem consome produziu sua própria concepção sobre “melhor” e “pior” e descartou um pouco o ortodoxismo do conhecimento, fruto de centenas de anos do medievalismo, que concentrou no apuro técnico aquilo que chamamos de qualidade.
Há uma orgia de invenções e especialmente, re-invenções. O GHOST me parece uma piada (até engraçada) musical, que brinca e ri de todos os elementos consagrados na década de 70 no mundo conhecido até aquela época sob a alcunha de metaleiro. As letras “from hell”, os riffs simples, graves e devastadores (no caso deles, muito mais triviais que qualquer banda de rock que eu tenha escutado ultimamente), os mistérios envolvendo seus integrantes, o fascínio pelo desconhecido, o assombro e etc. Se a gente voltar 20 anos, essa estética ficou pueril e virou glitter, especialmente para os americanos, que resolveram brincar de rock quando lançaram ao mundo o hair metal na década de 80. Na Europa, alguma bandas mantiveram a influência de Iron Maiden e Black Sabbath, por exemplo, nas temáticas de terror, satanismo, mitologias e outros mistérios envolvidos em gamas culturais dos países das quais tais bandas são oriundas. Hoje, só nos mais abissais guetos escandinavos ou no teatral mundo black metal, que se encontram representantes do estilo.
No século XX aí o negócio se pluralizou mesmo. Acabaram as divisas e sacralismos criados pelos mais ortodoxos e bandas como White Stripes, Darkness, Arcade Fire, Kings of Leon se tornaram, da noite pro dia (uso como eufemismo e sabemos que isso depende de uma série de fatores), em ídolos do rock. Se isso de certa forma rejuvenesceu a cena, em busca de uma nova identidade e expurgando o velho, da expressão “bom e velho rock and roll”, deixou a sensação de que, qualquer coisa poderia ser fantástica e genial. Bastava um diferencial sonoro (uma banda de guitarra e batera, por exemplo), um carisma (que sem ele, nenhum rock star sobrevive) e uma identificação com os hunters de salvadores do rock: pronto, você é a mais nova sensação!
O Ghost é a camisa do Flamengo de 1981, é a Brabham de Nelson Piquet 1983, é a boca de sino do Travolta em 1979, é a casaco de educação física da Adidas, é a caneta Kilométrica, as panteras de Charles, o DuLoren de De Volta para o Futuro. Em suma: nada mais é do que uma proposta retrô com uma roupagem mais contemporânea, sem qualquer tipo de produção retocada ou sofisticada, até porque, o must sonoro é aquele que menos se preocupa se o som é bom (do ponto vista técnico) mas se está quebrando alguns paradigmas vigentes, mesmo que estes mesmos paradigmas já tenham sido quebrados por tantos outros.
Para quem não viveu vírgula após vírgula do parágrafo anterior, soa como a MELHOR COISA JÁ CRIADA PELO HOMEM DEPOIS DO SERVIÇO DE DELIVERY. Para quem já está acostumado à salada sonora do século XXI e aos valores recorrentes, sabe que é uma boa jogada. Musicalmente diz pouco, para dizer a verdade, todos os músicos não apresentam qualquer tipo de destaque e a dinâmica da banda gravada, lembra uma demo arrastada de bandas setentistas.
Gosto é gosto, mas, se você era um dos que achava ruim antes, por que agora isso é fantástico?
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Daniel Junior, editor chefe do PipocaTV, administrador do Aliterasom e colaborador do Leitura Esportiva. Ama séries de tv, rock e tecnologia. Colaborador do site Whiplash desde 2009.
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